quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

(Alg)uma (nada) breve história sobre Juliano Berko

Atenção!: Post autobiográfico. Quem tiver problemas com autoreferências alheias (assim como eu!), pode passar pro próximo texto e aproveita pra baixar o "Futuro, Adeus!". 

(Alg)uma (nada) breve história sobre Juliano Berko.

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Se eu colocasse pra tocar ininterruptamente todas as minhas 180 canções gravadas (tenho ainda algumas por gravar) neste exato momento, 2:26 da manhã, apenas amanhã, por volta da 1 da tarde, a lista seria finalizada no player. São pouco mais de 1 hora de música pra cada ano nestes últimos 9 anos, desde 2004 portanto. 
 
Nesse tempo, apesar de nunca ter tido uma banda formalmente falando - com integrantes que ensaiam regularmente e constroem um projeto coletivo (o que eu sempre quis) - inventei a minha própria, na qual escrevo, componho, toco e gravo tudo sozinho: Concreto Armado; e segui o meu caminho como artista individual, me "libertando" da minha fixação estética do início, partindo pra voos mais altos, trilhas mais distantes. 

Lembrando dos meus passos, ponderando sobre o tempo, me dou conta agora da influência que teve o ambiente no qual eu me iniciei na música - a escola. Apesar de 1) ter começado a ler as teorias musicais naquelas revistinhas de cifras musicais um ano antes de ganhar meu violão, em 2003 (10 anos!!!), 2) de eu ter ganhado o violão da minha mãe como presente depois de muita insistência (um ano pedindo. rsrs) 3) e ter tido dois meses de aulas particulares em casa, uma vez por semana, foi na escola, junto dos meus amigos que também tocavam que, nos turnos inversos, principalmente nos dias de prova (à tarde, as aulas eram de manhã), o desbravar do universo musical através do violão ganhava mais sentidos.

O nosso então professor de Geografia e diretor do colégio ("Campus"), Gilberto ("Ligeirinho"), nos via sempre a tocar nos intervalos e horários livres e muito nos motivava, pelo que posso recordar. Ele chegou a organizar um show nosso no parque Vaca Brava, para o qual ensaiamos um repertório cover e estávamos todos empolgados. No dia marcado choveu e o palco não tinha proteção, ficamos sem tocar... Em um dado momento, no 2º ano, cheguei a compor especificamente para uma apresentação nossa (Eu, Fabiano e Diego, dando nome aos bois) numa semana de temática ambiental. O resultado, uma cançãozinha a qual chamei "As Florestas e o Cerrado", apesar de ter sido feita meio na brincadeira e não ter ficado completamente ao meu gosto ainda na época (depois da apresentação tentei mil versões que me satisfizessem), hoje vejo como foi importante no desenvolvimento do que se poderia chamar de uma técnica de composição. Vejo como aquela oportunidade foi importante pra que eu pudesse seguir adiante.

A experiência no Campus finda no meio de 2005 por impedimentos administrativos e, por influência do próprio Ligeirinho, uma parte dos alunos foi para o COC, um dos "grandes" colégios da época, onde eu tinha uma bolsa de 82% (nunca esqueço o valor na mensalidade...). Ali, um universo de classe média mais alta, eu me sentia O peixe fora d'água, sem Nike Shox no pé e Ipod no bolso (um minuto de silêncio pra todos pensarem no que esses bens de consumo representavam em 2005...). 
Assim, me filiei informalmente ao grupo dos "peixes fora d'água", em que conheci o meu maior parceiro até hoje, Tarcísio Miranda Pereira, porém, nossas parcerias começariam apenas no ano seguinte. Do resto desse ano lembro pouca coisa mais marcante (talvez apenas de uma colega gatinha... gatíssima, "Gabriela Alguma Coisa", passando a mão na minha bunda na fila do lanche. Mas não vem ao caso agora).

No ano seguinte, 2006, finalmente comecei a me sentir mais integrado no ambiente, e passei a tocar e trocar mais ideias com o Tarcísio e o Thiago, principalmente. O COC naquele ano iniciou um projeto "quinta cultural", se não me engano, em que toda quinta-feira ia um mesmo músico que abria o recreio tocando alguma coisa no violão, num palco com microfone, e depois passava pra quem quisesse, dentre os alunos, tocar outras canções. Lembro de tomar coragem e subir no tal palquinho e tocar, na primeira vez, "Núcleo Base", do Ira!. Como eu fiquei mal acostumado, toda quinta eu subia no tal palco pra tocar pelo menos 2 músicas. Muita coisa dos Titãs na época. Só em 2009 eu fui lembrar da sensação de subir num palco! É elevadora, excelsa. É por isso que todo mundo a toma de forma ritualística... (Até me lembro do mantra que eu repetia pra mim mesmo nos bastidores do FINCA... mas deixa pra lá).


