quarta-feira, 1 de julho de 2015

Etimologia

Juliano Berko:

1. Juliano: Do latim "Iulianus" - O último imperador romano a tentar restaurar os cultos pré-cristãos. Referente à Julio [O Cesar]

1.1. Julio: Do latim "Iulius" - Referente à Jove [Júpiter, o deus Romano]

1.1.1. Jove: Do latim "Iovis", derivado do Proto-Indo-Europeu "dyew" ["dia", "céu", "céu (mitologico)", "deus"]. 

2. Berko: A minha variação de "Berquó", aportuguesamento do francês "Berque" [variações: Berquer, Berqué, Berquet, Berquez, Berquier, Berquiez]

2.1. Berque: Variação de "Berger" - em francês, "Pastor"; nas línguas germânicas, "Aquele que vive na montanha", "altura". 

Aquele que vivia nas montanhas e de lá desce para pastorear o seu rebanho rumo aos céus e à deus...
O imperador romântico, que luta contra a praga do cristianismo...

Já me bastariam a presunção e o orgulho que carrego de nascença! 

Que eu impere por sobre as mais vastas terras e mais variados povos dentro de mim mesmo; abolindo aí também todo o engano milenar, que fere de morte toda a força da vontade, a que se convencionou chamar de cristianismo! 
Que eu pastoreasse a mim mesmo para fora de qualquer pasto - isso foi quase tudo o que eu fizera em minha vida até aqui, era o que eu deveria fazer! -; para de volta à minha montanha - o que faço agora -; para mais perto do meu céu e ser o homem e daemon e o deus que eu sou! - o que farei, deveras, pela vida inteira.

Vogelfrei

É preciso compreender a relação entre o tipo de terreno e o instrumento de voo: 
Existe o terreno mais inóspito; há também o céu de brigadeiro; os lamaçais e lodaçais e demais locais pantanosos; existem os que caem de paraquedas - não voam, saltam ao sabor do vento... Que aprendam a voar com quem daquele o faz pista de pouso! Que o salto o force a abrir suas asas!

Há areia movediça - mórbida fortuna: quem dela escapa não o faz sem o apoio de algo exterior a si próprio.

Há, todavia, aqueles que fazem sempre o mesmo voo baixo, de eterno reconhecimento, repousando sempre no mesmo campo, ao abrigo dos perigos do devir: posta-se perto demais destas pessoas e tão logo desaprender-se-á a voar. 

Não sou de me indispor com qualquer pessoa, por qualquer motivo: meus inimigos devem estar à minha altura. Daqui de onde estou o ar é leve e puro: quem o sentir, que ouça minhas palavras, igualmente leves e puras; meus timbres suaves e penetrantes. 

Ali embaixo o ar é pesado, cheio de chumbo e outros afetos tristes. Eu mesmo tive de desanuviar meu espírito para um voo calmo; descontaminar minhas asas até então repletas de partículas plúmbeas, com as quais voara até aqui: muito desejo, nenhuma vontade. Basta! Já era hora! Tive minhas turbulências, aprendi com as tempestades.

Só posso odiar o que eu amo profundamente. Só posso desprezar aquilo de que tenho profundo asco. E ser absolutamente indiferente àquilo que ainda não me fez mostrar os dentes - para que eu possa voar mais alto - trazer à luz o que está oculto; trazer à tona o oceano mais profundo.

Na proximidade do meu natalício, lanço o meu canto ao céu claro, sob uma lua cheia:

Obrigado pela vida e pela distância;
Obrigado pela minha filha e pela distância;
Obrigado pela ferida e pela distância;
Obrigado pela paixão e pela solidão; 
Grato, pois, sei: caindo, não passo do chão! 

Vogelfrei fliegt zum Licht
Fliegt mit Lese Nietzsche

terça-feira, 30 de junho de 2015

Falando de Escravos

O melhor estímulo a favor das pessoas de má-vontade é acenar para elas de longe, a sua frente, dizendo: "vem, se conseguir!". A pior forma de exercer estímulo sobre essas mesmas pessoas é se colocando atrás delas, como o algoz com o chicote contra suas costas, dizendo: "vá que estou mandando!". Tal atitude rebaixa quem chicoteia ao nível inferior daquele que é chicoteado.

domingo, 28 de junho de 2015

"The Gay Science"

Ainda sobre a questão do reconhecimento civil de uniões homossexuais: acho uma graça que a palavra para designá-los no Brasil e no mundo seja 'gay' [do inglês derivada do latim tardio "gaio" que pode ser vertido em gaiato/a, significando na linguagem corrente "alegria", "jovialidade"]. De minha parte, invejaria um grupo que fora marcado por causa de tal símbolo..! 

