terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Novos álbuns em novo formato

A partir de agora, meus álbuns serão disponibilizados em blogs próprios. Eles, os blogs, funcionarão como "álbuns/conceito", superando a forma "pacotinho de download" e a já superada mídia física, em franco desuso até aqui em casa, quem diria.

Eis os primeiros. É uma trilogia iniciada em 2012. Logo, verterei todos os outros já produzidos para esse nova proposta de formato.

FALTA D'ÁGUA NÃO É BRINCADEIRA

Para aquela gente contaminada pela má-consciência, que em todo mal vê a gênese no PT - haja moral cristã! -, basta culpar aos gestores federais pela crise por que passa o CENTRO-SUL (por enquanto, mais evidente em São Paulo, mas em poucos anos desembarcará também por aqui) que o peso sobre sua consciência se alivia, assim, se permitindo seguir com seus hábitos negativos.
Para outros, talvez, em princípio de desilusão e reconhecimento da realidade, toda a "classe política" - essa expressão jocosa que os jornais usam para chamar aos fantoches do poder econômico - deva ser responsabilizada.
Difícil é conviver com os fatos, a verdade objetiva, as relações econômicas que produzimos sobre a nossa vida material! Concretemos, pois, tantos milhares de quilômetros quadrados e esperemos idiotamente que a água possa fluir da mesma forma em seu ciclo!
É ÓBVIO, ela não desaparecerá... Se não se precipitam por aqui, a Terra, na sua inteligência natural, fará com que as chuvas desaguem em outros lugares.
Aguardemos que o esgoto doméstico e toda espécie de resíduos industriais e de outras atividades econômicas, possam escorrer, pelos dutos ou sob o céu - onde nada há de novo (ora, vejam só, uma boa referência bíblica!) - e findem nos cursos d'água que atravessam nossas metrópoles, assim, assassinando a vida de tantas formas imagináveis.

"Babaca comunista, profeta do apocalipse! É só tomarmos banhos mais curtos e parar a roubalheira petista para investir em mais represas!"

Evidentemente, a baixa inteligência não poderia nunca acompanhar pensamentos de tal ordem de grandeza. É POSSÍVEL que a água não acabe por completo... talvez convivamos com a escassez. QUANTO LUCRO NÃO GERA A ESCASSEZ? Talvez, ela, a escassez, seja até estimulada e produzida por este ou aquele agente econômico...
Se nada na organização da vida produtiva se alterar, A ESCASSEZ SIGNIFICA DINHEIRO. UMA MONTANHA DELE. Da altura daquelas que existem em Marte.
Aqui, chegamos a outro ponto para reflexão: Como queremos viver? Em escassez ou em abundância? E abundância não significa abuso, muito pelo contrário.
A percepção de que os recursos são escassos é uma percepção da IGNORÂNCIA. A cada avanço, em toda a história social da tecnologia, nós SUPERAMOS a compreensão que tínhamos do que era escassez! E quantas vezes, avanços tecnológicos foram combatidos por AGENTES ECONÔMICOS INTERESSADOS NA ESCASSEZ? Assim, a humanidade atrasa a fruição da abundância percebida pelas inteligências rebeldes!
Por tal motivo, percebemos escassez em tudo! Da economia aos afetos. Porque não nos é dado perceber a medida plena de tudo!

É razoável imaginar que o atual estado das coisas se deteriore gradativamente ao longo das décadas seguintes e as próximas gerações sejam igualmente idiotas a ponto de levar uma vida pela metade, satisfazendo-se com as migalhas que escapam do banquete das elites econômicas. Afinal, há tantas possibilidades de magnífica distração! E tantas escolas, cartórios, tribunais, hospitais psiquiátricos e prisões para os inadequados!

Dizer um gigantesco "sim" à abundância da vida, e lutar para vivê-la plenamente, objetivamente, na vida material, aqui e agora, É UM ATO POLÍTICO que só se realiza com uma profunda tal qual as fossas oceânicas; intensa tal qual a fissão atômica e larga tal qual o universo cósmico, vontade de transformar - não de conservar! - de compreender - não de estudar! - a si mesmo e ao mundo ao seu redor, pelas suas ações e relações.

sábado, 15 de novembro de 2014

"Os Cristãos e O Coliseu"

10 anos de Concreto Armado. Potência de Vontade.

Fomos todos lançados aos leões. Ainda somos todos covardes...



"Concreto Armado", 2004. Guitarras, baixo, bateria e voz; letra e música: Juliano Berko. Gravado entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013.

Os Cristãos e O Coliseu


Eu fui lá fora ver a vida
Que minha vida urbana me priva
Mas há tanto lixo por aí
E eu não tenho aonde ir
Enquanto todos falam de Deus
Mas no fundo todo mundo é ateu

Eu fui lá fora ver a vida
E vi muitas vidas perdidas
Mas há tanta gente por aí
Com certeza vou conseguir
Encontrar quem tenha pés no chão
E não assista todo dia à “malhação”

Comprei uma briga por uma vida
E quase ela foi perdida
Para a violência gratuita da TV
Que é teatro pra você
Que é realizado em ver
Que se sente realizado com o Big Brother

“Bandido bom é bandido morto”,
Na dúvida, sempre atire, não é?!
Entre na ciranda você também
É quase engraçado, mas graça não tem
Só é engraçado pra você
Que é controlado e não vê
Estupidificado sem perceber
E tudo isso porque
Eu fui lá fora ver a vida
Mas acabei vendo a TV.

domingo, 30 de março de 2014

O Mundo do Trabalho - Da Indústria Musical à Música Industrial

- DOWNLOAD AQUI !!!

É este o fruto maduro, a resultante estética, o que Heracles colheria findos seus 12 trabalhos. Eu havia escrito o "Futuro, Adeus!" em 2012, me despedindo do intenso ócio criativo vivido nos últimos anos na UnB. Abrigado no calor do útero da minha alma mater, desconhecia um universo de códigos, objetos e [rel]ações que é o chamado, na sociologia, de "mundo do trabalho". Quando me vi - diplomado e desempregado (momentaneamente), na eminência da paternidade -, vislumbrando a incisão violenta que me arrancaria do ventre de um velho mundo, sucumbi. Desci aos infernos, a terra arrasada. Os temas falam por si: a tensão das hierarquias de poder; a apropriação desigual da vida material; as relações sociais finaceirizadas; o aprisionamento pelo consumo; o enfrentamento aos sistemas de controle; a introspecção reflexiva que, libertadora do pensamento, liberta a ação. Jurei que, ao final do ano, escreveria (e publicaria aqui) minhas impressões sobre esse primeiro ano como professor, mas fui deixando pra depois... e há tanto o que dizer que esse tema há de esperar o momento e o tratamento que mereçe. Minha filha nasceu quando estouraram aquelas manifestações maravilhosas pelo Brasil... esses dois fatos, mais a escola e meus alunos, foram o que me mantiveram vivo pra terminar este projeto e seguir em frente.

E este fruto - azedo porquanto nutritivo; essência que emana de uma potência de poder, é "O Mundo do Trabalho", buscando o despertar de uma nova moralidade, destituidora do poder da tradição assentado no poder da autoridade. A forma pela qual se apresenta - um álbum (ou, fora do círculo das minhas referências, EP) - é constituída de 15 partes - cada qual um objeto particular num sistema geral. Aí estão algumas leituras - Lafargue; Foucault; Nietzsche, as críticas ao contratualismo, à burocratização da vida (desumanização do ser humano) e releituras anarquistas são mais eminentes.

Gravado entre novembro de 2012 e dezembro de 2013. Guitarras, Baixo, Bateria, Teclados, Vozes [Efeito: Distorção], arte da capa e encarte: Juliano Berko. Todas as letras e todas as músicas: Juliano Berko, exceto "Convenções" (Juliano Berko/Danilo Marques/Leonardo Afonso).







1. "Caminhos do Povo"
O refrão é sobre as trilhas nos gramados - fora dos (poucos) espaços destinados às calçadas no centro de Brasília - feitas pelo povo. Tem um áudio de uma manifestação que fui em 2009 [na época do tal "Fora Sarney"... pois é.]

2. "Mundo do Trabalho"
Resume todo o espírito, o conceito do álbum.

3. "Cultura No Ônibus"
Em homenagem ao cobrador Antônio e o seu projeto inovador.

4. "Convenções"
Esforço para desconstruir valores da moralidade tradicional.

5. "Opiniões" 
Sobre o esforço contra-producente de tentar organizar-se em rede quando essas redes privatizam nossas relações sociais e a internet deixa de ser fonte inesgotável de conhecimento para se transformar em espécie de muro das lamentações.

6. "Deep Deep Web"
Duas personalidades: Julian Assange e Edward Snowden.

7. "Consumidores Imperfeitos"
As [ilusórias] possibilidades de consumo são o maior pilar a sustentar a exploração do trabalho contemporamente. Tem uma inserção [editada] do economista Ladislaw Dowbor.
 
