Do FINCA, o que mais ficou marcado e que me incomodaria por um bom tempo foi o não prosseguimento daquela banda. Eu sou um ateu meio desbocado, morava na asa sul; o Vitor morava na asa norte e nunca me deu bola (inclusive, uma vez, no nosso primeiro semestre, fiquei muito puto com ele porque ele só sabia zoar o meu sotaque! Não sabia dialogar comigo, mas sabia zoar meu sotaque goiano, nada mais brasiliense que isso); o Klebiston é um puta guitarrista, mas tem seu comprometimento com sua Igreja e mora no Gama... Tinha tudo pra dar errado. E deu. Mas poderia ter dado certo...
O Verso Lá no Verso
É o avesso
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
(Alg)uma (nada) breve história sobre Juliano Berko
Do FINCA, o que mais ficou marcado e que me incomodaria por um bom tempo foi o não prosseguimento daquela banda. Eu sou um ateu meio desbocado, morava na asa sul; o Vitor morava na asa norte e nunca me deu bola (inclusive, uma vez, no nosso primeiro semestre, fiquei muito puto com ele porque ele só sabia zoar o meu sotaque! Não sabia dialogar comigo, mas sabia zoar meu sotaque goiano, nada mais brasiliense que isso); o Klebiston é um puta guitarrista, mas tem seu comprometimento com sua Igreja e mora no Gama... Tinha tudo pra dar errado. E deu. Mas poderia ter dado certo...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Futuro, Adeus!
C.D.A.
"Privilégio do Mar",
Sentimento do Mundo, 1940.
Juliano,
03/12/2012.
Da Crise da Música à Música da Crise.
"Concreto Armado" é o nome-fantasia para todas as letras, todas as músicas, vozes,
teclados, guitarras, baixo, violão, bateria, edições e efeitos de áudio:
Juliano Berquó.
Fotos do Encarte: Sérgio Berquó, 2010/2011.
Gravado entre julho e setembro de 2012.
- Inserção de áudio em "A Paz é difícil":
"The fact is peace is hard", Barack Obama em discurso na Assembléia Geral da ONU, 2011.
- "Cidades de Patrão": Expressão utilizada por alguns jovens das periferias de Brasília
para se referirem aos bairros (que no Distrito Federal são também chamados de cidades)
das classes médias e altas. É como a segregação socioespacial salta aos seus olhos.
Todas as baterias e teclados deste trabalho foram realizados por meio do Piano Eletrônico 2.5, software livre.
É encorajada a reprodução deste trabalho para quaisquer fins desde que de caráter não-lucrativo.
Tel. Cel.: (61) 8515-6753
Email 1: julianoberko@gmail.com
Email 2: julianoberquo@live.com
Aceito convites para fazer festas de criança, bodas de prata da tia-avó, e outras do gênero. Garanto meu show com meus instrumentos, bases pré-gravadas e meu equipamento. Além das minhas músicas, é claro.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Brasil, Nunca Mais
(Em tempo, devo dizer que o STF que julga o mensalão pra "proteger a república" e a constituição, guardando óbvia coerência, não o fez assim quando julgou improcedente a ação da OAB contra a a Lei da Anistia de 1979. 1979!)
Até algum tempo atrás eu pouco (quase nada) sabia sobre este cidadão, Honestino. Pesquisando, descobri que ele era de Itaberaí, Goiás (partindo de Goiânia, última cidade antes de chegar em "Goiás", a cidade origem da minha família, pela qual eu sempre passava...), que sua família era de advogados e que, talvez, até o seu pai tenha conhecido meu bisavô, Urbano, também advogado (isso minha mãe supôs, dentre as suas memórias, pelo sobrenome da família Monteiro).
Quando me dei conta do quão próximo um líder estudantil assassinado pela ditadura estava de mim, do quanto de nossas vidas pode ter sido em algo similar, seja pela Serra Dourada ou pela Universidade de Brasília, compreendi e fiz parte de toda esta luta pelo resgate de nossa memória coletiva. Da memória dos que luta(ra)m e sonha(ra)m.