Lembro da "Gaia Ciência" de Nietzsche - em inglês, "The Gay Science"; alemão, "fröhliche Wissenschaft"; que vem da expressão provençal (dialeto do sul da França) "gai saber": a saber, o conhecimento necessário para a arte da poesia, um "conhecimento alegre" da vida, como define o próprio Nietzsche no prólogo do livro.

Em todo o caso, posso apenas lamentar que essa porção da humanidade tenha perdido o privilégio de viver à margem da normatividade social - que se traduz em padronização e controle dos afetos, morte dos desejos, quase sempre e no fim das contas.

Nós, aqueles que já vivemos o pesadelo do modelo padrão de vida, sabemos muito bem que o melhor a fazer por nossas vidas, em honra de nossa felicidade, é saltar para fora dele! Com um golpe afiado na bolsa que nos contém! Com um rasgo de ponta a ponta no véu do pensamento único, da moral, para além do bem e do mal! Que cada qual faça o seu caminho, a sua lei, a sua "tábua de valores"! De minha parte, não espero nem desejo nem a louvação nem a censura por parte de ninguém quanto aos meus parâmetros de vida. Muito menos de um monstro frio e mentiroso que é o Estado.

Reiterando: boa sorte! Vamos precisar!

sábado, 27 de junho de 2015

Nem Toda Causa de Asco é Inseto

1. Algumas pessoas não caberiam na roupa dos cristãos, todavia, se utilizam de sua máscara: se aproveitam da fantasia para evitar qualquer desgaste, sublimando sua própria natureza, por puro ardil, embebidos em má-consciência. Ante estes covardes, conscienciosas palavras e distância segura!

2. Há uma espécie de doutrina de morte, lamuriosa e lamentável, que nada faz senão em consulta aos seus pares sacerdotais, afeita às falácias e discursos subjetivos e dogmáticos, sempre puxando para cada vez mais baixo qualquer força vital: o feminismo ~pára que tá feio~. É evidente: a impressão que a violência de gênero deixou nessas pessoas é de profundo relevo; uma cicatriz dilacerante que produziu uma resposta igualmente extrema do organismo: abdicam até mesmo da razão para defenderem-se a si mesmas, produzindo um machismo de pólo invertido. Arrisco dizer: muitas destas pessoas possuíram formação nas doutrinas cristãs [o que ajuda a compreender o porquê de serem tão asquerosas...], apesar de terem-na renegado: ainda vivem à sombra de um deus morto.

Símbolos

Onde houver intensa mídia, propaganda em massa - serão eriçados os pelos da minha desconfiança. Farejo o mau-cheiro, a podridão de quem manipula os fios.

Com isso, digo: não é fácil despregar-se do espírito do rebanho.
Pelo contrário: pareço, aos olhos dos outros, um monstro, o estranho.
Mas não digo "odeio ser o estraga prazeres"
Se, a bem da verdade, muito me divirto, zombeteiro, em rir dos rumos desse pisoteamento!

Pois bem: não quero - e querer é tudo o que eu posso - ver outro amigo gay levar-se ao suicídio pelo odioso envenenamento de toda uma sociedade. É lamentável que nos ocupemos, enquanto humanidade, de estabelecer um patamar civilizatório mínimo. É lamentável e sintomático do espírito de nossa era: a modernidade é um engano, estamos alimentando monstros gigantescos... Não apenas neste aspecto - quase todas as mobilizações contemporâneas são tentativas de garantir ao menos os dedos, já que a ganância dos nossos arranjos econômicos já nos levaram os anéis há tempos.

Mas daí a regozijar-se com uma decisão de uma suprema corte de uma potência imperial estrangeira e fazer disso uma duvidosa campanha de mídia social... não me prestaria a esse papel!
Depõe contra a humanidade que as parcas conquistas - se é que podem ser assim chamadas - civilizatórias dependam de tribunais constitucionais. Ainda mais sintomática a reverberação desse refinamento da sociedade norte-americana por aqui, da forma como foi feita hoje [afetos sequestrados e tutelados pelo facebook! O horror!] - sendo que o nosso STF e o CNJ já haviam nos garantido patamares jurídicos semelhantes antes.