No fim do ano, presto vestibular pra Medicina na UFG (simplesmente pra não passar... Tivesse escolhido Direito, minha nota na primeira fase me botava dentro do ponto de corte e talvez eu não estivesse aqui hoje, desesperado com um diploma que eu não sei ainda pra que serve, digitando estas linhas, mas em algum escritório de advocacia goiano ganhando muito $). Presto também pra Geografia na UnB, minha escolha autônoma, já que minha mãe chiou no vestibular da UFG pra que eu fizesse ou Direito ou medicina. Nesse vestibular eu passo, porém, perco o prazo de fazer o registro na UnB, uma vez que ninguém na minha família se dignou de me hospedar em Brasília. Fico em Goiânia e acabo fazendo um cursinho pré-vestibular qualquer, só pra passar o tempo. Esse período só prestou pra que eu me divertisse com o pessoal do cursinho (cheguei a compor "A Moda", que é uma música muito legal também, com o Ricardo) e me apaixonar um pouquinho por olhares sedutores em algum Pub...

Só vim pra cá fugido, no ano seguinte, depois de uma confusão com ameaças de morte (baixaria total...) com vizinhos do prédio... Aí a tal família se dignou. Fiz o vestibular (2º/2007) e passei de novo. E passaria quantas vezes quisesse, diga-se de passagem. Nesse período, eu desistira de montar uma banda de rock e, com um gosto muito amargo na boca, "aposento" minha guitarra, e passo a investir numa leitura mais lírica do violão e me declaro poeta. Foi quando fundei este blog, diga-se de passagem também. Deste período, apesar de triste, guardo as melhores recordações, e algumas belas canções (que me são aprazíveis, uma vez que eu componho pra agradar um impulso pessoal, primordialmente).

Em 2008, participei de um concurso de canção do SESC, influenciado pela minha companheira de (até) hoje e sempre, Maíra, mas não dá em nada (isso não é novidade e ainda se repetirá algumas vezes nesta história...). Naquele ano eu quase não compus música. Escrevi algumas coisas, mas, no geral, produzi muito pouco em comparação com 2006/7. 

Em 2009, de tanto ser chato com meus colegas de curso, consigo a assinatura do Ricardo, então representante do CA de Geografia, pra concorrer por ele no FINCA, o festival de música interno da UnB. Como eu havia imaginado no ato da inscrição de tocar sozinho, na voz e violão, eu inscrevi as canções que eu pensei mais se encaixarem neste formato, que foram "Pra Ser Verdade", uma das minhas melhores até hoje, e "O Pôr do Sol, II", uma parada meio pop meio folk que, com a banda, ficou mais pra rock-balada, o que, de certa forma, deixou ela menos "Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue" e mais "Engenheiros do Hawaii - Negro Amor". Depois de me inscrever, procurei apoio de outros músicos, também amigos do curso, no caso, Klebiston, que também passou no 1º vestibular que fiz e o Vitor, que passou no mesmo vestibular que eu. Ambos são ótimos músicos e ensaiamos apenas uma vez pra tocar no festival. De todo modo, o anf 9 lotado de gente da Geografia, gritando "gatinho" pro Klebiston, sentindo o bumbo do Vitor me jogando pra frente, minhas pernas bambas, boca seca, o coração irremediavelmente veloz, o tempo infinito no que deve ter durado uns 10 minutos, foi uma das experiências mais gratificantes dessa minha passagem na Terra, mesmo com os meus erros no baixo. Como eu imaginava, não passamos pra fase final. Pondero que tanto as canções não eram lá essas coisas (apesar de "Pra Ser Verdade" ser bem legal) quanto o juri desse festival não é muito chegado num rock, quanto nossa performance de palco, no geral, não foi a melhor, quanto por questão de sorte, não fomos escolhidos pra segunda fase. 

Do FINCA, o que mais ficou marcado e que me incomodaria por um bom tempo foi o não prosseguimento daquela banda. Eu sou um ateu meio desbocado, morava na asa sul; o Vitor morava na asa norte e nunca me deu bola (inclusive, uma vez, no nosso primeiro semestre, fiquei muito puto com ele porque ele só sabia zoar o meu sotaque! Não sabia dialogar comigo, mas sabia zoar meu sotaque goiano, nada mais brasiliense que isso); o Klebiston é um puta guitarrista, mas tem seu comprometimento com sua Igreja e mora no Gama... Tinha tudo pra dar errado. E deu. Mas poderia ter dado certo...

Outra coisa que eu vejo hoje é como o festival marcou uma nova fase. Os meus melhorres trabalhos vêm sendo feitos desde o final de 2009. Inclusive, "Hallow Evening" eu compus na noite daquela final. Eu não fui, fiquei em casa o dia todo lendo sobre coisas aleatórias na internet e, no fim do dia, fui tocar guitarra. 