Neste instante, surgiu-me como epifânia a ideia de compor uma canção de homenagem, de protesto, que seja, sobre esta história... Lembrei-me daquele livrinho clássico, "Brasil, Nunca Mais" e da sua significância neste contexto. Percebi que poderia usar o jogo de palavras com o nome do "álbum" que eu estava compondo, "Futuro, Adeus!". Ora, quem diz adeus ao futuro só pode ser, justamente, aquele que ficou no passado. Assim, esta canção, quase como uma psicografia, põe na primeira pessoa a voz daqueles tantos que tombaram pelo sonho da democracia, da justiça e da igualdade...
Deles, florescemos nós que, presentemente, lutamos cotidianamente pelo alargamento dos espaços de felicidade nesta vida...
E podemos lutar com algum conforto à custa da tortura e execução de muitos no passado.
E lutamos sob alguma hipocrisia, sobre os ombros largos de tantos escravizados, desterrados e massacrados povos do presente, no Brasil e no mundo.
De todo modo, lutamos como podemos. Mantemos acesa a chama do sonho.
"E se não achar meu caminho
basta-me crer procurá-lo de coração."
Honestino Monteiro Guimarães
(1947-1973?)
"Brasil, Nunca Mais"
(Letra e Música: Juliano Berquó)
Avise minha mãe,
Avise minha filha e toda minha família
Diga que eu não perdi a fé
E que apesar das circunstâncias
Eu morri de pé.
Avise a minha querida
Que a minha vida não foi em vão
Que valeu a pena
Avise minha pequena.
Avise aos jovens nas salas de aula
Que não tivemos escolha
Que não nos deixaram nada
Que pensar nos condenava
Por fim, eu peço
Que avisem aos nossos inimigos
Que nós continuamos vivos
Mais que nunca nas lutas
O meu pelos seus
Futuro, adeus...
Mas não se esqueçam de nós
Céu vermelho-anil
Brasil, nunca mais...
E vivam em paz.
In Memoriam: Maria Rosa Monteiro.
Mitomania
Até eles estão contra mim!
Publico hoje esta canção cuja letra está ulteriormente exposta. Muita coisa aconteceu desde minha última postagem...
Durante a última greve dos professores da UnB eu terminei o projeto da minha banda de um homem só, Concreto Armado (lá se vão oito anos...), "Futuro, Adeus!" ("Brasil, Nunca Mais" e "Senhor de Engenho no Senado" fazem parte deste trabalho).
Em setembro, com a retomada dos trabalhos na UnB, estive recluso para a finalização da minha monografia. Formado, logo retomei os trabalhos com as minhas composições, finalizando outro projeto no qual estava trabalhando há quase um ano, "Indizível".
Mas eu não vou ficar falando disso muito não. Com o tempo, pretendo promover e publicar para download todas estas músicas por aqui.
Por enquanto, fica aí e curte o som dessa que faz parte do "Indizível" que é o melhor que eu posso fazer.
"Mitomania"
Desde quando nasci nunca vi a luz do sol
Flanei por instinto depois de cair no chão
Assim, quando nasci não fui parido de cordão
Me alimentara no tubo de tudo do canal
Nunca tive fome de não saber quê comer
Aprendi a ter vontade de ter quando vi TV
Nas tantas vezes em que morri desde quando nasci
Depois de crescer, eu aprendi a mentir
Aonde levam estas dores que afloram do afeto?
Onde reside minha razão, mãe do meu direito?
Que posso fazer para corrigir o meu defeito?
Agora que o gene do mal já está desperto?
O que vi ao longe e que parecia miragem
De repente, veio a mim ou fui a ele, que é verdade?