8. "Combustão Espontânea de Favela [E As Remoções Forçadas Para a Copa]"
a) Pinheirinho, SP (sons gravados na desocupação)
b) Extermínio Guarani, MS
c) Criminalização da Pobreza, BR
d) Copa do Mundo e o recrudescimento do fascismo da nossa sociedade

9. "Para Humanos Direitos"
"Não acabou, tem que acabar com a Polícia Militar!"

10. "Pra Não Pagar Aluguel [A Vida Inteira]"
Um fluxo de consciência muito intenso. Tve que recuperar o folêgo depois de mergulhar tão profundo pra escrever essa música...

11. "A Vida Como Ato Político 
Escrevi saindo de (mais) uma prova de concurso... uma reflexão mais íntima.

12. "Função Social do Desperdício"
Escrevi por último. Representa um exercício retórico do cinismo.

13. "O Homem Detrás do Microfone"
Estruturalanarquismo


14. "Ministério da Desburocratização"
Eu lia mesmo um edital... fortuitamente me deparei com uma referência à um decreto do final do governo militar, fui ao google matar a curiosidade e o tal decreto foi publicado no inacreditável ministério da desburocratização. Tem uma pequena inserção do Brizola, pra lembrar de quem nossa ditadura mais temia.

15. "A Minha Banda [Concreto Armado]"
Uma metalinguagem da cosmovisão, teleologia da arte - o sentido da minha vida.

[2013, o ano que não acabou.]

sábado, 12 de outubro de 2013

Cultura no Ônibus

Em homenagem à iniciativa do Sr. Antônio da Conceição Ferreira [culturanoonibus.blogspot.com.br/].
Lembro de ver reportagens sobre ele lá por 2009... em junho de 2011 (ou 2012? Já nem lembro), um dia voltando da UnB pro Guará, já perto de terminar a monografia, pego um ônibus em que ele estava de cobrador. Eu o reconheci, puxei assunto, ele se alegrou, mas parecia que o projeto já não tinha vingado, infelizmente. Tem um custo alto o aluguel do espaço onde ele guarda os livros e, aparentemente, não recebeu nenhum apoio institucional - seja do governo, seja da Viplan (o que esperaríamos da VIPLAN???).

De todo modo, me enfurece ver essas "Tvs de Ônibus" que ficam passando notícia de "gente famosa" e horóscopo cigano (!!!) e que, SEM DÚVIDA, têm um custo de implementação, enquanto um projeto tão simples de se realizar como o do sr. Antônio, que humaniza o acintoso transporte público do DF, foi completamente esquecido pela sociedade...

Eu, que além de brincar de ser professor de geografia nas horas úteis, tenho uma brincadeira muito séria também com a arte, só poderia ter feito uma singela homenagem a esse cidadão!
Juliano B.



Memento Mori: Orgânico

Capa
Concreto Armado - Baixe aqui: Orgânico (2011)

 Há dois anos passei por um contexto de estresse que me levou ao delírio - que durou alguns meses - de ter certeza de que eu estava na iminência da morte. Bem, a morte é a única certeza da vida de qualquer um. E é sempre bom saber que ela está mesmo por perto, pra ficar esperto. Afinal, pra morrer basta estar vivo. Além disso, minha imunidade baixou consideravelmente, me levando a duas gripes em pouco mais de um mês, uma distensão da coxa e as dores inacreditáveis no joelho que viriam depois que comecei a correr, já no final de 2011. Então, naquele momento delicado, buscava refinar minha proposta estética - unindo as assinaturas de "Juliano Berquó" e "Concreto Armado" em uma só: a do Concreto Armado, como minha máscara final. Foda-se porque faço canção. Simplesmente faço-as. E, mesmo que eu morra agora, deixarei aqui minha marca, marco posição estética/política. Abaixo, seguem a lista das canções do projeto e a resenha escrita em 2011.
J. B., 12/10/13. 

Contra-capa
Baixe Aqui: Orgânico
41'43''
"Concreto Armado" é o nome-fantasia para todas as letras, todas as músicas [2011, exceto as faixas 2 (2005); 3, 4 e 5 (2006); 1 e 6 (2007)]; voz, guitarras, baixo, percussão, teclados e bateria eletrônicos (Piano Eletrônico 4.3); edição e efeitos de áudio; fotos e edição de capa e encarte, febre e dores de cabeça: Juliano Berko.

Não tem nada (muito) a ver com intelectual orgânico, talvez com biopolítica. "História Social da Ciência e Tecnologia" é uma disciplina de pós-graduação da UnB lecionada pelo senhor Cristovam Buarque, inspira a canção. A colagem da contra-capa tem, dentre outras, figuras de lixeiras e alertas de caminhões de lixo, cujas caçambas, ao abrir, podem matar esmagado quem estiver perto (o trabalhador). A caveira, de alerta de choque elétrico, é do prédio da FIOCRUZ no campus Darcy Ribeiro. Fotografei-a quando ali me abriguei de uma tempestade novembrina. "Crescer por crescer é a filosofia do câncer" eu retirei de uma palestra do prof. Ladislau Dowbor que, por sua vez, se referia a uma manifestação estudantil de uma "faculdade do interior de São Paulo" (Dowbor, "Economia Solidária", 2009). Depois, descobri ser de autoria de um intelectual estrangeiro, Edargd H.: "Growth for growth sake is the ideology of cancer cell". 

Arte do CD
Este disco é um delírio. Um pesadelo noturno, sonhava com violência urbana e lutas corporais. É um só e são várias paixões: sonhava com beijos em bocas nunca antes vistas. Mas eram noites diferentes. Este disco também é bem vivo, acordado. Material e materialista: Feito de plástico, silício, raiva, tesão, e demais sublimidades. Feito pra lembrar que a gente ainda é humano. Este disco não é meu, Juliano Berquó, é uma reação ao mundo que me cerca, um grito que pede (implora?) companhia. Este disco é nosso. É do concreto armado. "Onde Estou"?! Este disco é um absurdo!
Juliano Berquó Camelo.
Maio/2011
Email: julianoberko@gmail.com
Tel. Celular: (061) 85156753



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

(Alg)uma (nada) breve história sobre Juliano Berko

Atenção!: Post autobiográfico. Quem tiver problemas com autoreferências alheias (assim como eu!), pode passar pro próximo texto e aproveita pra baixar o "Futuro, Adeus!". 

(Alg)uma (nada) breve história sobre Juliano Berko.

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Se eu colocasse pra tocar ininterruptamente todas as minhas 180 canções gravadas (tenho ainda algumas por gravar) neste exato momento, 2:26 da manhã, apenas amanhã, por volta da 1 da tarde, a lista seria finalizada no player. São pouco mais de 1 hora de música pra cada ano nestes últimos 9 anos, desde 2004 portanto. 
 
Nesse tempo, apesar de nunca ter tido uma banda formalmente falando - com integrantes que ensaiam regularmente e constroem um projeto coletivo (o que eu sempre quis) - inventei a minha própria, na qual escrevo, componho, toco e gravo tudo sozinho: Concreto Armado; e segui o meu caminho como artista individual, me "libertando" da minha fixação estética do início, partindo pra voos mais altos, trilhas mais distantes. 

Lembrando dos meus passos, ponderando sobre o tempo, me dou conta agora da influência que teve o ambiente no qual eu me iniciei na música - a escola. Apesar de 1) ter começado a ler as teorias musicais naquelas revistinhas de cifras musicais um ano antes de ganhar meu violão, em 2003 (10 anos!!!), 2) de eu ter ganhado o violão da minha mãe como presente depois de muita insistência (um ano pedindo. rsrs) 3) e ter tido dois meses de aulas particulares em casa, uma vez por semana, foi na escola, junto dos meus amigos que também tocavam que, nos turnos inversos, principalmente nos dias de prova (à tarde, as aulas eram de manhã), o desbravar do universo musical através do violão ganhava mais sentidos.

O nosso então professor de Geografia e diretor do colégio ("Campus"), Gilberto ("Ligeirinho"), nos via sempre a tocar nos intervalos e horários livres e muito nos motivava, pelo que posso recordar. Ele chegou a organizar um show nosso no parque Vaca Brava, para o qual ensaiamos um repertório cover e estávamos todos empolgados. No dia marcado choveu e o palco não tinha proteção, ficamos sem tocar... Em um dado momento, no 2º ano, cheguei a compor especificamente para uma apresentação nossa (Eu, Fabiano e Diego, dando nome aos bois) numa semana de temática ambiental. O resultado, uma cançãozinha a qual chamei "As Florestas e o Cerrado", apesar de ter sido feita meio na brincadeira e não ter ficado completamente ao meu gosto ainda na época (depois da apresentação tentei mil versões que me satisfizessem), hoje vejo como foi importante no desenvolvimento do que se poderia chamar de uma técnica de composição. Vejo como aquela oportunidade foi importante pra que eu pudesse seguir adiante.