Tivesse participado do festival em 2012, iria de "O Que Se Quer" pra começar o show e "Anéis" pra concorrer pelo prêmio. Duvido que me barrariam na primeira fase. Mas duvido com convicção.
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Sobre 2010/11/12, posso escrever outro dia, pois, escrevi isso tudo aqui em uma sentada de mais de uma hora e amanhã preciso estar às 13 horas em Taguatinga. Escrevi isso tudo pra tentar tirar de mim a sensação de tempo jogado fora. Não sei se consegui, ainda tenho 8 horas de músicas pra ouvir.

Recentemente, venho assinando o "Berko" no lugar do Berquó, que é um nome de origem francesa, linhagem de um nobre diplomata instalado nos Açores e migrado ao Brasil no século 18. Linhagem de nobre? Prefiria que essa nobreza toda tivesse ficado na guilhotina. E os povos indígenas e os povos da áfrica que, eu sei por genealogias familiares, também fazem parte dos meus genes? Como posso levar pra frente a ideologia do império na assinatura da minha arte? Deste modo, subverto essa lógica e (re)invento também meu próprio nome. 

Por hoje é só.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Futuro, Adeus!

Há talvez cinco anos, desde que abri o blog, portanto, venho prometendo a mim mesmo a publicação de forma independente, autônoma, de um álbum completo meu. Sinto que não poderia ser um melhor que este. A qualidade técnica das gravações esta para o nível do som dos anos 70/80, sem dúvida, o melhor que eu poderia fazer gravando no meu próprio quarto com o equipamento amador que tenho. 
Desde o final do ano passado venho trabalhando em um "pacote" de 30 músicas. Algumas dessas canções já haviam sido publicadas por mim aqui de forma isolada ("Brasil, Nunca Mais" que, inclusive, chegou a tocar no programa "Nunca en Domingo" da rádio Universal do Uruguay; e "Senhor de Engenho no Senado" em versão ligeiramente diferente). Porém, aqui encontram-se amparadas pela textura do conceito. Desse pacote, esta é a primeira parte e a que publico pela primeira vez aqui neste blog: 

"Concreto Armado - Futuro, Adeus!"
(64:45) 
"O mundo é mesmo de cimento armado"
C.D.A.
"Privilégio do Mar",
Sentimento do Mundo, 1940.
1. O Futuro Adeus
2. Tudo Em Seu Lugar
3. Nove de Hydra
4. Quando Os Impérios Têm Febre
5. A Paz É Difícil
6. Sapo Barbudo
7. BRock[er]
8. Predador
9. Razão Comunicativa
10. Amor Livre
11. Senhor de Engenho no Senado
12. Socialismo Moreno
13. Brasil, Nunca Mais
14. Proibidas Radiodifusão e Execução Pública
15. Venturis Ventis

As canções deste trabalho dialogam com o ano de 2011, o qual muitos teóricos compararam com o ano de 1848, o ano das revoluções. Foi da assembleia da ONU daquele ano de onde extrai o audio do presidente Obama presente em "A Paz é Difícil". Porque, de fato, a paz é difícil e não se faz com discurso. Muito menos com a ocupação criminosa do território palestino por parte de Israel, amparada pelos EUA. Outra referência, sem dúvida, é a nova onda de histeria relativa ao Calendário Maia, às Teorias da Conspiração, etc. Para estas correntes de pensamento, de tão ridicularizadas, guardo alguma simpatia, considerando algum tempo para leituras alternativas da realidade sempre que posso.
Muito deste trabalho rebusca também alguns valores de certo esquecidos pela marcha do progresso à todo crédito: A desconstrução do mito religioso que aliena; do mito democrático que fascina; do mito lulista que paralisa a crítica da condição nacional; do mito leninista que centraliza o poder; do mito do amor como propriedade; e tantos outros. Este trabalho pode até ser considerado um manifesto isolado, unitário, inócuo. Assim o prefiro a participar das mais diversas formas da coletiva insanidade. Porém, não acredito que o seja. Gosto de pensar que faço parte de uma corrente que talvez ainda esteja um tanto difusa, mas que encontra amparo, por exemplo, nos dois últimos álbuns do Killing Joke (2010, 2012). 
É, sem dúvida, a manifestação da vontade de dizer adeus a um futuro de controle, de ausência de qualquer rastro de dignidade ou ainda um futuro de conformismo. Como dizia o velho Darcy, nessa vida só há duas opções: se resignar ou se indignar. E eu, de minha parte, como demonstro nesse pouco mais de uma hora de música, também não vou me resignar jamais. 

Juliano,
03/12/2012.

Ficha Técnica:

Da Crise da Música à Música da Crise.