Cortara minha garganta enquanto a guerra inflamava
A música havia, mas eu não pegara em armas
Então, fugi do campo de batalha
Quando o sol estava baixo, saí sem dizer nada
Expunha minhas entranhas que, alimentadas de anseio,
Perdido o esteio, abandonava-as no convés
Quando quis o que quis, soube o que era a morte
Que cortava o couro e desfiava véu profundo
Onde estava o norte, velho e forte, nunca soube
De tudo que é escrita, só quero o que me cabe
O resto não resumo, sem posse nem repouso
Por dentro, ouso o sentido de pertencimento
Da bolsa que obriga saber como lhe partir
Depois de crescer, aprendi a resistir
Que faço com este canto que tanto pesa no peito?
Com estes versos afoitos que brotam quando escrevo?
Que faço com esta chama que tanto me queima?
Será que o fogo que consome ainda me anima?
Meu melhor ataque foi minha defesa
Quando o sol estava alto, quis sombra e água fresca
A porta que se abria de passagem foi à tinta
De todo minério, quem nunca viu metais?
Cantais todo mantra que se eleva com o fogo
De onde tudo emana, o céu mais que azul
Fui cantar meu sotaque, qualquer coisa ainda tento
Pro tempo que fulmina, tenho papel e caneta
A vertigem sonora que dobrava minha unha
Era tudo que eu queria quando o sol se punha
Essa febre constante que não me mata a sede
Que não me mata o sonho, não sei por que componho
Desta rosa que tanto pesa, feito pluma de chumbo
Não me reste platitude metamórfica de flor
Fui rasgar meus contratos, qualquer canto mais distenso
Talvez ainda pense no tempo mais que perfeito
Só quem sabe como é triste cantar sozinho
Sabe o quão profundo que lhe atinge o espinho
Só quem sabe ver o louco e ouvir seu uivo
Pode saber o que nele ainda há de vivo
Na madrugada fria, quando estiveres na cama
Lembre dele na praça com uns trapos de coberta
Se no manuseio do que corta, um descuido
Encontre teu reflexo na sua ferida aberta
Ficha:
Bateria e teclados - Piano Eletrônico 4.3
Gravado com Audacity.
Voz: Juliano Berquó, com alguma desafinação residual.
Que minha presença no mundo incomode tanta gente quanto for possível;
Que minhas opiniões sejam sempre incompreendidas e combatidas por todos;
Que eu perca tudo em absoluto, menos esse meu bom humor invejável..!
Antes que eu morra.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Senhor de Engenho no Senado
Os tempos mudaram e a escravidão foi posta na ilegalidade pela Princesa (vejam bem, PRINCESA... capaz que se fosse Presidenta, o escravocrata seria da base ali
ada... ih!!!) Isabel. O Código Penal Brasileiro de 1940, na redação atualizada em 2003 do seu Artigo 149, tipifica a "Condição Análoga à de Escravo". Hoje no Brasil impera o latifúndio monocultor de exportação de Soja (e um tantinho menos de cana-de-açucar) mas ninguém chama mais de Plantation. Agora é "agronegócio" o nome do boi.O caso é que nesta República faceira acontecem coisas...
É a 6ª economia do mundo. Que escraviza no campo pra mandar Soja pra China (e outras metrópoles) que, por sua vez, escraviza nas cidades e grandes complexos industriais para exportar pra gente de volta um monte de parafernália tecnológica cheia de obsolescências e bens manufaturados diversos. Como se vê, modelo de economia sustentável pro futuro da humanidade. É a 6ª economia do mundo que, como gosta de pontuar sempre o Senador Cristovam Buarque, não quer pagar 1.420 R$ como piso nacional para os professores de suas crianças.
"Senhor de Engenho no Senado"
(J. Berquó)
- Somos todos escravos -
É o que diz a impressão
Exaustiva jornada de trabalho
E restrição da locomoção
É o que diz a legislação
Então, há algo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.
Vivemos em Estado Democrático
É o que diz a Constituição
Pra ser eleito, basta ter pasto
Pro curral eleitoral
É o que diz a eleição
Não é possível, está tudo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.
