quinta-feira, 2 de abril de 2015

Da Psicologia - "A Minha Casa"

Eu costumava "pensar", até meus 22 anos, que a depressão e quaisquer outras questões da psicologia/psiquiatria eram blefes, exageros e todos os outros pré-conceitos das pessoas desse nível. Jactava-me de resolver minhas inquietações, esquadrinhar com excelência os tabuleiros de minha psiquê. Naïf!
Até que vivi, em determinado momento, uma tensão tão larga e profunda em minha vida que afetou a minha saúde física - o meu sistema imunológico -, instando-me a reconhecer o valor de tais questões: a minha saída da UnB, o meu nascimento dado à luz pela minha alma mater. E fora apenas um prelúdio! [Marca temporal: "Orgânico", Concreto Armado]

Pois, no ano seguinte abriu-se um abismo - o maior que havia visto até então - sob os meus pés; quase podia sentir a brisa gutural que vinha de baixo, assoprando tenebrosos assobios em meus ouvidos. Era uma madrugada terrível - da qual viria a Aurora. Mas, até que ela viesse, eu tive que enfrentar tantos monstro mitológicos quanto fossem possíveis. Por vezes, me via em um labirinto de vícios e fugas que me afastavam da luta inescapável - eu relutava em testar minha força e pegar em minhas armas. Tombei e, no desespero, procurei ajuda: encontrei a psicóloga linda. Até então, já havia tateado em todo canto do meu quarto escuro e nada: tudo me arrastava pra baixo. O "espírito do peso" de Zaratustra, a "Pluma de Chumbo"; e, nos últimos tempos, o "Sumidouro" (mas que bom que sou um bom nadador!).

A psicologia é um arremedo de ciência humana e biológica. Segundo alguns mais críticos, uma arte falseadora da filosofia - caso de Freud para com Nietzsche, por exemplo. TODAVIA, vejamos as condições do mundo em que vivemos e entenderemos como as pessoas gastam 125 R$ por hora de conversa com alguém que se abra a ouvir nossas angústias: Onde estão nossos amigos? No facebook, ocupados em publicizar seus hábitos de consumo, um hedonismo medíocre; nas mesas de restaurantes universitários e bares - amizades por conveniência, por egolatria - pessoas que tomam a seus "amigos" como bibelôs das opacas vitrines de suas virtudes sociais - gente pequena que a tudo apequena, anões plúmbeos! Desses amigos, sempre mantive sanitária distância. 

De espécie diversa - aqueles que sempre me agradaram a companhia quando, mesmo depois de anos de distância, vivenciamos a experiência do comum com a mesma intensidade - os que se abrem como piscina ou cachoeira ou mar para um mergulho ou que são, eles próprios, mergulhadores de fôlego e destemidos desbravadores de profundezas - acabei de descrever-me a mim mesmo -, estas são, sim, amizades que valem a pena e que podem, dadas as circunstâncias da fortuna de um, contribuírem para o edifício de uma fortificação em alguém. Estes amigos, desnecessário dizer, são raros, pois, é rara a sua grandeza. Outrora, são eles próprios contraproducentes - como uma água turva em que se deve desconfiar do mergulho. Aí, exige-se de um o filtro para tal turbidez - um filtro da moral: se se der ouvidos à moral, que em nosso peito ela não se abrigue; que não se deixe molhar os pés na lama.

Ora! E pagaremos para recebermos um julgamento moral?! Pois, é isso a psicologia! Pagar pela satisfação da lascívia é mais digno!

Entretanto, não me é dado o prego de crucificar ninguém: todo erro é uma oportunidade para aprendizado - este é o pressuposto, o primeiro instante do conhecer: ignorar. Se um se encontrar sob a opressão de uma bigorna no peito; do mundo sobre as costas; a lâmina sob os pés; a espada sobre a cabeça, - ora, que se vire! Use as armas que tenha em mãos! Um psicólogo, que seja!

A psicóloga linda, ao menos, nutriu minha vista de beleza e de uma inteligência admirável, era um prazer caro estar com ela. Mas, não sei dizer até que ponto; em que medida ela contribuiu para a minha batalha. Talvez, me disciplinando a ter mais paciência com o tempo da minha verdade interior [Marca temporal: "Aeternum Phoenix"].

