sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sempre + Nunca Mais

Sempre + Nunca Mais by JulianoBerquo



Sempre + Nunca Mais

Se eu como, eu cago
Se eu bebo, eu mijo
Se eu beijo, eu cuspo
Se eu corro, eu suo

Se eu amo, eu odeio
Se eu descarto, eu desejo
Se eu quero, eu consigo
Se eu isso, eu aquilo

E é por ser tão simples,
cego e seminal,
É por ser eterno
Anacronismo atemporal
É por ser até logo,
Lógico e letal
É por ser assim
Que eu quero sempre mais
Nunca mais.

Se eu falo, eu escuto
Se eu desço, eu subo
Se eu cresço, eu esqueço
Se eu esqueço, eu esqueço

Se eu nasço, eu morro
Se eu paro, eu corro
Se eu erro, eu corrijo
Se me corto, eu cicatrizo
Se eu inspiro, eu expiro
Se eu isso, eu aquilo
Se eu desisto, inexisto
Se eu existo, eu insisto


Juliano Berquó:

Letra e música (2007);
Guitarras (3), Baixo, Vozes,
Bateria eletrônica (cheia de erros...).


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Desemprego ou Dia do Músico

Dizem que hoje é dia do músico, né...

Respeito os caras que, provavelmente, em 82 ou 83 gravaram isso aqui em Brasília de forma amadora, ainda sem gravadora por trás e tal...

Falo desta que é uma música nunca lançada oficialmente pela Legião Urbana. A conheci por meio do site de contribuição entre fãs, "osoprododragao.com.br" (se não me falha a memória...), na seção de "raridades" da banda. Pela qualidade da gravação, é de alguma demo gravada já em estúdio mas antes do contrato com a EMI.

Reza a lenda que o guitarrista desse período da banda, Kadu Lambach (Eduardo Paraná, no quadrinho do encarte do "Que País é Este?"), dividiu apartamento com a esposa de um primo meu nessa época e a Legião ensaiava lá...

Enfim... Se não fosse por essa música - e digo sem exageros - eu não seria o que eu sou hoje. Foi depois de tê-la descoberto, no começo de 2004, que eu quis (porque quis!!! Afinal, tinha meus 14 anos..) aprender a tocar violão e comecei com a fissura de compor e escrever e tal... lá se vão quase 8 (?) anos...

A letra ainda é mais pertinente pra mim hoje: Parte da "População Economicamente Ativa" não tão ativa assim... Esse fim de curso tá sombrio mas pelo menos ainda tenho música pra ouvir. Também pertinente pela data, afinal, não sou nada além de um músico frustrado com as infrutíferas tentativas de compor uma banda...

Clique no nome da música em azul para ouvi-la.

Desemprego*
(Renato Russo)

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Só esse desespero
Que esqueço quando bebo
E é mais um aumento
Não tenho mais dinheiro
Atraso o aluguel
Mau compro alimento

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Trabalho o tempo inteiro
Estou procurando emprego
Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo

Só esse desespero
Que esqueço quando bebo

Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo...

*Ou "Fábrica 2", como registrada na versão dos Titãs no disco "Renato Russo: Uma Celebração", em 2006.

Essa é foda. Sem mais.

Juliano Berquó.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O que se quer com um mito? Ou os 83 anos de vida de Ernesto "Che" Guevara

E digo vida, pois, morto em 67 na selva boliviana, Che Guevara é uma figura que permanece latente no insconsciente coletivo de todo o povo latino-americano que ousa lutar. Figura esta que, pela lente de Alberto Korda, rodou o mundo no que restava de século XX, sendo considerada pelo Maryland Institute College of Art a fotografia mais famosa de toda a história da humanidade.