A experiência no Campus finda no meio de 2005 por impedimentos administrativos e, por influência do próprio Ligeirinho, uma parte dos alunos foi para o COC, um dos "grandes" colégios da época, onde eu tinha uma bolsa de 82% (nunca esqueço o valor na mensalidade...). Ali, um universo de classe média mais alta, eu me sentia O peixe fora d'água, sem Nike Shox no pé e Ipod no bolso (um minuto de silêncio pra todos pensarem no que esses bens de consumo representavam em 2005...). 
Assim, me filiei informalmente ao grupo dos "peixes fora d'água", em que conheci o meu maior parceiro até hoje, Tarcísio Miranda Pereira, porém, nossas parcerias começariam apenas no ano seguinte. Do resto desse ano lembro pouca coisa mais marcante (talvez apenas de uma colega gatinha... gatíssima, "Gabriela Alguma Coisa", passando a mão na minha bunda na fila do lanche. Mas não vem ao caso agora).

No ano seguinte, 2006, finalmente comecei a me sentir mais integrado no ambiente, e passei a tocar e trocar mais ideias com o Tarcísio e o Thiago, principalmente. O COC naquele ano iniciou um projeto "quinta cultural", se não me engano, em que toda quinta-feira ia um mesmo músico que abria o recreio tocando alguma coisa no violão, num palco com microfone, e depois passava pra quem quisesse, dentre os alunos, tocar outras canções. Lembro de tomar coragem e subir no tal palquinho e tocar, na primeira vez, "Núcleo Base", do Ira!. Como eu fiquei mal acostumado, toda quinta eu subia no tal palco pra tocar pelo menos 2 músicas. Muita coisa dos Titãs na época. Só em 2009 eu fui lembrar da sensação de subir num palco! É elevadora, excelsa. É por isso que todo mundo a toma de forma ritualística... (Até me lembro do mantra que eu repetia pra mim mesmo nos bastidores do FINCA... mas deixa pra lá).


No fim do ano, presto vestibular pra Medicina na UFG (simplesmente pra não passar... Tivesse escolhido Direito, minha nota na primeira fase me botava dentro do ponto de corte e talvez eu não estivesse aqui hoje, desesperado com um diploma que eu não sei ainda pra que serve, digitando estas linhas, mas em algum escritório de advocacia goiano ganhando muito $). Presto também pra Geografia na UnB, minha escolha autônoma, já que minha mãe chiou no vestibular da UFG pra que eu fizesse ou Direito ou medicina. Nesse vestibular eu passo, porém, perco o prazo de fazer o registro na UnB, uma vez que ninguém na minha família se dignou de me hospedar em Brasília. Fico em Goiânia e acabo fazendo um cursinho pré-vestibular qualquer, só pra passar o tempo. Esse período só prestou pra que eu me divertisse com o pessoal do cursinho (cheguei a compor "A Moda", que é uma música muito legal também, com o Ricardo) e me apaixonar um pouquinho por olhares sedutores em algum Pub...

Só vim pra cá fugido, no ano seguinte, depois de uma confusão com ameaças de morte (baixaria total...) com vizinhos do prédio... Aí a tal família se dignou. Fiz o vestibular (2º/2007) e passei de novo. E passaria quantas vezes quisesse, diga-se de passagem. Nesse período, eu desistira de montar uma banda de rock e, com um gosto muito amargo na boca, "aposento" minha guitarra, e passo a investir numa leitura mais lírica do violão e me declaro poeta. Foi quando fundei este blog, diga-se de passagem também. Deste período, apesar de triste, guardo as melhores recordações, e algumas belas canções (que me são aprazíveis, uma vez que eu componho pra agradar um impulso pessoal, primordialmente).

Em 2008, participei de um concurso de canção do SESC, influenciado pela minha companheira de (até) hoje e sempre, Maíra, mas não dá em nada (isso não é novidade e ainda se repetirá algumas vezes nesta história...). Naquele ano eu quase não compus música. Escrevi algumas coisas, mas, no geral, produzi muito pouco em comparação com 2006/7. 

Em 2009, de tanto ser chato com meus colegas de curso, consigo a assinatura do Ricardo, então representante do CA de Geografia, pra concorrer por ele no FINCA, o festival de música interno da UnB. Como eu havia imaginado no ato da inscrição de tocar sozinho, na voz e violão, eu inscrevi as canções que eu pensei mais se encaixarem neste formato, que foram "Pra Ser Verdade", uma das minhas melhores até hoje, e "O Pôr do Sol, II", uma parada meio pop meio folk que, com a banda, ficou mais pra rock-balada, o que, de certa forma, deixou ela menos "Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue" e mais "Engenheiros do Hawaii - Negro Amor". Depois de me inscrever, procurei apoio de outros músicos, também amigos do curso, no caso, Klebiston, que também passou no 1º vestibular que fiz e o Vitor, que passou no mesmo vestibular que eu. Ambos são ótimos músicos e ensaiamos apenas uma vez pra tocar no festival. De todo modo, o anf 9 lotado de gente da Geografia, gritando "gatinho" pro Klebiston, sentindo o bumbo do Vitor me jogando pra frente, minhas pernas bambas, boca seca, o coração irremediavelmente veloz, o tempo infinito no que deve ter durado uns 10 minutos, foi uma das experiências mais gratificantes dessa minha passagem na Terra, mesmo com os meus erros no baixo. Como eu imaginava, não passamos pra fase final. Pondero que tanto as canções não eram lá essas coisas (apesar de "Pra Ser Verdade" ser bem legal) quanto o juri desse festival não é muito chegado num rock, quanto nossa performance de palco, no geral, não foi a melhor, quanto por questão de sorte, não fomos escolhidos pra segunda fase. 

Do FINCA, o que mais ficou marcado e que me incomodaria por um bom tempo foi o não prosseguimento daquela banda. Eu sou um ateu meio desbocado, morava na asa sul; o Vitor morava na asa norte e nunca me deu bola (inclusive, uma vez, no nosso primeiro semestre, fiquei muito puto com ele porque ele só sabia zoar o meu sotaque! Não sabia dialogar comigo, mas sabia zoar meu sotaque goiano, nada mais brasiliense que isso); o Klebiston é um puta guitarrista, mas tem seu comprometimento com sua Igreja e mora no Gama... Tinha tudo pra dar errado. E deu. Mas poderia ter dado certo...

Outra coisa que eu vejo hoje é como o festival marcou uma nova fase. Os meus melhorres trabalhos vêm sendo feitos desde o final de 2009. Inclusive, "Hallow Evening" eu compus na noite daquela final. Eu não fui, fiquei em casa o dia todo lendo sobre coisas aleatórias na internet e, no fim do dia, fui tocar guitarra. 

Tivesse participado do festival em 2012, iria de "O Que Se Quer" pra começar o show e "Anéis" pra concorrer pelo prêmio. Duvido que me barrariam na primeira fase. Mas duvido com convicção.
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Sobre 2010/11/12, posso escrever outro dia, pois, escrevi isso tudo aqui em uma sentada de mais de uma hora e amanhã preciso estar às 13 horas em Taguatinga. Escrevi isso tudo pra tentar tirar de mim a sensação de tempo jogado fora. Não sei se consegui, ainda tenho 8 horas de músicas pra ouvir.

Recentemente, venho assinando o "Berko" no lugar do Berquó, que é um nome de origem francesa, linhagem de um nobre diplomata instalado nos Açores e migrado ao Brasil no século 18. Linhagem de nobre? Prefiria que essa nobreza toda tivesse ficado na guilhotina. E os povos indígenas e os povos da áfrica que, eu sei por genealogias familiares, também fazem parte dos meus genes? Como posso levar pra frente a ideologia do império na assinatura da minha arte? Deste modo, subverto essa lógica e (re)invento também meu próprio nome. 

Por hoje é só.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Futuro, Adeus!

Há talvez cinco anos, desde que abri o blog, portanto, venho prometendo a mim mesmo a publicação de forma independente, autônoma, de um álbum completo meu. Sinto que não poderia ser um melhor que este. A qualidade técnica das gravações esta para o nível do som dos anos 70/80, sem dúvida, o melhor que eu poderia fazer gravando no meu próprio quarto com o equipamento amador que tenho. 
Desde o final do ano passado venho trabalhando em um "pacote" de 30 músicas. Algumas dessas canções já haviam sido publicadas por mim aqui de forma isolada ("Brasil, Nunca Mais" que, inclusive, chegou a tocar no programa "Nunca en Domingo" da rádio Universal do Uruguay; e "Senhor de Engenho no Senado" em versão ligeiramente diferente). Porém, aqui encontram-se amparadas pela textura do conceito. Desse pacote, esta é a primeira parte e a que publico pela primeira vez aqui neste blog: 

"Concreto Armado - Futuro, Adeus!"
(64:45) 
"O mundo é mesmo de cimento armado"
C.D.A.
"Privilégio do Mar",
Sentimento do Mundo, 1940.
1. O Futuro Adeus
2. Tudo Em Seu Lugar
3. Nove de Hydra
4. Quando Os Impérios Têm Febre
5. A Paz É Difícil
6. Sapo Barbudo
7. BRock[er]
8. Predador
9. Razão Comunicativa
10. Amor Livre
11. Senhor de Engenho no Senado
12. Socialismo Moreno
13. Brasil, Nunca Mais
14. Proibidas Radiodifusão e Execução Pública
15. Venturis Ventis