Pois, tive que debulhar muitos frutos podres que enlameavam a minha terra e fazer deles adubo; muitos cadáveres insepultos e outras moribundas figuras que me apareciam pelo caminho - e de tudo fazer corda para minha guitarra; das pedras no caminho, marcas da trilha e apoios de descanso. Tive que matar meu pai em mim: para tal, tive eu mesmo de ressuscitá-lo - aquela ave agourenta! Minha mãe, dela já havia me afastado com um golpe sangrento no ventre: cortei o cordão eu mesmo. Tive que nascer de novo - ir para além da minha origem naquilo que chamou a si mesmo um dia nobre: para além do bem e do mal, por intuição. Tive que matar o medo da Tragédia e admirar a sua beleza. Pois que é ela o meu caminho. Não peço a ninguém que siga meus passos e venha trilhá-lo, a ninguém além de mim é ele devido.

Tive que decifrar meus pesadelos, despi-los de seu terror e encará-los como sonhos - mensagens do meu eu-interior, o ser uno-primordial acenando através do meu sono: O tornado à minha frente que a tudo dragava, contra o qual eu tentava salvar a quem me era querido - a minha melhor amiga; as fantasmagóricas figuras de crânios em chamas, de quem eu dissimulava a admiração nos becos escuros, com vergonha. Tive que matar a vergonha que tive de mim mesmo. Tive de perdoar-me.

Hoje estou sóbrio e só. Não acredito em fantasmas desde a segunda infância; não vejo mais cadáveres putrefeitos pelos cantos de mim mesmo. Tudo foi arejado pelo tempo, que trouxe as bactérias necessárias à decomposição das folhas daquele outono. E posso florescer, ainda. Agora eu [re]conheço que tudo retorna eternamente em trajes e danças diferentes e eu amo o meu destino. Agora, estou, e me sinto, em casa.

 
A Minha Casa

A minha casa é qualquer lugar
Em que as paredes puderem testemunhar
A minha fortuna e a minha ruína
Em busca do elixir vou cumprir a minha sina.

O meu palácio onde posso ordenar
Que o silêncio altivo venha me adornar
O meu banquete pro meu paladar
São livros e discos que eu possa devorar

De tão são, até perdi a razão
De tão santo, até perdi o encanto
Tão veraz que cri uma vez mais
Na magia em que até a ciência acreditaria


O meu casulo de onde devir cigarra
Metamorfose que faz da guitarra asa
O meu cantar cresce em mim pra voar
E ao romper o escudo estou pronto pra tombar

A minha concha pérola esconde
Brilho lustroso por entre visco asqueroso
Se eu findar-me em vitrine disposto a ornamentar
Como vou lamentar entre os porcos chafurdar?

De tão são, até perdi a razão
De tão santo, até perdi o encanto
Tão veraz que cri uma vez mais
Na magia em que até a ciência acreditaria


O leito em que deito desafiado por sonhar
É de pedras que arrasto pelas curvas que escavo
Serei profundo ou apenas a água que turvo?
Quando vou decantar no abissal do mar?

De tão são, até perdi a razão
De tão santo, até perdi o encanto
Tão veraz que cri uma vez mais
Na magia em que até a ciência acreditaria

O lugar pra onde quero ir, o lugar que preciso
Se ele não existe, então, terei de criá-lo
O lugar que existe a partir do momento em que crio
É o lugar em que eu finalmente caibo.

domingo, 15 de março de 2015

SOBRE OS ATOS DE HOJE

Brasília, 15/03/15

1) O NACIONALISMO desse pessoal deles me opõe frontalmente e nos distancia anos-luz. O que pode representar o apelo nacionalista, senão, no fundo, mesmo que inconscientemente, ódio de classe? Porque o Brasil desse pessoal não é o mesmo dos favelados, dos índios, dos quilombolas, dos serviçais que pululam em todo o canto de nossa economia, suspeito. Mais além: porque o nacionalismo é importante? Em que medida isso é necessário para a psicologia de um povo? Nós, aqui deste lado, ainda mantemos acesa a chama do internacionalismo, da defesa de toda a humanidade, e penso ser esse um valor que não se deva desprezar.