No âmbito do concreto, o revolucionário nascido argentino, cidadão do mundo, porém, jogou talvez o mais importante papel na revolução de 59: o de torná-la lenda. Ministro do Trabalho em Cuba, Guevara abandona a ilha para levar consigo a chama da revolução para outros povos. Tentou articular a luta no Congo, onde fracassou e, posteriormente, na Bolívia, onde virou história, pelas mãos dos agentes da CIA.

Da mesma forma que icônico, é protagonista de polêmicas ainda hoje. É chamado de assassino pelos herdeiros das elites sanguessugas que, secularmente privilegiadas, viu ascender nas últimas décadas do século passado inúmeros movimentos de esquerda em toda a América Latina que buscavam, de alguma forma, romper com a histórica desigualdade nos Estados burgueses instituidos de forma excepcionalmente opressora e violenta (em relação aos Estados europeus, digo), a custa de muito sangue escravo indígena e africano. Diz-se da perseguição aos homossexuais em Cuba, acusados de "contra-revolução" e mandados a campos de trabalhos forçados. Quanto a este último ponto, Fidel Castro assumiu a totalidade da culpa em entrevista recente ao La Jornada, aqui.

O que fica da experiência de Cuba e do mito revolucionário é a lição que se tenta aprender nas esquerdas contemporâneas: Revolução não se faz apenas com armas, discursos e economia, mesmo com muita boa vontade. Pelo contrário, só se poderá falar de revolução daqui em diante quando se firmar outro contrato social entre os seres humanos que leve a sociedade a outro nível civilizatório, baseado na cooperação entre os povos e não na sua superexploração para o benefício de poucos. Uma outra mentalidade que ressignifique conceitos como desenvolvimento, sociedade e nação. A nossa pátria há de ser uma só: A humanidade.

Deixo aqui - como certa forma de homenagem pelo 83º aniversário de Che e para lembrarmos que nosso papel no mundo não há de ser apenas o existir não-contestatório, consumidores do modelo de vida imposto - uma canção que eu compus ano passado, onde cito uma passagem de um artigo do próprio Che Guevara, de 1965. A canção se chama "O que se quer" e o artigo é "El socialismo y el hombre en Cuba", que conheci por meio de uma publicação que ganhei de presente da minha avó em 2007, uma revista com vários artigos sobre a revolução, a história de vida de Ernesto e alguns de seus escritos. É um artigo famoso, está em todo o lugar da internet. Coloco aqui uma fonte, digamos, confiável.


"Déjeme decirle, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor. Es imposible pensar en un revolucionario auténtico sin esta cualidad. Quizás sea uno de los grandes dramas del dirigente; éste debe unir a un espíritu apasionado una mente fría y tomar decisiones dolorosas son que se contraiga un músculo."

Ernesto "Che" Guevara
(1928-1967)


O Que Se Quer
(Juliano Berquó)

Sou eu quem acredita na força da palavra
E ao cair em contradição, a minha própria mão,
Navalha que me corta,
Será a juíza da minha conduta torta.
É preciso estar frio e escolher entre a dor
No risco de soar ridículo, eu digo
É preciso estar convicto do amor.

Sou eu quem acredita na força do poema
O dilema da escrita
Sou eu quem acredita
E a palavra se afirma
Com a força da caneta
Sou eu quem a despista
E a rima se apresenta
E se rabisca
Em qualquer letra.

Cante enquanto pode, antes que seja tarde,
Cante e te afaste da escuridão
Escreva enquanto há mão que te oriente
Escreva são e observe.
Verse enquanto houver
Poesia que sustente,
Pois, mesmo sem a flor
Há a semente.

Não vou causar o estrago
Nem serei escravo de mim mesmo
Não vou seguir tais passos
Nem deixarei meus rastros
Pelo meio do caminho
Não vou comprar o plástico
E com os pés descalços
Eu mergulho e o rio é limpo.

Sou eu quem acredita no peso do ar
E, se me der na telha, vou meditar no Tibet
(que é onde estou agora)
E vou embora assim que alçar vôo.