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Enquanto isso, está parada no Congresso a PEC 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo, que garante que as terras onde forem encontradas condições análogas à escravidão sejam imediatamente destinadas à Reforma Agrária. Num Congresso cheio de "Ruralistas" e partidos desinteressados por encampar a Reforma Agrária, apenas a pressão de movimentos sociais organizados, apoiada em mídias alternativas, pode garantir algum avanço no sentido de humanizar o campo brasileiro.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Sempre + Nunca Mais
Sempre + Nunca Mais
Se eu como, eu cago
Se eu bebo, eu mijo
Se eu beijo, eu cuspo
Se eu corro, eu suo
Se eu amo, eu odeio
Se eu descarto, eu desejo
Se eu quero, eu consigo
Se eu isso, eu aquilo
E é por ser tão simples,
cego e seminal,
É por ser eterno
Anacronismo atemporal
É por ser até logo,
Lógico e letal
É por ser assim
Que eu quero sempre mais
Nunca mais.
Se eu falo, eu escuto
Se eu desço, eu subo
Se eu cresço, eu esqueço
Se eu esqueço, eu esqueço
Se eu nasço, eu morro
Se eu paro, eu corro
Se eu erro, eu corrijo
Se me corto, eu cicatrizo
Se eu inspiro, eu expiro
Se eu isso, eu aquilo
Se eu desisto, inexisto
Se eu existo, eu insisto
Letra e música (2007);
Guitarras (3), Baixo, Vozes,
Bateria eletrônica (cheia de erros...).
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Desemprego ou Dia do Músico
Respeito os caras que, provavelmente, em 82 ou 83 gravaram isso aqui em Brasília de forma amadora, ainda sem gravadora por trás e tal...
Falo desta que é uma música nunca lançada oficialmente pela Legião Urbana. A conheci por meio do site de contribuição entre fãs, "osoprododragao.com.br" (se não me falha a memória...), na seção de "raridades" da banda. Pela qualidade da gravação, é de alguma demo gravada já em estúdio mas antes do contrato com a EMI.
Reza a lenda que o guitarrista desse período da banda, Kadu Lambach (Eduardo Paraná, no quadrinho do encarte do "Que País é Este?"), dividiu apartamento com a esposa de um primo meu nessa época e a Legião ensaiava lá...
Enfim... Se não fosse por essa música - e digo sem exageros - eu não seria o que eu sou hoje. Foi depois de tê-la descoberto, no começo de 2004, que eu quis (porque quis!!! Afinal, tinha meus 14 anos..) aprender a tocar violão e comecei com a fissura de compor e escrever e tal... lá se vão quase 8 (?) anos...
A letra ainda é mais pertinente pra mim hoje: Parte da "População Economicamente Ativa" não tão ativa assim... Esse fim de curso tá sombrio mas pelo menos ainda tenho música pra ouvir. Também pertinente pela data, afinal, não sou nada além de um músico frustrado com as infrutíferas tentativas de compor uma banda...
Clique no nome da música em azul para ouvi-la.
Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Só esse desespero
Que esqueço quando bebo
E é mais um aumento
Não tenho mais dinheiro
Atraso o aluguel
Mau compro alimento
Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Trabalho o tempo inteiro
Estou procurando emprego
Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio
Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Só esse desespero
Que esqueço quando bebo
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio
Não sei se tenho medo...
Juliano Berquó.
terça-feira, 14 de junho de 2011
O que se quer com um mito? Ou os 83 anos de vida de Ernesto "Che" Guevara
No âmbito do concreto, o revolucionário nascido argentino, cidadão do mundo, porém, jogou talvez o mais importante papel na revolução de 59: o de torná-la lenda. Ministro do Trabalho em Cuba, Guevara abandona a ilha para levar consigo a chama da revolução para outros povos. Tentou articular a luta no Congo, onde fracassou e, posteriormente, na Bolívia, onde virou história, pelas mãos dos agentes da CIA.