2) O APELO À RESTAURAÇÃO DA ORDEM: Bem, devemos enxergar a classe que viu interferência na sua ordem de privilégios: a classe média, fundamentalmente. Porque para o grande capital, lucram "como nunca antes na história do país". Para as classes trabalhadoras de estrato de renda mais baixos - acesso à crédito e facilidades de consumo que ampliam o horizonte do desejo de ascensão política e econômica - aqui está a chave do Brasil hoje. Não tem como voltar atrás!
É compreensível o mal-estar da classe média. Tantos de nós aqui, amigos, também não nos encontramos nesse estrato de renda e sentimos as mesmas consequências econômicas? O problema é que nossa crítica não passa pela "restauração", mas, sim, pelas VERDADEIRAS transformações econômicas, que, sob a tutela petista, são simulacros de mudanças vergonhosamente tímidas! E que por elas paguem os PEIXES GRANDES - aqueles que financiam campanhas, que regulam a balança comercial - e não a classe média assalariada apenas, que, ao fim e ao cabo, não é nada além de um monte de gente devendo a vida - casa e carro - aos bancos. Esse pessoal, a história mostra, vão com os ventos da economia para onde quer que elas os leve.

3) O DISCURSO DE ÓDIO não apenas ao PT, esse cristo pregado de hoje, mas a todos os que não lhes parecem similares. Assim, não há debate guiado pela racionalidade, pela discussão OBJETIVA de problemas nascidos no espaço COMUM, políticos e econômicos. E também tantos de nós, na esquerda, não conseguimos nos estabelecer prontos para um debate? Quantos grupos de esquerda não são apenas estética sectária? Aí reside um outro fundamental problema: a comunicação - paradoxalmente - na era das redes. Capturados pelo facebook - onde falamos com espelhos, imaginando multidões -, no cotidiano dos espaço públicos de convívio, no trabalho, escolas, etc., como anda o nível das conversas?

4) O DISCURSO RELIGIOSO entremeado ao discurso "político". Em que momento e lugar na história isso contribuiu para a construção de uma silhueta de democracia, que fosse? Que os deuses nos ajudem nesta cruzada!

5) A DIVERSIDADE de opiniões dos vários grupos que se colocaram reivindicando os atos do dia 15/03 é, talvez, o único ponto positivo. Apesar da minha discordância fundamental, aí reside outro ponto chave para o desenvolvimento da política, para retomar o bom debate. Nem todos são golpistas fazendo elogios à ditadura militar, nem todos são obtusos cheio de ódio. Nem tudo está perdido.

Como disse antes, a política petista é objetivamente responsável pelo estado do debate político hoje.

terça-feira, 3 de março de 2015

A Minha Hora Mais Silenciosa

De repente, de coração apertado pelo sussurro da minha hora mais silenciosa, me vi quase que em um lamento:

- Ah, se eu houvesse descoberto as virtudes das artes mais cedo em minha vida... ou o sentido da terra!
Quem sabe o que seria de mim hoje? Um atleta ou artista profissional? Será que minhas artes poderiam pagar minhas contas? Será que eu poderia encampar carreira de um corredor, nadador, poeta, músico, o que seja..? Alguém que gozasse da plenitude da vida? Que vida levo eu, então? É a vida que eu quis, decerto - mas é a vida que eu quero?

Com isso, não quero dizer que meu desejo, hoje, é menos pleno, menos forte - exatamente o contrário - e justamente por isso que me permito deitar sob o portal do instante imenso e olhar para trás: pois, sei que há ainda o infinito à minha frente.

Libertei-me de um jugo. De um não!, vários! Ora, de quê importam para vós, amigos? Estou livre para quê? Para me atar ao jugo do tripalium?

Esse é o sussurro que me dilacera os tímpanos; me estraçalha os ossos dos ouvidos.

Quero encarnar o sentido da terra! Quero, enquanto criador de conceitos, fazer da arte o meu ofício!