Sou eu? Quem é o poeta,
Senhor destas linhas?
Quem está onde estão as poesias?

No silêncio entre as linhas
E na sombra sob as línguas
E nas nuvens sob o céu... da boca
Entre os troncos retorcidos
Entre as folhas sobre o chão
No não e no gemido,
Estão todas as palavras que eu busco
O refúgio que alcanço
Por meu suor

Sou eu quem acredita na palavra por ser dita
Escondida na entranha da garganta
E não adianta reclamar se a palavra é repetida
Pois, ainda que esta seja, está despida.
Sou eu quem acredita, e ainda tenho fé
Pois, tudo é o que é e haverá de ser
O que se quer.


¡Hasta siempre!
Juliano Berquó.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pra Longe do Sertão

Olá!

Pra fechar o ano, canto uma viagem (ou uma fuga, depende do ponto de vista) e aqui a divido com os presentes. Chama-se "Pra Longe do Sertão", algo que eu escrevera despretensiosamente nos fins de 2005, tendo musicado por volta de 2007 e gravado em setembro de 2010. A ideia era que fosse uma coisa que lembrasse um baião... Queria lembrar o valor da nossa cultura nacional, além de que sempre me fascinou a estrutura melódica e rítmica da música nordestina.

Fica então aqui registrada.

Pra Longe do Sertão by JulianoBerquo

Pra Longe do Sertão

Eu sou pobre
Eu sou rico
de espírito.

Eu sou bandido
Eu fui banido
do paraíso.

Eu quero ir embora
Pra bem longe do sertão
Eu quero fazer isso
Pra curar meu coração.

Na mala eu levo uma certeza:
Por aqui não se vê mais estrela.


Juliano Berquó.

sábado, 13 de novembro de 2010

Por ventura, a técnica

Olá!

Hoje venho falar um pouco da minha área de atuação. Pra quem não sabe, quem cursa geografia, pode ser professor (que é o meu objetivo) mas também tem algumas outras possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Uma delas é a cartografia. Eu sempre gostei de mapas, desde moleque. Cheguei a desenhar alguns mapas temáticos quando garoto, nada que eu imaginasse fazer profissionalmente um dia. Hoje em dia, o faço, apesar de o fazer com certo desgosto que não me cabe aqui discorrer.

Enfim... um dos mapas que eu sempre quis ver era o da divisão político-administrativa do Distrito Federal. Outra vez, pra quem não sabe, no DF só há UM município: Brasília. Mas é subdivido em, atualmente, 30 regiões administrativas (RA's), que podem ser chamadas de cidades-satélites. Apesar deste nome ter sido abandonado pela administração quando o Cristovam era governador, justificando-se ele ser fruto e gerador de preconceitos, em termos de análise acadêmica da dinâmica espacial de Brasília, ao meu ver, faz muito sentido.

Ao longo de meu curso de geografia, encontrei em alguns documentos oficiais esboços desta carta que eu procurava mas sempre incompletos de informações e incoerentes.

Falta (ainda não encontrei) um mapa oficial do governo que defina claramente os limites de cada RA. De fato, há ainda conflitos entre as administrações regionais acerca dos seus limites, como no caso Taguatinga x Águas Claras, em que nenhuma das duas administrações quer ficar com o bairro de baixa renda, Areal.

Nas últimas férias, no mês de setembro (devido à última greve), tomei a iniciativa de produzir este tal mapa, utilizando-me dos dois mapas-esboço aos quais já tinha conhecimento e das informações dos sites das administrações regionais. Comecei por vetorizar cada RA por meio do Google Earth (ferramenta "caminho" que, para este fim, constroi polígonos). E esta é a parte longa e chata do trabalho... mas chega a hora que a gente termina de vetorizar Planaltina e tudo fica mais legal!

Findas as vetorizações de todas as RA's, os exporto como KML (ou mesmo KMZ) para o ArcGIS 9.3 que, apesar de ter infinitas outras funções (as quais eu mesmo ainda desconheço muitas), eu utilizei apenas para extrair uma carta em branco com os vetores, já em PNG.

