segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Hora da certeza

Hora da certeza


No meio da madrugada
(Noite lenta)
Eu mergulho na infinidade
Destas páginas
Em branco
Até a hora de dormir
E seguir a vida
No outro dia
Todos os dias
Da minha vida
(No meio da madrugada,
Noite branca)
Até a hora de morrer
E derreter essa dureza
Numa nuvem numa pedra numa flor
Num peixe contra a correnteza
(Na madrugada pelo meio,
sou inteiro)
Até a hora em que morre o sol
E passa um tempo incontável
Sem par poético
(Tempo ímpar)
Até mais hidrogênio vir a queimar
E ressuscitar como lâmpada
O reflexo do espelho-espaço
E o aço de tudo é a irrazão
Até a hora da certeza.


Juliano Berquó Camelo


Faço uso da dedicatória
do disco "Várias Variáveis",
Engenheiros do Hawaii:

"Dedicado ao homem só,
seja ele quem for,
esteja onde estiver."

3 comentários:

Felipe Venturini Arcêncio disse...

Está muito bom cara
Teve várias partes que achei genial , é um dos seus melhores

"E o aço de tudo é a irrazão
Até a hora da certeza."

"Até à hora de morrer
E derreter essa dureza
Numa nuvem numa pedra numa flor
Num peixe contra a correnteza"

"No meio da madrugada
Noite lenta
Eu mergulho na infinidade
Destas páginas
Em branco
Até à hora de dormir
E seguir a vida
No outro dia
Todos os dias
Da minha vida"

Pensando bem , gostei de todas as partes ^^

Parabens mesmo Juliano
Abraços ,

Anônimo disse...

Na madrugada, o que diz o vento quando chora? Quando passa pelas frestas do passado?

Você sabe, já viveu as horas mortas de uma noite em claro.

boas madrugadas, nanda

Anderson de Oliveira disse...

"Você mergulha na infinidade de paginas em branco, e as transforma em letras precisas, firmes, convictas... "

È, meu amigo de profissão, não canso de elogiar seu senso moderno de abordar o cotidiano, algo que admiro profundamente em suas letras... Parabéns, Berquó!