As canções deste trabalho dialogam com o ano de 2011, o qual muitos teóricos compararam com o ano de 1848, o ano das revoluções. Foi da assembleia da ONU daquele ano de onde extrai o audio do presidente Obama presente em "A Paz é Difícil". Porque, de fato, a paz é difícil e não se faz com discurso. Muito menos com a ocupação criminosa do território palestino por parte de Israel, amparada pelos EUA. Outra referência, sem dúvida, é a nova onda de histeria relativa ao Calendário Maia, às Teorias da Conspiração, etc. Para estas correntes de pensamento, de tão ridicularizadas, guardo alguma simpatia, considerando algum tempo para leituras alternativas da realidade sempre que posso.
Muito deste trabalho rebusca também alguns valores de certo esquecidos pela marcha do progresso à todo crédito: A desconstrução do mito religioso que aliena; do mito democrático que fascina; do mito lulista que paralisa a crítica da condição nacional; do mito leninista que centraliza o poder; do mito do amor como propriedade; e tantos outros. Este trabalho pode até ser considerado um manifesto isolado, unitário, inócuo. Assim o prefiro a participar das mais diversas formas da coletiva insanidade. Porém, não acredito que o seja. Gosto de pensar que faço parte de uma corrente que talvez ainda esteja um tanto difusa, mas que encontra amparo, por exemplo, nos dois últimos álbuns do Killing Joke (2010, 2012). 
É, sem dúvida, a manifestação da vontade de dizer adeus a um futuro de controle, de ausência de qualquer rastro de dignidade ou ainda um futuro de conformismo. Como dizia o velho Darcy, nessa vida só há duas opções: se resignar ou se indignar. E eu, de minha parte, como demonstro nesse pouco mais de uma hora de música, também não vou me resignar jamais. 

Juliano,
03/12/2012.

Ficha Técnica:

Da Crise da Música à Música da Crise.

"Concreto Armado" é o nome-fantasia para todas as letras, todas as músicas, vozes,
teclados, guitarras, baixo, violão, bateria, edições e efeitos de áudio:
Juliano Berquó.
Fotos do Encarte: Sérgio Berquó, 2010/2011.
Gravado entre julho e setembro de 2012.
- Inserção de áudio em "A Paz é difícil":
"The fact is peace is hard", Barack Obama em discurso na Assembléia Geral da ONU, 2011. 
- "Cidades de Patrão": Expressão utilizada por alguns jovens das periferias de Brasília
para se referirem aos bairros (que no Distrito Federal são também chamados de cidades)
das classes médias e altas. É como a segregação socioespacial salta aos seus olhos.

Todas as baterias e teclados deste trabalho foram realizados por meio do Piano Eletrônico 2.5, software livre.
É encorajada a reprodução deste trabalho para quaisquer fins desde que de caráter não-lucrativo.

CONTATOS: 
Tel. Cel.: (61) 8515-6753
Email 1: julianoberko@gmail.com
Email 2: julianoberquo@live.com

Aceito convites para fazer festas de criança, bodas de prata da tia-avó, e outras do gênero. Garanto meu show com meus instrumentos, bases pré-gravadas e meu equipamento. Além das minhas músicas, é claro.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Brasil, Nunca Mais

Recentemente, faleceu a senhora Maria Rosa Monteiro, mãe do icônico Honestino Guimarães, este estudante de Geologia da UnB que a nossa ditadura civil-militar mandou pra algum lugar desconhecido... A luta de sua mãe pela verdade sobre o filho tornou-se simbolo de toda a luta pela publicação dos arquivos e punição aos torturadores do período militar.

(Em tempo, devo dizer que o STF que julga o mensalão pra "proteger a república" e a constituição, guardando óbvia coerência,  não o fez assim quando julgou improcedente a ação da OAB contra a a Lei da Anistia de 1979. 1979!)

Até algum tempo atrás eu pouco (quase nada) sabia sobre este cidadão, Honestino. Pesquisando, descobri que ele era de Itaberaí, Goiás (partindo de Goiânia, última cidade antes de chegar em "Goiás", a cidade origem da minha família, pela qual eu sempre passava...), que sua família era de advogados e que, talvez, até o seu pai tenha conhecido meu bisavô, Urbano, também advogado (isso minha mãe supôs, dentre as suas memórias, pelo sobrenome da família Monteiro).

Quando me dei conta do quão próximo um líder estudantil assassinado pela ditadura estava de mim, do quanto de nossas vidas pode ter sido em algo similar, seja pela Serra Dourada ou pela Universidade de Brasília, compreendi e fiz parte de toda esta luta pelo resgate de nossa memória coletiva. Da memória dos que luta(ra)m e sonha(ra)m.

Neste instante, surgiu-me como epifânia a ideia de compor uma canção de homenagem, de protesto, que seja, sobre esta história... Lembrei-me daquele livrinho clássico, "Brasil, Nunca Mais" e da sua significância neste contexto. Percebi que poderia usar o jogo de palavras com o nome do "álbum" que eu estava compondo, "Futuro, Adeus!". Ora, quem diz adeus ao futuro só pode ser, justamente, aquele que ficou no passado. Assim, esta canção, quase como uma psicografia, põe na primeira pessoa a voz daqueles tantos que tombaram pelo sonho da democracia, da justiça e da igualdade...

Deles, florescemos nós que, presentemente, lutamos cotidianamente pelo alargamento dos espaços de felicidade nesta vida...
E podemos lutar com algum conforto à custa da tortura e execução de muitos no passado.
E lutamos sob alguma hipocrisia, sobre os ombros largos de tantos escravizados, desterrados e massacrados povos do presente, no Brasil e no mundo.

De todo modo, lutamos como podemos. Mantemos acesa a chama do sonho.

"E se não achar meu caminho
basta-me crer procurá-lo de coração."
Honestino Monteiro Guimarães
(1947-1973?)

"Brasil, Nunca Mais"
(Letra e Música: Juliano Berquó)

Avise minha mãe,
Avise minha filha e toda minha família
Diga que eu não perdi a fé
E que apesar das circunstâncias
Eu morri de pé.

Avise a minha querida
Que a minha vida não foi em vão
Que valeu a pena
Avise minha pequena.

Avise aos jovens nas salas de aula
Que não tivemos escolha
Que não nos deixaram nada
Que pensar nos condenava

Por fim, eu peço
Que avisem aos nossos inimigos
Que nós continuamos vivos
Mais que nunca nas lutas

O meu pelos seus
Futuro, adeus...
Mas não se esqueçam de nós
Céu vermelho-anil
Brasil, nunca mais...
E vivam em paz.

In Memoriam: Maria Rosa Monteiro.

Mitomania

Há tanto tempo sem postar que eu já nem sei como fazer nessa nova interface do blogger...
Até eles estão contra mim!
Publico hoje esta canção cuja letra está ulteriormente exposta. Muita coisa aconteceu desde minha última postagem...
Durante a última greve dos professores da UnB eu terminei o projeto da minha banda de um homem só, Concreto Armado (lá se vão oito anos...), "Futuro, Adeus!" ("Brasil, Nunca Mais" e "Senhor de Engenho no Senado" fazem parte deste trabalho).

Em setembro, com a retomada dos trabalhos na UnB, estive recluso para a finalização da minha monografia. Formado, logo retomei os trabalhos com as minhas composições, finalizando outro projeto no qual estava trabalhando há quase um ano, "Indizível". 
Mas eu não vou ficar falando disso muito não. Com o tempo, pretendo promover e publicar para download todas estas músicas por aqui. 
Por enquanto, fica aí e curte o som dessa que faz parte do "Indizível" que é o melhor que eu posso fazer.

"Mitomania"

Desde quando nasci nunca vi a luz do sol
Flanei por instinto depois de cair no chão
Assim, quando nasci não fui parido de cordão
Me alimentara no tubo de tudo do canal
Nunca tive fome de não saber quê comer
Aprendi a ter vontade de ter quando vi TV
Nas tantas vezes em que morri desde quando nasci
Depois de crescer, eu aprendi a mentir

Aonde levam estas dores que afloram do afeto?
Onde reside minha razão, mãe do meu direito?
Que posso fazer para corrigir o meu defeito?
Agora que o gene do mal já está desperto?

O que vi ao longe e que parecia miragem
De repente, veio a mim ou fui a ele, que é verdade?
Cortara minha garganta enquanto a guerra inflamava
A música havia, mas eu não pegara em armas
Então, fugi do campo de batalha
Quando o sol estava baixo, saí sem dizer nada
Expunha minhas entranhas que, alimentadas de anseio,
Perdido o esteio, abandonava-as no convés

Quando quis o que quis, soube o que era a morte
Que cortava o couro e desfiava véu profundo
Onde estava o norte, velho e forte, nunca soube
De tudo que é escrita, só quero o que me cabe
O resto não resumo, sem posse nem repouso
Por dentro, ouso o sentido de pertencimento
Da bolsa que obriga saber como lhe partir
Depois de crescer, aprendi a resistir

Que faço com este canto que tanto pesa no peito?
Com estes versos afoitos que brotam quando escrevo?
Que faço com esta chama que tanto me queima?
Será que o fogo que consome ainda me anima?