Abro este arquivo de imagem PNG no paint, brinco de colorir, coloco as legendas, vejo se tá tudo certo e...

Voilà!
Só pra reafirmar: Este não é um mapa oficial. Como disse, foi baseado nas informações não muito confiáveis de dados do Governo Distrital (!) e, possivelmente, um futuro hipotético mapa oficial pode vir a divergir deste em algo.

O fiz por esporte, por puro prazer, pra satisfazer uma vontade minha. Outra coisa: Sou bacharelando, não bacharel, como afirmo no mapa. Mas já to me garantindo, afinal, me formo ano que vem.

Quem tiver interesse em reproduzir este mapa pela internet, o faça! Se der, lembre de dizer quem gastou tempo pra caralho pra fazê-lo, ok?!

Um abraço,
Juliano Berquó.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dia Primeiro

Olá! Faz tempo que não dou minhas caras por aqui.. venho hoje tornar pública mais uma de minhas canções.

Esta canção me veio à cabeça no dia 29 de abril (2010), véspera do dia do trabalhador, porém, terminei a letra (e gravei a música) apenas por volta do mês de agosto. Inspirado pela força do simbolismo de termos um presidente-operário discursando no dia do trabalhador, não lembro exatamente em qual evento, escrevi estes versos aproveitando para utilizar metáforas ("ontem à noite a estrela não brilhava mas amanhã virá o sol da liberdade em raios fúlgidos de amor e esperança") como forma poética de crítica ao governo do PT que, em diversos momentos nos últimos oito anos e a cada dia mais na gestão da Dilma Roussef, se mostra perverso em relação às esperanças dos trabalhadores em mudanças estruturais no Brasil e dilui cada vez mais a força daquele simbolismo. Procurei fugir do tom a que chamam de 'panfletário' e não falar dos trabalhadores de forma tão genérica, como figuras sem rosto. Logo, tentei transpor a minha realidade à canção e chamar os que me ouvirem, por ventura, à discussão e à luta.

Pode (deve) ser entendida como uma ode às 36 horas!

São duas guitarras base, uma solo no meio da música e o baixo costurando o som. Além da minha impecável voz!!!!!!!!!!!!!

Dia Primeiro by JulianoBerquo

Dia Primeiro


Hoje, a partir da meia noite,
Amanhã o dia inteiro,
É dia primeiro.
Ontem à noite a estrela não brilhava
Mas amanhã será o sol da liberdade
Em raios fúlgidos
De amor e esperança.

Hoje o dia foi de cansaço
E os galos matinais anunciavam
O apocalipse.
Mas agora a noite é de descanso
Enquanto o ranço está lá fora
À nossa espera
Com os olhos de fera.

O que se pode fazer com tão pouco?
O que se faz aqui. se faz com gosto!
O que se espera que surja de novo
Se o que está posto é o mesmo?

O que fazem todos com tantas certezas?
O que se busca com tanta pressa?
A quem interessa esta corrida incessante
Se o nosso tempo é tão curto?

Trabalhador erga sua voz
Trabalhadores somos todos nós
Trabalhador siga sua luta
Dilapidando a força bruta

“Hoje acaba uma guerra – não.
Acaba uma batalha.
A guerra vai continuar.
A guerra é destruir esse muro
que separa você das suas aspirações.
Talvez muita gente não entendeu o que eu falei aqui.
E eu to falando pro futuro.
Não to falando nem pro presente horrível que nós temos,
nem pro passado.
Eu to falando e pedindo a vocês: jovens, pensem grande.
O impossível torna-se possível se você quiser.”