"Concreto Armado" é o nome-fantasia para todas as letras, todas as músicas, vozes,
teclados, guitarras, baixo, violão, bateria, edições e efeitos de áudio:
Juliano Berquó.
Fotos do Encarte: Sérgio Berquó, 2010/2011.
Gravado entre julho e setembro de 2012.
- Inserção de áudio em "A Paz é difícil":
"The fact is peace is hard", Barack Obama em discurso na Assembléia Geral da ONU, 2011. 
- "Cidades de Patrão": Expressão utilizada por alguns jovens das periferias de Brasília
para se referirem aos bairros (que no Distrito Federal são também chamados de cidades)
das classes médias e altas. É como a segregação socioespacial salta aos seus olhos.

Todas as baterias e teclados deste trabalho foram realizados por meio do Piano Eletrônico 2.5, software livre.
É encorajada a reprodução deste trabalho para quaisquer fins desde que de caráter não-lucrativo.

CONTATOS: 
Tel. Cel.: (61) 8515-6753
Email 1: julianoberko@gmail.com
Email 2: julianoberquo@live.com

Aceito convites para fazer festas de criança, bodas de prata da tia-avó, e outras do gênero. Garanto meu show com meus instrumentos, bases pré-gravadas e meu equipamento. Além das minhas músicas, é claro.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Brasil, Nunca Mais

Recentemente, faleceu a senhora Maria Rosa Monteiro, mãe do icônico Honestino Guimarães, este estudante de Geologia da UnB que a nossa ditadura civil-militar mandou pra algum lugar desconhecido... A luta de sua mãe pela verdade sobre o filho tornou-se simbolo de toda a luta pela publicação dos arquivos e punição aos torturadores do período militar.

(Em tempo, devo dizer que o STF que julga o mensalão pra "proteger a república" e a constituição, guardando óbvia coerência,  não o fez assim quando julgou improcedente a ação da OAB contra a a Lei da Anistia de 1979. 1979!)

Até algum tempo atrás eu pouco (quase nada) sabia sobre este cidadão, Honestino. Pesquisando, descobri que ele era de Itaberaí, Goiás (partindo de Goiânia, última cidade antes de chegar em "Goiás", a cidade origem da minha família, pela qual eu sempre passava...), que sua família era de advogados e que, talvez, até o seu pai tenha conhecido meu bisavô, Urbano, também advogado (isso minha mãe supôs, dentre as suas memórias, pelo sobrenome da família Monteiro).

Quando me dei conta do quão próximo um líder estudantil assassinado pela ditadura estava de mim, do quanto de nossas vidas pode ter sido em algo similar, seja pela Serra Dourada ou pela Universidade de Brasília, compreendi e fiz parte de toda esta luta pelo resgate de nossa memória coletiva. Da memória dos que luta(ra)m e sonha(ra)m.

Neste instante, surgiu-me como epifânia a ideia de compor uma canção de homenagem, de protesto, que seja, sobre esta história... Lembrei-me daquele livrinho clássico, "Brasil, Nunca Mais" e da sua significância neste contexto. Percebi que poderia usar o jogo de palavras com o nome do "álbum" que eu estava compondo, "Futuro, Adeus!". Ora, quem diz adeus ao futuro só pode ser, justamente, aquele que ficou no passado. Assim, esta canção, quase como uma psicografia, põe na primeira pessoa a voz daqueles tantos que tombaram pelo sonho da democracia, da justiça e da igualdade...

Deles, florescemos nós que, presentemente, lutamos cotidianamente pelo alargamento dos espaços de felicidade nesta vida...
E podemos lutar com algum conforto à custa da tortura e execução de muitos no passado.
E lutamos sob alguma hipocrisia, sobre os ombros largos de tantos escravizados, desterrados e massacrados povos do presente, no Brasil e no mundo.

De todo modo, lutamos como podemos. Mantemos acesa a chama do sonho.

"E se não achar meu caminho
basta-me crer procurá-lo de coração."
Honestino Monteiro Guimarães
(1947-1973?)

"Brasil, Nunca Mais"
(Letra e Música: Juliano Berquó)

Avise minha mãe,
Avise minha filha e toda minha família
Diga que eu não perdi a fé
E que apesar das circunstâncias
Eu morri de pé.

Avise a minha querida
Que a minha vida não foi em vão
Que valeu a pena
Avise minha pequena.

Avise aos jovens nas salas de aula
Que não tivemos escolha
Que não nos deixaram nada
Que pensar nos condenava

Por fim, eu peço
Que avisem aos nossos inimigos
Que nós continuamos vivos
Mais que nunca nas lutas

O meu pelos seus
Futuro, adeus...
Mas não se esqueçam de nós
Céu vermelho-anil
Brasil, nunca mais...
E vivam em paz.

In Memoriam: Maria Rosa Monteiro.