Meu melhor ataque foi minha defesa
Quando o sol estava alto, quis sombra e água fresca
A porta que se abria de passagem foi à tinta
De todo minério, quem nunca viu metais?
Cantais todo mantra que se eleva com o fogo
De onde tudo emana, o céu mais que azul
Fui cantar meu sotaque, qualquer coisa ainda tento
Pro tempo que fulmina, tenho papel e caneta

A vertigem sonora que dobrava minha unha
Era tudo que eu queria quando o sol se punha
Essa febre constante que não me mata a sede
Que não me mata o sonho, não sei por que componho
Desta rosa que tanto pesa, feito pluma de chumbo
Não me reste platitude metamórfica de flor
Fui rasgar meus contratos, qualquer canto mais distenso
Talvez ainda pense no tempo mais que perfeito

Só quem sabe como é triste cantar sozinho
Sabe o quão profundo que lhe atinge o espinho
Só quem sabe ver o louco e ouvir seu uivo
Pode saber o que nele ainda há de vivo
Na madrugada fria, quando estiveres na cama
Lembre dele na praça com uns trapos de coberta
Se no manuseio do que corta, um descuido
Encontre teu reflexo na sua ferida aberta

Ficha: 
Bateria e teclados - Piano Eletrônico 4.3
Gravado com Audacity.
Voz: Juliano Berquó, com alguma desafinação residual. 



Que minha presença no mundo incomode tanta gente quanto for possível;
Que minhas opiniões sejam sempre incompreendidas e combatidas por todos;  
Que eu perca tudo em absoluto, menos esse meu bom humor invejável..! 
Antes que eu morra.



sexta-feira, 30 de março de 2012

Senhor de Engenho no Senado

N'outros tempos, a escravidão era uma coisa legal, dava status ao Senhor dono de quantos mais escravos fosse possível. No Brasil, ainda imperava o latifúndio monocultor de exportação de Cana-de-Açúcar, o sistema de Plantation, semelhante ao do sul dos EUA.

Os tempos mudaram e a escravidão foi posta na ilegalidade pela Princesa (vejam bem, PRINCESA... capaz que se fosse Presidenta, o escravocrata seria da base aliLinkada... ih!!!) Isabel. O Código Penal Brasileiro de 1940, na redação atualizada em 2003 do seu Artigo 149, tipifica a "Condição Análoga à de Escravo". Hoje no Brasil impera o latifúndio monocultor de exportação de Soja (e um tantinho menos de cana-de-açucar) mas ninguém chama mais de Plantation. Agora é "agronegócio" o nome do boi.

O caso é que nesta República faceira acontecem coisas...
Acontece que aquele bico de papagaio abandonado por Goyaz que obteve autonomia, um desejo antigo das elites locais, em 1989, o Tocantis, nos elege um representante acusado de se utilizar de trabalho escravo nas suas fazendas no sul do Pará.

É a 6ª economia do mundo. Que escraviza no campo pra mandar Soja pra China (e outras metrópoles) que, por sua vez, escraviza nas cidades e grandes complexos industriais para exportar pra gente de volta um monte de parafernália tecnológica cheia de obsolescências e bens manufaturados diversos. Como se vê, modelo de economia sustentável pro futuro da humanidade. É a 6ª economia do mundo que, como gosta de pontuar sempre o Senador Cristovam Buarque, não quer pagar 1.420 R$ como piso nacional para os professores de suas crianças.

Sem mais, faça-se a música.



"Senhor de Engenho no Senado"
(J. Berquó)

- Somos todos escravos -
É o que diz a impressão
Exaustiva jornada de trabalho
E restrição da locomoção
É o que diz a legislação
Então, há algo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.

Vivemos em Estado Democrático
É o que diz a Constituição
Pra ser eleito, basta ter pasto
Pro curral eleitoral
É o que diz a eleição
Não é possível, está tudo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.
--------------------------------------------

É uma letra simples com música simples, baseada em 2 ou 3 linhas de cordas, mas que eu não poderia deixar de compartilhar como forma de compartilhar um pouco de minha indignação.

Enquanto isso, está parada no Congresso a PEC 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo, que garante que as terras onde forem encontradas condições análogas à escravidão sejam imediatamente destinadas à Reforma Agrária. Num Congresso cheio de "Ruralistas" e partidos desinteressados por encampar a Reforma Agrária, apenas a pressão de movimentos sociais organizados, apoiada em mídias alternativas, pode garantir algum avanço no sentido de humanizar o campo brasileiro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sempre + Nunca Mais

Sempre + Nunca Mais by JulianoBerquo



Sempre + Nunca Mais

Se eu como, eu cago
Se eu bebo, eu mijo
Se eu beijo, eu cuspo
Se eu corro, eu suo

Se eu amo, eu odeio
Se eu descarto, eu desejo
Se eu quero, eu consigo
Se eu isso, eu aquilo

E é por ser tão simples,
cego e seminal,
É por ser eterno
Anacronismo atemporal
É por ser até logo,
Lógico e letal
É por ser assim
Que eu quero sempre mais
Nunca mais.

Se eu falo, eu escuto
Se eu desço, eu subo
Se eu cresço, eu esqueço
Se eu esqueço, eu esqueço

Se eu nasço, eu morro
Se eu paro, eu corro
Se eu erro, eu corrijo
Se me corto, eu cicatrizo
Se eu inspiro, eu expiro
Se eu isso, eu aquilo
Se eu desisto, inexisto
Se eu existo, eu insisto


Juliano Berquó:

Letra e música (2007);
Guitarras (3), Baixo, Vozes,
Bateria eletrônica (cheia de erros...).


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Desemprego ou Dia do Músico

Dizem que hoje é dia do músico, né...

Respeito os caras que, provavelmente, em 82 ou 83 gravaram isso aqui em Brasília de forma amadora, ainda sem gravadora por trás e tal...

Falo desta que é uma música nunca lançada oficialmente pela Legião Urbana. A conheci por meio do site de contribuição entre fãs, "osoprododragao.com.br" (se não me falha a memória...), na seção de "raridades" da banda. Pela qualidade da gravação, é de alguma demo gravada já em estúdio mas antes do contrato com a EMI.

Reza a lenda que o guitarrista desse período da banda, Kadu Lambach (Eduardo Paraná, no quadrinho do encarte do "Que País é Este?"), dividiu apartamento com a esposa de um primo meu nessa época e a Legião ensaiava lá...

Enfim... Se não fosse por essa música - e digo sem exageros - eu não seria o que eu sou hoje. Foi depois de tê-la descoberto, no começo de 2004, que eu quis (porque quis!!! Afinal, tinha meus 14 anos..) aprender a tocar violão e comecei com a fissura de compor e escrever e tal... lá se vão quase 8 (?) anos...

A letra ainda é mais pertinente pra mim hoje: Parte da "População Economicamente Ativa" não tão ativa assim... Esse fim de curso tá sombrio mas pelo menos ainda tenho música pra ouvir. Também pertinente pela data, afinal, não sou nada além de um músico frustrado com as infrutíferas tentativas de compor uma banda...

Clique no nome da música em azul para ouvi-la.

Desemprego*
(Renato Russo)

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Só esse desespero
Que esqueço quando bebo
E é mais um aumento
Não tenho mais dinheiro
Atraso o aluguel
Mau compro alimento

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Trabalho o tempo inteiro
Estou procurando emprego
Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo

Só esse desespero
Que esqueço quando bebo

Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo...

*Ou "Fábrica 2", como registrada na versão dos Titãs no disco "Renato Russo: Uma Celebração", em 2006.

Essa é foda. Sem mais.

Juliano Berquó.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O que se quer com um mito? Ou os 83 anos de vida de Ernesto "Che" Guevara

E digo vida, pois, morto em 67 na selva boliviana, Che Guevara é uma figura que permanece latente no insconsciente coletivo de todo o povo latino-americano que ousa lutar. Figura esta que, pela lente de Alberto Korda, rodou o mundo no que restava de século XX, sendo considerada pelo Maryland Institute College of Art a fotografia mais famosa de toda a história da humanidade.

No âmbito do concreto, o revolucionário nascido argentino, cidadão do mundo, porém, jogou talvez o mais importante papel na revolução de 59: o de torná-la lenda. Ministro do Trabalho em Cuba, Guevara abandona a ilha para levar consigo a chama da revolução para outros povos. Tentou articular a luta no Congo, onde fracassou e, posteriormente, na Bolívia, onde virou história, pelas mãos dos agentes da CIA.

Da mesma forma que icônico, é protagonista de polêmicas ainda hoje. É chamado de assassino pelos herdeiros das elites sanguessugas que, secularmente privilegiadas, viu ascender nas últimas décadas do século passado inúmeros movimentos de esquerda em toda a América Latina que buscavam, de alguma forma, romper com a histórica desigualdade nos Estados burgueses instituidos de forma excepcionalmente opressora e violenta (em relação aos Estados europeus, digo), a custa de muito sangue escravo indígena e africano. Diz-se da perseguição aos homossexuais em Cuba, acusados de "contra-revolução" e mandados a campos de trabalhos forçados. Quanto a este último ponto, Fidel Castro assumiu a totalidade da culpa em entrevista recente ao La Jornada, aqui.