(Edição sobre as Considerações Finais do candidato a presidente pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, no debate da Rede Globo, em 30/09/10)

Ontem, o mundo era um desenho
No mapa da escola
Mas agora
Eu sei que o longe
É um lugar que não existe
Ontem as letras eram tristes,
Só figuras nas folhas dos livros
Hoje fazem sentido
Porque outro mundo é possível

Serei trabalhador da educação
Assim que concluir minha graduação
Trabalhador da arte enquanto
Eu acreditar naquilo que eu canto

Juliano Berquó Camelo,
Celebrando minha filiação ao Partido Socialismo e Liberdade, PSOL-DF.

sábado, 5 de junho de 2010

Não se guarda flor no bolso


Isso não é um poema
É no mínimo um canto
no máximo um grito
no entanto, escrito.


Não se guarda flor no bolso

À Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Cristovam Buarque
e tantos outros que trabalham
e trabalharam pelo Brasil que haverá de vir.
À Universidade de Brasília, enfim.


Não se guarda flor no bolso.
É um alto risco de um alto dano
como se guardassem por baixo dos panos
a paisagem tropical, o amor..

Roubada de um canteiro desta universidade
onde a liberdade sempre mais é o anseio
Não se guarda dor no peito
Nenhuma flor no bolso.

Não se guarda o poema todo
na ponta da caneta:
ele arranha e se irrita,
faz que vai mas fica
engatilhado no átrio esquerdo

Não há tempo imperfeito
pra se lutar de coração...

Juliano Berquó.

E também, dedicado à todos nós,
os pequenos nomes, que lutam a cada dia
por uma universidade e um país melhores.


*Foto de minha autoria:
"Flor vermelha no ICC norte, UnB",
Fevereiro de 2010.

sábado, 8 de maio de 2010

Cara-de-Pau

Na cara de pau, apareço aqui agora.
Desde de fevereiro me ausento.
Não há justificativa.
A Universidade de Brasília, a minha UnB,
está em greve geral desde o dia 9 de março (terça-feira), a despeito de minhas aulas no departamento de geografia só terem paralisado formalmente na segunda-feira posterior, ainda assim.
Não há desculpa, não estou empregado em nenhuma atividade formal ou informal, não recebo nada no fim do mês, é bem verdade, nem ando sabendo o dia do mês em que estamos. Tive algumas ocupações: mudanças de domicílio, de domicílio eleitoral; o tempo livre que sobra me divido entre acompanhar o mundo ao espaço virtual, curtir meu ócio criativo, corridas vespertinas, estar com maíra, enfim. E o que mais me invade as temporas: tocar-compor-gravar!
É esta a tríade, às vezes a ordem varia mas quase sempre é a que está posta.

Logo, novamente na cara de pau, peço perdão pelo sumiço. Perdão à quem me segue, que seja, a mim mesmo por abandonar meu blog desde à epoca da prisão do Arruda! Putz.. o cara até já foi solto, porra..

Enfim.

Acho que vou votar no Psol pra presidência. Mas só acho. Ainda não me decidi. Puta falta de opção este ano!

Serra-PSDB? Nem se me arrancassem 3/4's do meu cérebro dias antes da eleição. Por motivos que de tão óbvios me furto a expôr.

Dilma-PT? Bem.. é difícil. O PT traiu a todos nós. Pessoas importantes, de fibra e respeito abandonaram o PT (Cristovam-PDT, Marina Silva-PV e até um partido inteiro, o PSOL) por seu rumo já incerto tomado há alguns anos. Vejam só: Michel Temer-PMDB vice-presidente na chapa da Dilma?! Que País é Este?!? Logo o PMDB?! O PMDB que até setembro do ano passado, ou seja, ontem, era o partido de Joaquim Roriz?! Puta que te pariu, PT!!!! O PMDB do Imperador do Maranhão?!
No plano regional, meu voto é praticamente certo para o PT na figura de Agnelo Queiroz já que a presença do já referido demônio.. digo.. Roriz na disputa (e o cara tem voto pra caralho aqui no DF) forçou todo mundo da esquerda (PT, PSB, PDT, PcdoB e mais uns aí) a se aglutinar em torno da figura do Agnelo. Ele é carismático, tem carreira, história. Mudo meu voto apenas se o PT-DF aceitar a aliança com o PMDB-DF que, já disse, até ontem era de Roriz e este ainda tem suas garras por lá.