Mitomania

Há tanto tempo sem postar que eu já nem sei como fazer nessa nova interface do blogger...
Até eles estão contra mim!
Publico hoje esta canção cuja letra está ulteriormente exposta. Muita coisa aconteceu desde minha última postagem...
Durante a última greve dos professores da UnB eu terminei o projeto da minha banda de um homem só, Concreto Armado (lá se vão oito anos...), "Futuro, Adeus!" ("Brasil, Nunca Mais" e "Senhor de Engenho no Senado" fazem parte deste trabalho).

Em setembro, com a retomada dos trabalhos na UnB, estive recluso para a finalização da minha monografia. Formado, logo retomei os trabalhos com as minhas composições, finalizando outro projeto no qual estava trabalhando há quase um ano, "Indizível". 
Mas eu não vou ficar falando disso muito não. Com o tempo, pretendo promover e publicar para download todas estas músicas por aqui. 
Por enquanto, fica aí e curte o som dessa que faz parte do "Indizível" que é o melhor que eu posso fazer.

"Mitomania"

Desde quando nasci nunca vi a luz do sol
Flanei por instinto depois de cair no chão
Assim, quando nasci não fui parido de cordão
Me alimentara no tubo de tudo do canal
Nunca tive fome de não saber quê comer
Aprendi a ter vontade de ter quando vi TV
Nas tantas vezes em que morri desde quando nasci
Depois de crescer, eu aprendi a mentir

Aonde levam estas dores que afloram do afeto?
Onde reside minha razão, mãe do meu direito?
Que posso fazer para corrigir o meu defeito?
Agora que o gene do mal já está desperto?

O que vi ao longe e que parecia miragem
De repente, veio a mim ou fui a ele, que é verdade?
Cortara minha garganta enquanto a guerra inflamava
A música havia, mas eu não pegara em armas
Então, fugi do campo de batalha
Quando o sol estava baixo, saí sem dizer nada
Expunha minhas entranhas que, alimentadas de anseio,
Perdido o esteio, abandonava-as no convés

Quando quis o que quis, soube o que era a morte
Que cortava o couro e desfiava véu profundo
Onde estava o norte, velho e forte, nunca soube
De tudo que é escrita, só quero o que me cabe
O resto não resumo, sem posse nem repouso
Por dentro, ouso o sentido de pertencimento
Da bolsa que obriga saber como lhe partir
Depois de crescer, aprendi a resistir

Que faço com este canto que tanto pesa no peito?
Com estes versos afoitos que brotam quando escrevo?
Que faço com esta chama que tanto me queima?
Será que o fogo que consome ainda me anima?

Meu melhor ataque foi minha defesa
Quando o sol estava alto, quis sombra e água fresca
A porta que se abria de passagem foi à tinta
De todo minério, quem nunca viu metais?
Cantais todo mantra que se eleva com o fogo
De onde tudo emana, o céu mais que azul
Fui cantar meu sotaque, qualquer coisa ainda tento
Pro tempo que fulmina, tenho papel e caneta

A vertigem sonora que dobrava minha unha
Era tudo que eu queria quando o sol se punha
Essa febre constante que não me mata a sede
Que não me mata o sonho, não sei por que componho
Desta rosa que tanto pesa, feito pluma de chumbo
Não me reste platitude metamórfica de flor
Fui rasgar meus contratos, qualquer canto mais distenso
Talvez ainda pense no tempo mais que perfeito

Só quem sabe como é triste cantar sozinho
Sabe o quão profundo que lhe atinge o espinho
Só quem sabe ver o louco e ouvir seu uivo
Pode saber o que nele ainda há de vivo
Na madrugada fria, quando estiveres na cama
Lembre dele na praça com uns trapos de coberta
Se no manuseio do que corta, um descuido
Encontre teu reflexo na sua ferida aberta

Ficha: 
Bateria e teclados - Piano Eletrônico 4.3
Gravado com Audacity.
Voz: Juliano Berquó, com alguma desafinação residual. 



Que minha presença no mundo incomode tanta gente quanto for possível;
Que minhas opiniões sejam sempre incompreendidas e combatidas por todos;  
Que eu perca tudo em absoluto, menos esse meu bom humor invejável..! 
Antes que eu morra.



sexta-feira, 30 de março de 2012

Senhor de Engenho no Senado

N'outros tempos, a escravidão era uma coisa legal, dava status ao Senhor dono de quantos mais escravos fosse possível. No Brasil, ainda imperava o latifúndio monocultor de exportação de Cana-de-Açúcar, o sistema de Plantation, semelhante ao do sul dos EUA.

Os tempos mudaram e a escravidão foi posta na ilegalidade pela Princesa (vejam bem, PRINCESA... capaz que se fosse Presidenta, o escravocrata seria da base aliLinkada... ih!!!) Isabel. O Código Penal Brasileiro de 1940, na redação atualizada em 2003 do seu Artigo 149, tipifica a "Condição Análoga à de Escravo". Hoje no Brasil impera o latifúndio monocultor de exportação de Soja (e um tantinho menos de cana-de-açucar) mas ninguém chama mais de Plantation. Agora é "agronegócio" o nome do boi.