O que fica da experiência de Cuba e do mito revolucionário é a lição que se tenta aprender nas esquerdas contemporâneas: Revolução não se faz apenas com armas, discursos e economia, mesmo com muita boa vontade. Pelo contrário, só se poderá falar de revolução daqui em diante quando se firmar outro contrato social entre os seres humanos que leve a sociedade a outro nível civilizatório, baseado na cooperação entre os povos e não na sua superexploração para o benefício de poucos. Uma outra mentalidade que ressignifique conceitos como desenvolvimento, sociedade e nação. A nossa pátria há de ser uma só: A humanidade.

Deixo aqui - como certa forma de homenagem pelo 83º aniversário de Che e para lembrarmos que nosso papel no mundo não há de ser apenas o existir não-contestatório, consumidores do modelo de vida imposto - uma canção que eu compus ano passado, onde cito uma passagem de um artigo do próprio Che Guevara, de 1965. A canção se chama "O que se quer" e o artigo é "El socialismo y el hombre en Cuba", que conheci por meio de uma publicação que ganhei de presente da minha avó em 2007, uma revista com vários artigos sobre a revolução, a história de vida de Ernesto e alguns de seus escritos. É um artigo famoso, está em todo o lugar da internet. Coloco aqui uma fonte, digamos, confiável.


"Déjeme decirle, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor. Es imposible pensar en un revolucionario auténtico sin esta cualidad. Quizás sea uno de los grandes dramas del dirigente; éste debe unir a un espíritu apasionado una mente fría y tomar decisiones dolorosas son que se contraiga un músculo."

Ernesto "Che" Guevara
(1928-1967)


O Que Se Quer
(Juliano Berquó)

Sou eu quem acredita na força da palavra
E ao cair em contradição, a minha própria mão,
Navalha que me corta,
Será a juíza da minha conduta torta.
É preciso estar frio e escolher entre a dor
No risco de soar ridículo, eu digo
É preciso estar convicto do amor.

Sou eu quem acredita na força do poema
O dilema da escrita
Sou eu quem acredita
E a palavra se afirma
Com a força da caneta
Sou eu quem a despista
E a rima se apresenta
E se rabisca
Em qualquer letra.

Cante enquanto pode, antes que seja tarde,
Cante e te afaste da escuridão
Escreva enquanto há mão que te oriente
Escreva são e observe.
Verse enquanto houver
Poesia que sustente,
Pois, mesmo sem a flor
Há a semente.

Não vou causar o estrago
Nem serei escravo de mim mesmo
Não vou seguir tais passos
Nem deixarei meus rastros
Pelo meio do caminho
Não vou comprar o plástico
E com os pés descalços
Eu mergulho e o rio é limpo.

Sou eu quem acredita no peso do ar
E, se me der na telha, vou meditar no Tibet
(que é onde estou agora)
E vou embora assim que alçar vôo.

Sou eu? Quem é o poeta,
Senhor destas linhas?
Quem está onde estão as poesias?

No silêncio entre as linhas
E na sombra sob as línguas
E nas nuvens sob o céu... da boca
Entre os troncos retorcidos
Entre as folhas sobre o chão
No não e no gemido,
Estão todas as palavras que eu busco
O refúgio que alcanço
Por meu suor

Sou eu quem acredita na palavra por ser dita
Escondida na entranha da garganta
E não adianta reclamar se a palavra é repetida
Pois, ainda que esta seja, está despida.
Sou eu quem acredita, e ainda tenho fé
Pois, tudo é o que é e haverá de ser
O que se quer.


¡Hasta siempre!
Juliano Berquó.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pra Longe do Sertão

Olá!

Pra fechar o ano, canto uma viagem (ou uma fuga, depende do ponto de vista) e aqui a divido com os presentes. Chama-se "Pra Longe do Sertão", algo que eu escrevera despretensiosamente nos fins de 2005, tendo musicado por volta de 2007 e gravado em setembro de 2010. A ideia era que fosse uma coisa que lembrasse um baião... Queria lembrar o valor da nossa cultura nacional, além de que sempre me fascinou a estrutura melódica e rítmica da música nordestina.

Fica então aqui registrada.

Pra Longe do Sertão by JulianoBerquo

Pra Longe do Sertão

Eu sou pobre
Eu sou rico
de espírito.

Eu sou bandido
Eu fui banido
do paraíso.

Eu quero ir embora
Pra bem longe do sertão
Eu quero fazer isso
Pra curar meu coração.

Na mala eu levo uma certeza:
Por aqui não se vê mais estrela.


Juliano Berquó.

sábado, 13 de novembro de 2010

Por ventura, a técnica

Olá!

Hoje venho falar um pouco da minha área de atuação. Pra quem não sabe, quem cursa geografia, pode ser professor (que é o meu objetivo) mas também tem algumas outras possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Uma delas é a cartografia. Eu sempre gostei de mapas, desde moleque. Cheguei a desenhar alguns mapas temáticos quando garoto, nada que eu imaginasse fazer profissionalmente um dia. Hoje em dia, o faço, apesar de o fazer com certo desgosto que não me cabe aqui discorrer.

Enfim... um dos mapas que eu sempre quis ver era o da divisão político-administrativa do Distrito Federal. Outra vez, pra quem não sabe, no DF só há UM município: Brasília. Mas é subdivido em, atualmente, 30 regiões administrativas (RA's), que podem ser chamadas de cidades-satélites. Apesar deste nome ter sido abandonado pela administração quando o Cristovam era governador, justificando-se ele ser fruto e gerador de preconceitos, em termos de análise acadêmica da dinâmica espacial de Brasília, ao meu ver, faz muito sentido.

Ao longo de meu curso de geografia, encontrei em alguns documentos oficiais esboços desta carta que eu procurava mas sempre incompletos de informações e incoerentes.

Falta (ainda não encontrei) um mapa oficial do governo que defina claramente os limites de cada RA. De fato, há ainda conflitos entre as administrações regionais acerca dos seus limites, como no caso Taguatinga x Águas Claras, em que nenhuma das duas administrações quer ficar com o bairro de baixa renda, Areal.

Nas últimas férias, no mês de setembro (devido à última greve), tomei a iniciativa de produzir este tal mapa, utilizando-me dos dois mapas-esboço aos quais já tinha conhecimento e das informações dos sites das administrações regionais. Comecei por vetorizar cada RA por meio do Google Earth (ferramenta "caminho" que, para este fim, constroi polígonos). E esta é a parte longa e chata do trabalho... mas chega a hora que a gente termina de vetorizar Planaltina e tudo fica mais legal!

Findas as vetorizações de todas as RA's, os exporto como KML (ou mesmo KMZ) para o ArcGIS 9.3 que, apesar de ter infinitas outras funções (as quais eu mesmo ainda desconheço muitas), eu utilizei apenas para extrair uma carta em branco com os vetores, já em PNG.

Abro este arquivo de imagem PNG no paint, brinco de colorir, coloco as legendas, vejo se tá tudo certo e...

Voilà!
Só pra reafirmar: Este não é um mapa oficial. Como disse, foi baseado nas informações não muito confiáveis de dados do Governo Distrital (!) e, possivelmente, um futuro hipotético mapa oficial pode vir a divergir deste em algo.

O fiz por esporte, por puro prazer, pra satisfazer uma vontade minha. Outra coisa: Sou bacharelando, não bacharel, como afirmo no mapa. Mas já to me garantindo, afinal, me formo ano que vem.

Quem tiver interesse em reproduzir este mapa pela internet, o faça! Se der, lembre de dizer quem gastou tempo pra caralho pra fazê-lo, ok?!

Um abraço,
Juliano Berquó.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dia Primeiro

Olá! Faz tempo que não dou minhas caras por aqui.. venho hoje tornar pública mais uma de minhas canções.

Esta canção me veio à cabeça no dia 29 de abril (2010), véspera do dia do trabalhador, porém, terminei a letra (e gravei a música) apenas por volta do mês de agosto. Inspirado pela força do simbolismo de termos um presidente-operário discursando no dia do trabalhador, não lembro exatamente em qual evento, escrevi estes versos aproveitando para utilizar metáforas ("ontem à noite a estrela não brilhava mas amanhã virá o sol da liberdade em raios fúlgidos de amor e esperança") como forma poética de crítica ao governo do PT que, em diversos momentos nos últimos oito anos e a cada dia mais na gestão da Dilma Roussef, se mostra perverso em relação às esperanças dos trabalhadores em mudanças estruturais no Brasil e dilui cada vez mais a força daquele simbolismo. Procurei fugir do tom a que chamam de 'panfletário' e não falar dos trabalhadores de forma tão genérica, como figuras sem rosto. Logo, tentei transpor a minha realidade à canção e chamar os que me ouvirem, por ventura, à discussão e à luta.