Da mesma forma que icônico, é protagonista de polêmicas ainda hoje. É chamado de assassino pelos herdeiros das elites sanguessugas que, secularmente privilegiadas, viu ascender nas últimas décadas do século passado inúmeros movimentos de esquerda em toda a América Latina que buscavam, de alguma forma, romper com a histórica desigualdade nos Estados burgueses instituidos de forma excepcionalmente opressora e violenta (em relação aos Estados europeus, digo), a custa de muito sangue escravo indígena e africano. Diz-se da perseguição aos homossexuais em Cuba, acusados de "contra-revolução" e mandados a campos de trabalhos forçados. Quanto a este último ponto, Fidel Castro assumiu a totalidade da culpa em entrevista recente ao La Jornada, aqui.
O que fica da experiência de Cuba e do mito revolucionário é a lição que se tenta aprender nas esquerdas contemporâneas: Revolução não se faz apenas com armas, discursos e economia, mesmo com muita boa vontade. Pelo contrário, só se poderá falar de revolução daqui em diante quando se firmar outro contrato social entre os seres humanos que leve a sociedade a outro nível civilizatório, baseado na cooperação entre os povos e não na sua superexploração para o benefício de poucos. Uma outra mentalidade que ressignifique conceitos como desenvolvimento, sociedade e nação. A nossa pátria há de ser uma só: A humanidade.
Deixo aqui - como certa forma de homenagem pelo 83º aniversário de Che e para lembrarmos que nosso papel no mundo não há de ser apenas o existir não-contestatório, consumidores do modelo de vida imposto - uma canção que eu compus ano passado, onde cito uma passagem de um artigo do próprio Che Guevara, de 1965. A canção se chama "O que se quer" e o artigo é "El socialismo y el hombre en Cuba", que conheci por meio de uma publicação que ganhei de presente da minha avó em 2007, uma revista com vários artigos sobre a revolução, a história de vida de Ernesto e alguns de seus escritos. É um artigo famoso, está em todo o lugar da internet. Coloco aqui uma fonte, digamos, confiável.
Ernesto "Che" Guevara
(1928-1967)
(Juliano Berquó)
Sou eu quem acredita na força da palavra
E ao cair em contradição, a minha própria mão,
Navalha que me corta,
Será a juíza da minha conduta torta.
É preciso estar frio e escolher entre a dor
No risco de soar ridículo, eu digo
É preciso estar convicto do amor.
O dilema da escrita
Sou eu quem acredita
E a palavra se afirma
Com a força da caneta
Sou eu quem a despista
E a rima se apresenta
E se rabisca
Em qualquer letra.
Cante enquanto pode, antes que seja tarde,
Cante e te afaste da escuridão
Escreva enquanto há mão que te oriente
Escreva são e observe.
Verse enquanto houver
Poesia que sustente,
Pois, mesmo sem a flor
Há a semente.
Não vou causar o estrago
Nem serei escravo de mim mesmo
Não vou seguir tais passos
Nem deixarei meus rastros
Pelo meio do caminho
Não vou comprar o plástico
E com os pés descalços
Eu mergulho e o rio é limpo.
Sou eu quem acredita no peso do ar
E, se me der na telha, vou meditar no Tibet
(que é onde estou agora)
E vou embora assim que alçar vôo.
Sou eu? Quem é o poeta,
Senhor destas linhas?
Quem está onde estão as poesias?
No silêncio entre as linhas
E na sombra sob as línguas
E nas nuvens sob o céu... da boca
Entre os troncos retorcidos
Entre as folhas sobre o chão
No não e no gemido,
Estão todas as palavras que eu busco
O refúgio que alcanço
Por meu suor
Sou eu quem acredita na palavra por ser dita
Escondida na entranha da garganta
E não adianta reclamar se a palavra é repetida
Pois, ainda que esta seja, está despida.
Sou eu quem acredita, e ainda tenho fé
Pois, tudo é o que é e haverá de ser
O que se quer.