Uns argumentam, os mais honestos, considerando o simbolismo: ora! De simbolismos nos fartamos com o presidente operário; com a presidenta; e, o maior de todos, com o tempo, que nunca volta atrás! Símbolos, desde há milênios, apenas são instrumentos de mobilização dos afetos mais fracos, mais suscetíveis. De símbolos, pululam os cadáveres nos pântanos do Tártaro...
Não vou falar de sexualidade: aí não há o que se discutir, senão o que se experimentar e se apropriar, sendo o caso. Todavia, desejo sorte aos homossexuais nessa aventura de adentrar aos padrões produtivos e de consumo da família moderna. Dela - a sorte, e nunca esse modelo de normatividade social - todos nós, seja qual a cor que nos pintemos, vamos precisar!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Uma Questão de Clima

Em um clima muito úmido, fungos e ervas diversas crescem com ferocidade, sendo um dispêndio de energia muito grande combatê-los, apesar do inconveniente que representam em nossa vida muitas vezes. Pois bem: do mesmo modo, é preciso mudar o clima dentro de nós para evitar que voltem a crescer incessantemente ervas e fungos que nos sejam inconvenientes.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Paráfrase

Pedalar tornou-se leve, muito leve, quando exigiu de mim a marcha mais pesada.

domingo, 14 de junho de 2015

Fábula

Hoje tive uma epifania observando os patinhos e gansos na lagoa do Parque da Cidade: Eles são apenas elementos amenizadores da paisagem urbana lembrando algo da natureza; não possuem função produtiva; nem sequer nos servem de alimento - necessário retomar aquele aforismo do "Humano, Demasiado Humano": gostamos de estar na natureza porque ela não nos julga... 

Como úteis, apesar de dispensáveis, tratamos de nos divertir e divertir as nossas crianças com eles, lançando-lhes nossas pipocas, pães, quaisquer coisas que eles possam agarrar sedentos. Rimo-nos com a falta de traquejo na sua luta por uma migalha! Eles se bicam, se enfrentam, batem asas entre si; os mais valentes dentre eles nos vêm grasnando de peito aberto,  se sentindo fortes e com direitos sobre os nossos lanches, enfim... 

Não pude evitar de ver neles praticamente todo o nosso espectro político de esquerda - vagueando como dispensáveis utilidades, brigando entre si - cada categoria corporativista roubando a migalha que escorreria do banquete das elites para a outra; cada "seita" pregando para os seus e condenando-se entre si - e inflando o peito, simulando uma liderança de todas as subclasses, esbravejando sua pequenez e impotência em um ou outro microfone no congresso nacional;  em grupelhos estudantis que se arvoram defensores de ideais - com isso quero deixar bem claro: ingênuos falseadores da realidade, no mínimo; gigantescos hipócritas, no máximo. 

Lembrei-me de toda a esquerda cristã; de todos os insuportavelmente ególatras militantes de facebook - ainda que cumpram funções na organização de algo de verdade, só o fazem pela possibilidade de fazerem propaganda de si mesmos, asquerosos!; de todas as pessoas que conheci no PSOL [com justiça, excluindo o camarada Flávio Pompeu, que tem estatura teórica para refletir sobre si mesmo e suas proposições políticas] - espantalhos da institucionalidade burguesa, coagem todos os corvos que anseiam por moer os grãos semeados pela ordem hegemônica, canalhas eleitoreiros!; todos os pobres coitados que se agarram ao anarquismo por, talvez, medo da solidão, instinto de rebanho - não o sabem, mas vivem às sombras de um deus morto! - estes ainda podem salvarem-se a si mesmos se superarem o receio de serem a minoria dentre a minoria: a "minoria" sou eu mesmo; sem falar daquela que é a pior espécie de escravo: a que defende o seu senhor! Aqueles gansos mansos que comem na minha mão: em tudo se assemelham aos defensores destes governos deste partido de merda, o lastimável PT - que em cada ato deixa evidente que defende os interesses da grande burguesia nacional e da finança internacional - e ainda falam em "minimizar a desigualdade", em "correlação de forças", toda a ladainha dos covardes e dos canalhas que estão no poder! Com estes me divirto muito mais, talvez por isso sejam os menos dispensáveis!