Pode (deve) ser entendida como uma ode às 36 horas!

São duas guitarras base, uma solo no meio da música e o baixo costurando o som. Além da minha impecável voz!!!!!!!!!!!!!

Dia Primeiro by JulianoBerquo

Dia Primeiro


Hoje, a partir da meia noite,
Amanhã o dia inteiro,
É dia primeiro.
Ontem à noite a estrela não brilhava
Mas amanhã será o sol da liberdade
Em raios fúlgidos
De amor e esperança.

Hoje o dia foi de cansaço
E os galos matinais anunciavam
O apocalipse.
Mas agora a noite é de descanso
Enquanto o ranço está lá fora
À nossa espera
Com os olhos de fera.

O que se pode fazer com tão pouco?
O que se faz aqui. se faz com gosto!
O que se espera que surja de novo
Se o que está posto é o mesmo?

O que fazem todos com tantas certezas?
O que se busca com tanta pressa?
A quem interessa esta corrida incessante
Se o nosso tempo é tão curto?

Trabalhador erga sua voz
Trabalhadores somos todos nós
Trabalhador siga sua luta
Dilapidando a força bruta

“Hoje acaba uma guerra – não.
Acaba uma batalha.
A guerra vai continuar.
A guerra é destruir esse muro
que separa você das suas aspirações.
Talvez muita gente não entendeu o que eu falei aqui.
E eu to falando pro futuro.
Não to falando nem pro presente horrível que nós temos,
nem pro passado.
Eu to falando e pedindo a vocês: jovens, pensem grande.
O impossível torna-se possível se você quiser.”

(Edição sobre as Considerações Finais do candidato a presidente pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, no debate da Rede Globo, em 30/09/10)

Ontem, o mundo era um desenho
No mapa da escola
Mas agora
Eu sei que o longe
É um lugar que não existe
Ontem as letras eram tristes,
Só figuras nas folhas dos livros
Hoje fazem sentido
Porque outro mundo é possível

Serei trabalhador da educação
Assim que concluir minha graduação
Trabalhador da arte enquanto
Eu acreditar naquilo que eu canto

Juliano Berquó Camelo,
Celebrando minha filiação ao Partido Socialismo e Liberdade, PSOL-DF.

sábado, 5 de junho de 2010

Não se guarda flor no bolso


Isso não é um poema
É no mínimo um canto
no máximo um grito
no entanto, escrito.


Não se guarda flor no bolso

À Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Cristovam Buarque
e tantos outros que trabalham
e trabalharam pelo Brasil que haverá de vir.
À Universidade de Brasília, enfim.


Não se guarda flor no bolso.
É um alto risco de um alto dano
como se guardassem por baixo dos panos
a paisagem tropical, o amor..

Roubada de um canteiro desta universidade
onde a liberdade sempre mais é o anseio
Não se guarda dor no peito
Nenhuma flor no bolso.

Não se guarda o poema todo
na ponta da caneta:
ele arranha e se irrita,
faz que vai mas fica
engatilhado no átrio esquerdo

Não há tempo imperfeito
pra se lutar de coração...

Juliano Berquó.

E também, dedicado à todos nós,
os pequenos nomes, que lutam a cada dia
por uma universidade e um país melhores.


*Foto de minha autoria:
"Flor vermelha no ICC norte, UnB",
Fevereiro de 2010.

sábado, 8 de maio de 2010

Cara-de-Pau

Na cara de pau, apareço aqui agora.
Desde de fevereiro me ausento.
Não há justificativa.
A Universidade de Brasília, a minha UnB,
está em greve geral desde o dia 9 de março (terça-feira), a despeito de minhas aulas no departamento de geografia só terem paralisado formalmente na segunda-feira posterior, ainda assim.
Não há desculpa, não estou empregado em nenhuma atividade formal ou informal, não recebo nada no fim do mês, é bem verdade, nem ando sabendo o dia do mês em que estamos. Tive algumas ocupações: mudanças de domicílio, de domicílio eleitoral; o tempo livre que sobra me divido entre acompanhar o mundo ao espaço virtual, curtir meu ócio criativo, corridas vespertinas, estar com maíra, enfim. E o que mais me invade as temporas: tocar-compor-gravar!
É esta a tríade, às vezes a ordem varia mas quase sempre é a que está posta.

Logo, novamente na cara de pau, peço perdão pelo sumiço. Perdão à quem me segue, que seja, a mim mesmo por abandonar meu blog desde à epoca da prisão do Arruda! Putz.. o cara até já foi solto, porra..

Enfim.

Acho que vou votar no Psol pra presidência. Mas só acho. Ainda não me decidi. Puta falta de opção este ano!

Serra-PSDB? Nem se me arrancassem 3/4's do meu cérebro dias antes da eleição. Por motivos que de tão óbvios me furto a expôr.

Dilma-PT? Bem.. é difícil. O PT traiu a todos nós. Pessoas importantes, de fibra e respeito abandonaram o PT (Cristovam-PDT, Marina Silva-PV e até um partido inteiro, o PSOL) por seu rumo já incerto tomado há alguns anos. Vejam só: Michel Temer-PMDB vice-presidente na chapa da Dilma?! Que País é Este?!? Logo o PMDB?! O PMDB que até setembro do ano passado, ou seja, ontem, era o partido de Joaquim Roriz?! Puta que te pariu, PT!!!! O PMDB do Imperador do Maranhão?!
No plano regional, meu voto é praticamente certo para o PT na figura de Agnelo Queiroz já que a presença do já referido demônio.. digo.. Roriz na disputa (e o cara tem voto pra caralho aqui no DF) forçou todo mundo da esquerda (PT, PSB, PDT, PcdoB e mais uns aí) a se aglutinar em torno da figura do Agnelo. Ele é carismático, tem carreira, história. Mudo meu voto apenas se o PT-DF aceitar a aliança com o PMDB-DF que, já disse, até ontem era de Roriz e este ainda tem suas garras por lá.

Marina-PV? Poxa.. Ela tem uma proposta interessante de crescimento sustentável, costuma dar relevância a educação em seu discurso. Mas tenho meu pé atrás. É o PV do Gabeira, aquele fantoche carioca que no rio se abraçou ao DEM, PSDB e PPS pra não afundar na guanabara. Além de ter algo nela que me dá desconfiança. Talvez também por ter deixado o PT ano passado e entrado nessa onda duvidosa do PV. Não consigo crer.

Plínio-PSOL? Nunca tinha ouvido falar do Plínio, coitado. Pela primeira vez, foi agora no início dos arranjos dos partidos para as eleições acompanhado da notícia do racha interno do PSOL que queriam alguns Heloisa Helena e esta por sua vez queria apoiar a Marina... teve uma briga pra decidir o candidato, até acusações internas. Que seja. Pode-se dizer que um partido pequeno e que já começou o ano rachado não tem lá muitas chances no cenário sujo que se anuncia.

E acabaram as opções?!
Claro que não mas é o que a grande mídia faz por nós: o primeiro turno antecipado. As mega alianças promíscuas descritas aí em cima demonstram que é inclusive muito cômodo para os grandes partidos este papel que se presta nossa grande imprensa.

E é importante que todos estejam atentos ao papel da mídia neste ano!!! Canto a pedra e não canto sozinho. Procurem aí no twitter e na blogosfera, tem gente ligada na sujeira que já assombra.

E também, sejamos sensatos. PCO, PSTU mais uns micro-partidos de direita que lançam candidatos independentes não ganhariam eleição presidencial neste país nem se chovesse canivete de ouro.

Os cenários regionais já são mais certos: Senado, Cristovam Buarque-PDT e Rodrigo Rollember-PSB. Câmara: Reguffe-PDT. Não sei mais quem vai concorrer mas tem um pessoal interessante aqui. Espero o início oficial da campanha pra decidir de uma vez.

Acho que o título da postagem, que já chega ao fim, já tem mais sentidos do que ao início da mesma.
Acho que não sou o único cara de pau por aí não... Mas prefiro a minha cara de pau que não faz mal a ninguém.

Deixo um recado ao cenário político que se anuncia: Vão se fuder.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fuga

Tenho fugido deste blog
como o diago foge
do rock de hoje em dia.

Pois bem, estávamos em greve, eu enquanto categoria de estudante, e os professores da minha universidade, a UnB. Os servidores ainda estão. E o caos impera.

Culpa também das horas que eu gasto no deficitário (à enesima potência) transporte público de Brasília.

Fiquem com um pequeno, humilde poemeto escrito em uma noite febril.

Fuga


Há algo em mim que é falta

Me sobra um buraco no peito

Já nenhum som me agrada

E o silêncio já não me diz nada


Há algo de viciante

No que antes era perfeito

Um dia, eu quis ser tudo

Tenho medo de hoje ser mudo


Há tempo por demais obscuro

E agora busco por noite a dentro

Subo na torre mais alta

Mas há algo em mim que é falta


Entre as nuvens há só uma estrela

E a luz vagueia pela madrugada

Há algo em mim neste dia

E não posso fugir da poesia



Juliano Berquó.