Juliano Berquó.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Pra Longe do Sertão
Pra fechar o ano, canto uma viagem (ou uma fuga, depende do ponto de vista) e aqui a divido com os presentes. Chama-se "Pra Longe do Sertão", algo que eu escrevera despretensiosamente nos fins de 2005, tendo musicado por volta de 2007 e gravado em setembro de 2010. A ideia era que fosse uma coisa que lembrasse um baião... Queria lembrar o valor da nossa cultura nacional, além de que sempre me fascinou a estrutura melódica e rítmica da música nordestina.
Fica então aqui registrada.
Pra Longe do Sertão by JulianoBerquo
Pra Longe do Sertão
Eu sou pobre
Eu sou rico
de espírito.
Eu sou bandido
Eu fui banido
do paraíso.
Eu quero ir embora
Pra bem longe do sertão
Eu quero fazer isso
Pra curar meu coração.
Na mala eu levo uma certeza:
Por aqui não se vê mais estrela.
Juliano Berquó.
sábado, 13 de novembro de 2010
Por ventura, a técnica
Hoje venho falar um pouco da minha área de atuação. Pra quem não sabe, quem cursa geografia, pode ser professor (que é o meu objetivo) mas também tem algumas outras possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Uma delas é a cartografia. Eu sempre gostei de mapas, desde moleque. Cheguei a desenhar alguns mapas temáticos quando garoto, nada que eu imaginasse fazer profissionalmente um dia. Hoje em dia, o faço, apesar de o fazer com certo desgosto que não me cabe aqui discorrer.
Enfim... um dos mapas que eu sempre quis ver era o da divisão político-administrativa do Distrito Federal. Outra vez, pra quem não sabe, no DF só há UM município: Brasília. Mas é subdivido em, atualmente, 30 regiões administrativas (RA's), que podem ser chamadas de cidades-satélites. Apesar deste nome ter sido abandonado pela administração quando o Cristovam era governador, justificando-se ele ser fruto e gerador de preconceitos, em termos de análise acadêmica da dinâmica espacial de Brasília, ao meu ver, faz muito sentido.
Ao longo de meu curso de geografia, encontrei em alguns documentos oficiais esboços desta carta que eu procurava mas sempre incompletos de informações e incoerentes.
Falta (ainda não encontrei) um mapa oficial do governo que defina claramente os limites de cada RA. De fato, há ainda conflitos entre as administrações regionais acerca dos seus limites, como no caso Taguatinga x Águas Claras, em que nenhuma das duas administrações quer ficar com o bairro de baixa renda, Areal.
Nas últimas férias, no mês de setembro (devido à última greve), tomei a iniciativa de produzir este tal mapa, utilizando-me dos dois mapas-esboço aos quais já tinha conhecimento e das informações dos sites das administrações regionais. Comecei por vetorizar cada RA por m
Findas as vetorizações de todas as RA's, os exporto como KML (ou mesmo KMZ) para o ArcGIS 9.3 que, apesar de ter infinitas outras funções (as quais eu mesmo ainda desconheço muitas), eu utilizei apenas para extrair uma carta em branco com os vetores, já em PNG.
Abro este arquivo de imagem PNG no paint, brinco de colorir, coloco as legendas, vejo se tá tudo certo e...
Voilà!
Só pra reafirmar: Este não é um mapa oficial. Como disse, foi baseado nas informações não muito confiáveis de dados do Governo Distrital (!) e, possivelmente, um futuro hipotético mapa oficial pode vir a divergir deste em algo.
O fiz por esporte, por puro prazer, pra satisfazer uma vontade minha. Outra coisa: Sou bacharelando, não bacharel, como afirmo no mapa. Mas já to me garantindo, afinal, me formo ano que vem.
Quem tiver interesse em reproduzir este mapa pela internet, o faça! Se der, lembre de dizer quem gastou tempo pra caralho pra fazê-lo, ok?!
Um abraço,
Juliano Berquó.