O Dia do Sol

É domingo, quase oito horas da noite, acabo de chegar em casa de um dia no parque com a minha família e, agora, na minha abençoada solidão, me surge a questão: cafeína ou álcool?
O álcool me derruba como Muhamad Ali; como touro contra toureiro experiente: vou à lona - à lama - numa "vulgar rapidez", como diria Nietzsche.
A cafeína contribui para o despertar dos meus sentidos desde sempre, evita muito desgaste, muito dispêndio de energia psíquica e muitas válvulas tensas que o álcool não se envergonha de libertar numa sangria. De modo que apenas com o mais elevado conhecimento de si o álcool deveria ser utilizado, como uma espécie de bisturi, um instrumento de uso pontual para extirpar determinada sombra de nossa psique. Deveria ser de corrente estranhamento tal substância ser tão comum, tão vulgarizada ao mesmo tempo em que outras psicoativas são demonizadas e perseguidas - ainda que, provavelmente, sejam instrumentos bem mais efetivos e importantes para o fortalecimento da personalidade de alguém. Pois bem: hoje vou de cafeína.

Os anglófonos guardam mais justiça ante a história e a genealogia das mitologias: chamam este dia de "sunday" - o "dia do sol" - tais quais guardiões dos antigos cultos pagãos. Os cristãos, estes miseráveis cretinos que a tudo mancham com seus dedos e palavras podres, como não poderia deixar de ser - não poderiam proceder de outro modo - falsearam o santo dia como domingo - do latim "dominicus", o "dia de deus" - e com este lance linguístico afastaram a humanidade do sentido original deste dia de sagrado descanso: a celebração da força e de tudo o que é forte na vida, levando-a além. E tão logo foram se esconder com a sua infinita vergonha dos seus desejos mais profundos; com seu ódio indisfarçável contra a felicidade mais ingênua; embebidos de veneno europeu (que o pregado havia transformado a partir da água) cambaleantes, agressivos e depressivos, nas suas naves escuras, suas cavernas, suas igrejas - "túmulos e monumentos fúnebres de deus!". O domingo é, assim, o dia de se ajoelhar ante este deus impotente, pois, invejoso, vingativo, de um amor inseguro; um deus que, se existisse, haveria de ser combatido com a mais intensa força pelos seres potentes deste universo!

Daí facilmente se depreende todo o sentido das atuais políticas sobre drogas: tudo o que for útil ao poder será liberado e, quando faltar qualquer pudor, fartamente estimulado - como é o álcool no Brasil. Poderá vir um dia em que o poder necessite de pessoas mais dóceis e risonhas: a maconha então seria vendida ao lado das balinhas e chocolates nas padarias. Um atentado contra a cafeína: utilizá-la como chicote no lombo dos escravos: em todo lugar em que há trabalho, há café... É preciso compreender a gênese deste poder e o que ele quer que as pessoas façam: por exemplo, o álcool é hoje vendido nos postos de gasolina e não me recordo de ficar a saber de uma sociedade com tantos mortos por violência no trânsito causada por motoristas alcoolizados. Todo o arranjo político no Brasil precisa de uma sociedade brutalizada: num Estado de selvageria - isso é sabido da ciência política desde os contratualistas - como nos assemelhamos, não há o menor vulto da ideia de evolução, de progresso da associação dos indivíduos; todos se agarram aos parcos recursos que possuem (e que, por eles, são possuídos) com extrema violência. Ora, o que é o discurso político conservador brasileiro e a violência difusa em nossa sociedade (em várias formas - simbólicas e físicas) senão dois lados de uma mesma moeda? É necessário que seja assim: de outro modo, os arranjos superestruturais seriam alvo de mudanças e poderíamos ameaçar poderes maiores que o nosso - geopoliticamente falando. Nossa estupidez é maravilhosa: serve como laboratório para testes de novíssimas tecnologias de controle e disciplina; mantém uma incessante produção de trabalho escravo, enfim... poderia defender esta tese com mais profundidade, mas o café já ataca o suficiente meu fígado.

Que deus está morto nossa razão o sabe muito bem. O que me importa? O aprendizado do inverno: é o sol que nos aquece, tolos! É a força que leva a vida acima e além - não a fraqueza; a afetação; a compaixão; todos os "espíritos do peso"! Então, como superar as sombras de um deus morto? Comecemos assassinando a vergonha de nossos próprios desejos! Cuspamos para fora, tal qual o fizera Zaratustra, a inveja de uma felicidade ingênua! E cuidemos, cada qual, dos nossos caminhos.