Boa noite, virtuais seguidores.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"É o demo, o demo, a demó..

É a democracia.

Democracia que me engana
na gana que tenho dela
cigana ela se revela"
(Democracia, Tom Zé, "No Jardim da Política")

Transcrevo aqui um pequeno trecho de um diálogo, inserido num discurso de Cristovam Buarque (PDT-DF), Senador pelo Distrito Federal, entre este e o Senador Epitácio Cafeteira, PTB-MA.
Para quem não é de Brasília e não acompanha a política, Cristovam Buarque é professor, primeiro reitor da UnB na redemocratização em 1985 (orgulho para todos nós!), eleito Governador do DF em 1994, tendo perdido a reeleição para Joaquim Roriz, que já havia sido nomeado, por Sarney, Governador do DF em 1988 e eleito em 1989. Roriz é uma reconhecida "raposa" política de Brasília, como é o próprio Sarney no Maranhão, o morto ACM era na Bahia etc. Inclusive, pretende com seu discurso vazio, cheio de demagogia, voltar ao GDF agora que Arruda se fudeu legal.

Com tudo o que se passa em Brasília nesses últimos meses (pode-se ler anos sem muita mudança de sentido) e com a lucidez política daquele referido, me dou a liberdade e, em verdade, publico:

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O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - Mas V. Exª há de reconhecer que, pelo trabalho que fez em Brasília, não poderia ter perdido eleitoralmente.

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - O povo é soberano. O povo sabe como vota.

O Sr. Epitácio Cafeteira (PTB - MA) - V. Exª, sem falsa modéstia, foi um grande Governador de Brasília e de repente perdeu a eleição - existia aqui a luta - para um Senador que renunciou por um erro no Senado, que de repente chorou e o povo não se incomodou com o que aconteceu e o elegeu e o resultado está aí.

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT - DF) - Obrigado, Senador. É muito gentil de sua parte, mas, quando eu perdi, eu cometi os meus erros. Não foi o povo e o eleitor que cometeram os erros. Fui eu que cometi os erros, nem que fosse por não conseguir seduzi-lo para minha proposta. O povo é soberano e o povo aprende cometendo os seus erros.

- Extraído do Blog do Senador Cristovam (Cristovam convoca forças sociais para reinaugurar Brasília - 24/02/2010)

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Vê-se aí, em um resumo claríssimo, o que pode ser chamado de democracia. A tal lucidez a qual me referi, que, inclusive, dialóga bastante com a canção genial de Tom Zé.

E quando li este trecho do discurso do Senador, lembrei-me também de um pressuposto da educação (pedagogia) contemporânea, que tanto já vi em 2 anos e meio de estudo de licenciatura na UnB:

Os alunos "fracos" não o são por natureza imutável, mas sim, por seu professor, ainda que munido de conhecimento e boa vontade ao longo do processo escolar, não ter encontrado a didática certa para cada caso de aluno em dificuldade.

(Perdoem-me a falta de referências à afirmação acima. Agora, tenho preguiça! Posso passar alguma coisa depois.)

Realizei Cristovam como sendo então o professor de Brasília e, num momento específico (o qual não cabe a mim julgar, pelos meus 20 anos, não vivi nem sei ao exato o que ocorreu naquelas eleições de 98), ele perdeu a atenção de seus eleitores, por mais que a sua proposta tenha sido em uma análise mais completa, a melhor.

O próprio Cristovam disse, em entrevista ao Jornal Nacional (muitíssimo tendenciosa e injusta, diga-se de passagem, não achei link para o video) como candidato à presidência da república em 2006, que Roriz ganhou, no 2º turno e por pouco, porque prometeu um aumento ao funcionalismo público do DF que, inclusive, não ocorreu após a eleição.

Agora, em 2010, o nosso professor pede a todos os seus alunos que lutem por uma reinauguração de Brasília. A reinauguração da ética na política e nas prioridades da administração pública.
O que será que a escola de Arruda tem a dizer sobre isso?
Veremos em Outubro. Até lá, um Infinito Outubro.
Até lá, haveremos de aprender..

Juliano Berquó,
Geografia, Bachareladando/Licenciando,
Universidade de Brasília.

Obs.: O texto deve ter milhares de erros de digitação e de redação mas tá tarde e eu estou cansado. Depois eu edito o que for percebido e preciso.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A José Roberto Arruda



A JOSÉ ROBERTO ARRUDA
*


José Roberto Arruda
Tua sina faz-se clara
Não bastou bancar a câmara
Pra limpar tua cara suja.

Arruda, não bastou
Superfaturar as obras do Metrô,
Teu criador** já está vindo
Devorar tua carcaça.

Arruda, as ameaças
De teus escravos aos protestantes
São apenas aditivos
À luta incessante.

José Roberto Arruda
É tua sina, teu calhorda!
Agarra-te à corda
E mergulhe ao suicídio.

José Roberto Arruda
Este foi só o início,
A aurora da justiça.

Postiça é a moral
Dos que admiram
O seu suplício.

Tua hora é agora,
José Roberto Arruda.
Pandora te reserva
Uma cela na Papuda.


Juliano Berquó.





*Faz referência à um trecho de um grande poema, "Dentro da Noite Veloz",
de Ferreira Gullar (Trecho abaixo):

"Ernesto Che Guevara
Teu fim está perto
Não basta estar certo
pra vencer a batalha.
(...)"

Claro, Arruda não é Guevara.
São dois pólos opostos.

E Juliano não é Ferreira,
são duas potências diferentes
mas, de pólos iguais.

**A referência à Joaquim Domingos Roriz não significa minha simpatia política à este. Muito pelo contrário. Este é um blog historica e declaradamente Educacionista. Também estou na batalha pela educação como motor do desenvolvimento.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Pulando o Carnaval: "Hallow Evening"

Olá madrugada,

No dia de ontem, 11 de Fevereiro, a tarde e o começo da noite anunciaram novas páginas nos futuros livros de história: o primeiro político PRESO, ainda no exercício da função.
Foi indescritível o sentimento de orgulho do povo brasiliense naquela noite e nas horas que se seguiram hoje com o indeferido Habeas Corpus ao Governador corrupto.

Foi um fato importantíssimo, pois, mostrou ao Brasil que em Brasília há sim justiça e gente esperançosa pelo bem, que luta pelo bem comum e acredita na atividade política por excelência, e que a democracia brasileira se limpa, passo em direção ao futuro.

Foi importante também para a autoestima do cidadão do Distrito Federal e ficou a sensação, a certeza de que Brasília há de ser para o seu povo.

Em Brasília, há de se concretizar a razão pela qual a mesma foi planejada, projetada e inspirada: Um exemplo de administração pública a ser seguido no país. Um motivo de orgulho e símbolo da união nacional. Uma cidade que congrega cidadãos de todos os estados do Brasil, a cara do "ser brasileiro", ainda e sempre tão em crise.

E, com isso, uma esperança mais concreta de uma mudança radical na política, em todas as esferas da República, neste ano de eleições. Tanto nos estados quanto no DF e na própria presidência da nação.

No início da noite (no fim da tarde) do dia 11 de fevereiro de 2010 o sol ardia em justiça e o povo aqui nessa terra tão pequena enchia seus corações de fluida coragem na luta pelos signos da ética. A história se escrevia pela mão de cada um que lutara e se perpetuava em códigos html, na liberdade individual que a nova era propicia.

Viva Brasília - Não é apenas um nome de empresa de ônibus da capital.

Viva Brasília, exemplo e orgulho para o país.

Viva Brasília e seu povo.

Hallow Evening
(Juliano Berquó)

Staring to the airplane
above my head
flying over the wings
of this city that belongs to me..

Staring to the sunset
on the infinity horizon
I wonder how it does
I wonder how can it be...?

And I feel kissing my skin
This cold night wind
In sky, I realize

The first star of night
Besides the moonlight
How I wish I could fly
But my weight is too high

Juliano Berquó

*Perdoem meu simple english,
a qualidade da gravação
e também meus "simple guitar solos".

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Poesia Necessária...

Devo novas postagens..
tenho muito a dizer e pouco tempo livre o suficiente pra me dedicar de alma à este espaço.

Mas...

Já fica aqui um 2010 de muitas conquistas à todos. Em 2010 e sempre.

Me despeço com um poema velho, corroído como em sal:


Poesia Necessária

Eu preciso de uns versos
Como nunca antes precisei
E já que hoje a noite
Cheira à poesia,
Faço dessa fria brisa
Aprazível e terno verso.
Eu preciso, eu confesso..

Eu preciso de uns versos
Que há muito suprimidos
E corroídos como em sal,
Vêm tapeando o narciso
Contra o espelho facetado
Do aço, o ferro a enferrujar.
Eu preciso de uns versos
Só o mar já não me basta..

Eu preciso de uns versos
Que pretendam me creditar
Que o refletido do espelho
Não é o último no mundo,
Que os desejos só são os frutos
Do hábito de estar.
Eu preciso de uns versos
Versos de amar.


Juliano Berquó