Marina-PV? Poxa.. Ela tem uma proposta interessante de crescimento sustentável, costuma dar relevância a educação em seu discurso. Mas tenho meu pé atrás. É o PV do Gabeira, aquele fantoche carioca que no rio se abraçou ao DEM, PSDB e PPS pra não afundar na guanabara. Além de ter algo nela que me dá desconfiança. Talvez também por ter deixado o PT ano passado e entrado nessa onda duvidosa do PV. Não consigo crer.

Plínio-PSOL? Nunca tinha ouvido falar do Plínio, coitado. Pela primeira vez, foi agora no início dos arranjos dos partidos para as eleições acompanhado da notícia do racha interno do PSOL que queriam alguns Heloisa Helena e esta por sua vez queria apoiar a Marina... teve uma briga pra decidir o candidato, até acusações internas. Que seja. Pode-se dizer que um partido pequeno e que já começou o ano rachado não tem lá muitas chances no cenário sujo que se anuncia.

E acabaram as opções?!
Claro que não mas é o que a grande mídia faz por nós: o primeiro turno antecipado. As mega alianças promíscuas descritas aí em cima demonstram que é inclusive muito cômodo para os grandes partidos este papel que se presta nossa grande imprensa.

E é importante que todos estejam atentos ao papel da mídia neste ano!!! Canto a pedra e não canto sozinho. Procurem aí no twitter e na blogosfera, tem gente ligada na sujeira que já assombra.

E também, sejamos sensatos. PCO, PSTU mais uns micro-partidos de direita que lançam candidatos independentes não ganhariam eleição presidencial neste país nem se chovesse canivete de ouro.

Os cenários regionais já são mais certos: Senado, Cristovam Buarque-PDT e Rodrigo Rollember-PSB. Câmara: Reguffe-PDT. Não sei mais quem vai concorrer mas tem um pessoal interessante aqui. Espero o início oficial da campanha pra decidir de uma vez.

Acho que o título da postagem, que já chega ao fim, já tem mais sentidos do que ao início da mesma.
Acho que não sou o único cara de pau por aí não... Mas prefiro a minha cara de pau que não faz mal a ninguém.

Deixo um recado ao cenário político que se anuncia: Vão se fuder.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fuga

Tenho fugido deste blog
como o diago foge
do rock de hoje em dia.

Pois bem, estávamos em greve, eu enquanto categoria de estudante, e os professores da minha universidade, a UnB. Os servidores ainda estão. E o caos impera.

Culpa também das horas que eu gasto no deficitário (à enesima potência) transporte público de Brasília.

Fiquem com um pequeno, humilde poemeto escrito em uma noite febril.

Fuga


Há algo em mim que é falta

Me sobra um buraco no peito

Já nenhum som me agrada

E o silêncio já não me diz nada


Há algo de viciante

No que antes era perfeito

Um dia, eu quis ser tudo

Tenho medo de hoje ser mudo


Há tempo por demais obscuro

E agora busco por noite a dentro

Subo na torre mais alta

Mas há algo em mim que é falta


Entre as nuvens há só uma estrela

E a luz vagueia pela madrugada

Há algo em mim neste dia

E não posso fugir da poesia



Juliano Berquó.

Boa noite, virtuais seguidores.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"É o demo, o demo, a demó..

É a democracia.