O caso é que nesta República faceira acontecem coisas...
Acontece que aquele bico de papagaio abandonado por Goyaz que obteve autonomia, um desejo antigo das elites locais, em 1989, o Tocantis, nos elege um representante acusado de se utilizar de trabalho escravo nas suas fazendas no sul do Pará.

É a 6ª economia do mundo. Que escraviza no campo pra mandar Soja pra China (e outras metrópoles) que, por sua vez, escraviza nas cidades e grandes complexos industriais para exportar pra gente de volta um monte de parafernália tecnológica cheia de obsolescências e bens manufaturados diversos. Como se vê, modelo de economia sustentável pro futuro da humanidade. É a 6ª economia do mundo que, como gosta de pontuar sempre o Senador Cristovam Buarque, não quer pagar 1.420 R$ como piso nacional para os professores de suas crianças.

Sem mais, faça-se a música.



"Senhor de Engenho no Senado"
(J. Berquó)

- Somos todos escravos -
É o que diz a impressão
Exaustiva jornada de trabalho
E restrição da locomoção
É o que diz a legislação
Então, há algo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.

Vivemos em Estado Democrático
É o que diz a Constituição
Pra ser eleito, basta ter pasto
Pro curral eleitoral
É o que diz a eleição
Não é possível, está tudo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.
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É uma letra simples com música simples, baseada em 2 ou 3 linhas de cordas, mas que eu não poderia deixar de compartilhar como forma de compartilhar um pouco de minha indignação.

Enquanto isso, está parada no Congresso a PEC 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo, que garante que as terras onde forem encontradas condições análogas à escravidão sejam imediatamente destinadas à Reforma Agrária. Num Congresso cheio de "Ruralistas" e partidos desinteressados por encampar a Reforma Agrária, apenas a pressão de movimentos sociais organizados, apoiada em mídias alternativas, pode garantir algum avanço no sentido de humanizar o campo brasileiro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sempre + Nunca Mais

Sempre + Nunca Mais by JulianoBerquo



Sempre + Nunca Mais

Se eu como, eu cago
Se eu bebo, eu mijo
Se eu beijo, eu cuspo
Se eu corro, eu suo

Se eu amo, eu odeio
Se eu descarto, eu desejo
Se eu quero, eu consigo
Se eu isso, eu aquilo

E é por ser tão simples,
cego e seminal,
É por ser eterno
Anacronismo atemporal
É por ser até logo,
Lógico e letal
É por ser assim
Que eu quero sempre mais
Nunca mais.

Se eu falo, eu escuto
Se eu desço, eu subo
Se eu cresço, eu esqueço
Se eu esqueço, eu esqueço

Se eu nasço, eu morro
Se eu paro, eu corro
Se eu erro, eu corrijo
Se me corto, eu cicatrizo
Se eu inspiro, eu expiro
Se eu isso, eu aquilo
Se eu desisto, inexisto
Se eu existo, eu insisto


Juliano Berquó:

Letra e música (2007);
Guitarras (3), Baixo, Vozes,
Bateria eletrônica (cheia de erros...).


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Desemprego ou Dia do Músico

Dizem que hoje é dia do músico, né...

Respeito os caras que, provavelmente, em 82 ou 83 gravaram isso aqui em Brasília de forma amadora, ainda sem gravadora por trás e tal...

Falo desta que é uma música nunca lançada oficialmente pela Legião Urbana. A conheci por meio do site de contribuição entre fãs, "osoprododragao.com.br" (se não me falha a memória...), na seção de "raridades" da banda. Pela qualidade da gravação, é de alguma demo gravada já em estúdio mas antes do contrato com a EMI.

Reza a lenda que o guitarrista desse período da banda, Kadu Lambach (Eduardo Paraná, no quadrinho do encarte do "Que País é Este?"), dividiu apartamento com a esposa de um primo meu nessa época e a Legião ensaiava lá...

Enfim... Se não fosse por essa música - e digo sem exageros - eu não seria o que eu sou hoje. Foi depois de tê-la descoberto, no começo de 2004, que eu quis (porque quis!!! Afinal, tinha meus 14 anos..) aprender a tocar violão e comecei com a fissura de compor e escrever e tal... lá se vão quase 8 (?) anos...

A letra ainda é mais pertinente pra mim hoje: Parte da "População Economicamente Ativa" não tão ativa assim... Esse fim de curso tá sombrio mas pelo menos ainda tenho música pra ouvir. Também pertinente pela data, afinal, não sou nada além de um músico frustrado com as infrutíferas tentativas de compor uma banda...

Clique no nome da música em azul para ouvi-la.

Desemprego*
(Renato Russo)

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Só esse desespero
Que esqueço quando bebo
E é mais um aumento
Não tenho mais dinheiro
Atraso o aluguel
Mau compro alimento

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Trabalho o tempo inteiro
Estou procurando emprego
Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo

Só esse desespero
Que esqueço quando bebo

Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo...

*Ou "Fábrica 2", como registrada na versão dos Titãs no disco "Renato Russo: Uma Celebração", em 2006.

Essa é foda. Sem mais.

Juliano Berquó.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O que se quer com um mito? Ou os 83 anos de vida de Ernesto "Che" Guevara

E digo vida, pois, morto em 67 na selva boliviana, Che Guevara é uma figura que permanece latente no insconsciente coletivo de todo o povo latino-americano que ousa lutar. Figura esta que, pela lente de Alberto Korda, rodou o mundo no que restava de século XX, sendo considerada pelo Maryland Institute College of Art a fotografia mais famosa de toda a história da humanidade.

No âmbito do concreto, o revolucionário nascido argentino, cidadão do mundo, porém, jogou talvez o mais importante papel na revolução de 59: o de torná-la lenda. Ministro do Trabalho em Cuba, Guevara abandona a ilha para levar consigo a chama da revolução para outros povos. Tentou articular a luta no Congo, onde fracassou e, posteriormente, na Bolívia, onde virou história, pelas mãos dos agentes da CIA.

Da mesma forma que icônico, é protagonista de polêmicas ainda hoje. É chamado de assassino pelos herdeiros das elites sanguessugas que, secularmente privilegiadas, viu ascender nas últimas décadas do século passado inúmeros movimentos de esquerda em toda a América Latina que buscavam, de alguma forma, romper com a histórica desigualdade nos Estados burgueses instituidos de forma excepcionalmente opressora e violenta (em relação aos Estados europeus, digo), a custa de muito sangue escravo indígena e africano. Diz-se da perseguição aos homossexuais em Cuba, acusados de "contra-revolução" e mandados a campos de trabalhos forçados. Quanto a este último ponto, Fidel Castro assumiu a totalidade da culpa em entrevista recente ao La Jornada, aqui.

O que fica da experiência de Cuba e do mito revolucionário é a lição que se tenta aprender nas esquerdas contemporâneas: Revolução não se faz apenas com armas, discursos e economia, mesmo com muita boa vontade. Pelo contrário, só se poderá falar de revolução daqui em diante quando se firmar outro contrato social entre os seres humanos que leve a sociedade a outro nível civilizatório, baseado na cooperação entre os povos e não na sua superexploração para o benefício de poucos. Uma outra mentalidade que ressignifique conceitos como desenvolvimento, sociedade e nação. A nossa pátria há de ser uma só: A humanidade.

Deixo aqui - como certa forma de homenagem pelo 83º aniversário de Che e para lembrarmos que nosso papel no mundo não há de ser apenas o existir não-contestatório, consumidores do modelo de vida imposto - uma canção que eu compus ano passado, onde cito uma passagem de um artigo do próprio Che Guevara, de 1965. A canção se chama "O que se quer" e o artigo é "El socialismo y el hombre en Cuba", que conheci por meio de uma publicação que ganhei de presente da minha avó em 2007, uma revista com vários artigos sobre a revolução, a história de vida de Ernesto e alguns de seus escritos. É um artigo famoso, está em todo o lugar da internet. Coloco aqui uma fonte, digamos, confiável.


"Déjeme decirle, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor. Es imposible pensar en un revolucionario auténtico sin esta cualidad. Quizás sea uno de los grandes dramas del dirigente; éste debe unir a un espíritu apasionado una mente fría y tomar decisiones dolorosas son que se contraiga un músculo."

Ernesto "Che" Guevara
(1928-1967)


O Que Se Quer
(Juliano Berquó)

Sou eu quem acredita na força da palavra
E ao cair em contradição, a minha própria mão,
Navalha que me corta,
Será a juíza da minha conduta torta.
É preciso estar frio e escolher entre a dor
No risco de soar ridículo, eu digo
É preciso estar convicto do amor.

Sou eu quem acredita na força do poema
O dilema da escrita
Sou eu quem acredita
E a palavra se afirma
Com a força da caneta
Sou eu quem a despista
E a rima se apresenta
E se rabisca
Em qualquer letra.

Cante enquanto pode, antes que seja tarde,
Cante e te afaste da escuridão
Escreva enquanto há mão que te oriente
Escreva são e observe.
Verse enquanto houver
Poesia que sustente,
Pois, mesmo sem a flor
Há a semente.

Não vou causar o estrago
Nem serei escravo de mim mesmo
Não vou seguir tais passos
Nem deixarei meus rastros
Pelo meio do caminho
Não vou comprar o plástico
E com os pés descalços
Eu mergulho e o rio é limpo.

Sou eu quem acredita no peso do ar
E, se me der na telha, vou meditar no Tibet
(que é onde estou agora)
E vou embora assim que alçar vôo.