Democracia que me engana
na gana que tenho dela
cigana ela se revela"
(Democracia, Tom Zé, "No Jardim da Política")

Transcrevo aqui um pequeno trecho de um diálogo, inserido num discurso de Cristovam Buarque (PDT-DF), Senador pelo Distrito Federal, entre este e o Senador Epitácio Cafeteira, PTB-MA.
Para quem não é de Brasília e não acompanha a política, Cristovam Buarque é professor, primeiro reitor da UnB na redemocratização em 1985 (orgulho para todos nós!), eleito Governador do DF em 1994, tendo perdido a reeleição para Joaquim Roriz, que já havia sido nomeado, por Sarney, Governador do DF em 1988 e eleito em 1989. Roriz é uma reconhecida "raposa" política de Brasília, como é o próprio Sarney no Maranhão, o morto ACM era na Bahia etc. Inclusive, pretende com seu discurso vazio, cheio de demagogia, voltar ao GDF agora que Arruda se fudeu legal.

Com tudo o que se passa em Brasília nesses últimos meses (pode-se ler anos sem muita mudança de sentido) e com a lucidez política daquele referido, me dou a liberdade e, em verdade, publico:

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O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Mas V. Exª há de reconhecer que, pelo trabalho que fez em Brasília, não poderia ter perdido eleitoralmente.

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - O povo é soberano. O povo sabe como vota.

O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - V. Exª, sem falsa modéstia, foi um grande Governador de Brasília e de repente perdeu a eleição - existia aqui a luta - para um Senador que renunciou por um erro no Senado, que de repente chorou e o povo não se incomodou com o que aconteceu e o elegeu e o resultado está aí.

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Obrigado, Senador. É muito gentil de sua parte, mas, quando eu perdi, eu cometi os meus erros. Não foi o povo e o eleitor que cometeram os erros. Fui eu que cometi os erros, nem que fosse por não conseguir seduzi-lo para minha proposta. O povo é soberano e o povo aprende cometendo os seus erros.

- Extraído do Blog do Senador Cristovam (Cristovam convoca forças sociais para reinaugurar Brasília - 24/02/2010)

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Vê-se aí, em um resumo claríssimo, o que pode ser chamado de democracia. A tal lucidez a qual me referi, que, inclusive, dialóga bastante com a canção genial de Tom Zé.

E quando li este trecho do discurso do Senador, lembrei-me também de um pressuposto da educação (pedagogia) contemporânea, que tanto já vi em 2 anos e meio de estudo de licenciatura na UnB:

Os alunos "fracos" não o são por natureza imutável, mas sim, por seu professor, ainda que munido de conhecimento e boa vontade ao longo do processo escolar, não ter encontrado a didática certa para cada caso de aluno em dificuldade.

(Perdoem-me a falta de referências à afirmação acima. Agora, tenho preguiça! Posso passar alguma coisa depois.)

Realizei Cristovam como sendo então o professor de Brasília e, num momento específico (o qual não cabe a mim julgar, pelos meus 20 anos, não vivi nem sei ao exato o que ocorreu naquelas eleições de 98), ele perdeu a atenção de seus eleitores, por mais que a sua proposta tenha sido em uma análise mais completa, a melhor.

O próprio Cristovam disse, em entrevista ao Jornal Nacional (muitíssimo tendenciosa e injusta, diga-se de passagem, não achei link para o video) como candidato à presidência da república em 2006, que Roriz ganhou, no 2º turno e por pouco, porque prometeu um aumento ao funcionalismo público do DF que, inclusive, não ocorreu após a eleição.

Agora, em 2010, o nosso professor pede a todos os seus alunos que lutem por uma reinauguração de Brasília. A reinauguração da ética na política e nas prioridades da administração pública.
O que será que a escola de Arruda tem a dizer sobre isso?
Veremos em Outubro. Até lá, um Infinito Outubro.
Até lá, haveremos de aprender..

Juliano Berquó,
Geografia, Bachareladando/Licenciando,
Universidade de Brasília.

Obs.: O texto deve ter milhares de erros de digitação e de redação mas tá tarde e eu estou cansado. Depois eu edito o que for percebido e preciso.