Sou eu? Quem é o poeta,
Senhor destas linhas?
Quem está onde estão as poesias?

No silêncio entre as linhas
E na sombra sob as línguas
E nas nuvens sob o céu... da boca
Entre os troncos retorcidos
Entre as folhas sobre o chão
No não e no gemido,
Estão todas as palavras que eu busco
O refúgio que alcanço
Por meu suor

Sou eu quem acredita na palavra por ser dita
Escondida na entranha da garganta
E não adianta reclamar se a palavra é repetida
Pois, ainda que esta seja, está despida.
Sou eu quem acredita, e ainda tenho fé
Pois, tudo é o que é e haverá de ser
O que se quer.


¡Hasta siempre!
Juliano Berquó.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pra Longe do Sertão

Olá!

Pra fechar o ano, canto uma viagem (ou uma fuga, depende do ponto de vista) e aqui a divido com os presentes. Chama-se "Pra Longe do Sertão", algo que eu escrevera despretensiosamente nos fins de 2005, tendo musicado por volta de 2007 e gravado em setembro de 2010. A ideia era que fosse uma coisa que lembrasse um baião... Queria lembrar o valor da nossa cultura nacional, além de que sempre me fascinou a estrutura melódica e rítmica da música nordestina.

Fica então aqui registrada.

Pra Longe do Sertão by JulianoBerquo

Pra Longe do Sertão

Eu sou pobre
Eu sou rico
de espírito.

Eu sou bandido
Eu fui banido
do paraíso.

Eu quero ir embora
Pra bem longe do sertão
Eu quero fazer isso
Pra curar meu coração.

Na mala eu levo uma certeza:
Por aqui não se vê mais estrela.


Juliano Berquó.

sábado, 13 de novembro de 2010

Por ventura, a técnica

Olá!

Hoje venho falar um pouco da minha área de atuação. Pra quem não sabe, quem cursa geografia, pode ser professor (que é o meu objetivo) mas também tem algumas outras possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Uma delas é a cartografia. Eu sempre gostei de mapas, desde moleque. Cheguei a desenhar alguns mapas temáticos quando garoto, nada que eu imaginasse fazer profissionalmente um dia. Hoje em dia, o faço, apesar de o fazer com certo desgosto que não me cabe aqui discorrer.

Enfim... um dos mapas que eu sempre quis ver era o da divisão político-administrativa do Distrito Federal. Outra vez, pra quem não sabe, no DF só há UM município: Brasília. Mas é subdivido em, atualmente, 30 regiões administrativas (RA's), que podem ser chamadas de cidades-satélites. Apesar deste nome ter sido abandonado pela administração quando o Cristovam era governador, justificando-se ele ser fruto e gerador de preconceitos, em termos de análise acadêmica da dinâmica espacial de Brasília, ao meu ver, faz muito sentido.

Ao longo de meu curso de geografia, encontrei em alguns documentos oficiais esboços desta carta que eu procurava mas sempre incompletos de informações e incoerentes.

Falta (ainda não encontrei) um mapa oficial do governo que defina claramente os limites de cada RA. De fato, há ainda conflitos entre as administrações regionais acerca dos seus limites, como no caso Taguatinga x Águas Claras, em que nenhuma das duas administrações quer ficar com o bairro de baixa renda, Areal.

Nas últimas férias, no mês de setembro (devido à última greve), tomei a iniciativa de produzir este tal mapa, utilizando-me dos dois mapas-esboço aos quais já tinha conhecimento e das informações dos sites das administrações regionais. Comecei por vetorizar cada RA por meio do Google Earth (ferramenta "caminho" que, para este fim, constroi polígonos). E esta é a parte longa e chata do trabalho... mas chega a hora que a gente termina de vetorizar Planaltina e tudo fica mais legal!

Findas as vetorizações de todas as RA's, os exporto como KML (ou mesmo KMZ) para o ArcGIS 9.3 que, apesar de ter infinitas outras funções (as quais eu mesmo ainda desconheço muitas), eu utilizei apenas para extrair uma carta em branco com os vetores, já em PNG.

Abro este arquivo de imagem PNG no paint, brinco de colorir, coloco as legendas, vejo se tá tudo certo e...

Voilà!
Só pra reafirmar: Este não é um mapa oficial. Como disse, foi baseado nas informações não muito confiáveis de dados do Governo Distrital (!) e, possivelmente, um futuro hipotético mapa oficial pode vir a divergir deste em algo.

O fiz por esporte, por puro prazer, pra satisfazer uma vontade minha. Outra coisa: Sou bacharelando, não bacharel, como afirmo no mapa. Mas já to me garantindo, afinal, me formo ano que vem.

Quem tiver interesse em reproduzir este mapa pela internet, o faça! Se der, lembre de dizer quem gastou tempo pra caralho pra fazê-lo, ok?!

Um abraço,
Juliano Berquó.