Ah, perdoai-me, amigos, pois que a partir de hoje terei que utilizar-me novamente do ~corpo-sem-órgãos~ que construí para mim...
Enquanto, hoje, não queria fazer da vida outras coisas que não compor, tocar e cantar; correr, pedalar e nadar! Sob o sol, amigos! Sob o hálito morno do sol, que é como o meu próprio, cheio de amor à terra; como eu mesmo, um amor que se dá e, assim, toma para si as coisas mais belas.

Ó, amigos! Perdoai-me! É só o gelo da noite a esfriar os meus ossos... Aurora vindoura!

Esqueletos Hodiernos e Seus Acenos Pavorosos

Pois bem: do homem mais covarde que reconheci sobre a face da terra; de uma água que se turva para pretender-se profunda - a saber, aquele a quem a biologia me chama de genitor - poderia apenas, e somente, brotar a mais elevada coragem; a assassina mais violenta; o mais efetivo ataque; que ri da morte e diz: "Foi isto a vida? Muito bom! Mais uma vez!" - eu mesmo!

Pois que pertenço à linhagem dos que se reconhecem herdeiros de forças milenares - destruidoras de ídolos e criadoras de sentidos! - tal qual o próprio Nietzsche, a quem peço perdão pela vulgarização de sua estética. Nietzsche, aquele que retorna eternamente em mim, e haveria de ser grato por tanto! Como eu sou.

"Em meus filhos quero reparar o ser filho de meus pais: e em todo futuro - este presente!

Assim falou Zaratustra"

O Anti-Petismo e a Crítica Pela Esquerda

Perfeito. O anti-petismo é uma forma de manifestação do ~pensamento~ conservador que é, ao fim e ao cabo, anti qualquer coisa que lhe pareça ameaçar os privilégios de classe e/ou suas convicções morais; qualquer coisa que se proponha reorganizar as relações sociais de produção. 

Taí: quando o PT ruir - cedo ou tarde, isso acontecerá... - todos nós, os socialistas, teremos de lidar, e aí será bom estarmos BEM PREPARADOS, com esse ódio ignorante, despolitizado e, até lá, com todos os instrumentos de poder do Estado de volta nas suas mãos - para nos torturar e jogar de aviões de novo? Quem sabe?!

"Onde já se viu um ex-guerrilheiro levar um partido de massas ao poder no Brasil? Não sabe ele que essa terra tem dono?" - E de nada adianta explicar que os governos do PT são fundamentalmente de direita no aspecto econômico e TIMIDAMENTE social-democrata no aspecto social.

Sobre a Paralisação dos Professores da Rede Pública do Distrito Federal (fev. 2015)

1. Pergunto: de que serve um sindicato, uma classe, que após quase 3 meses de impasse junto ao GDF em relação aos pagamentos atrasados realiza uma semana de paralisação das atividades no início do ano letivo para, no fim, hoje acatar, basicamente, a mesma proposta que o governo já havia apresentado anteriormente? Como justificar ante a sociedade, a comunidade de famílias e estudantes, essa semana de paralisação depois disso?! 

2. Por que a maioria da assembleia acatou o parcelamento do nosso pagamento - que foi tão atacado anteriormente -, que será realizado, não mais pelo endividamento público do GDF (A.R.O. - que também era um problema...), mas pelo remanejamento de verbas que serviriam para pagar servidores/serviços de outras áreas do governo? Então, tudo bem tirar o salário dos outros pra pagar o nosso?!

3. O sindicato dos professores convocou nova assembleia com indicativo de greve para o 5º dia útil de abril (!) contando, evidentemente, com o ~fortalecimento da organização da base~. Quanta pelegagem! Quanto esforço pela desmobilização!

4. Se as condições jurídicas e orçamentárias se alterarem nessa semana que entra - como essa liminar suspendendo o parcelamento dos salários da saúde - e nosso salário novamente atrasar? Vamos ter de começar a organização toda novamente, aguardando as reuniões dos negociadores do sindicato com o governo? Tudo isso me lembra dezembro, quando o sindicato se reunia com o Agnelo que dizia "nessa noite o salário estará na conta!" e fez isso umas, sei lá, 5 vezes...

5. Por que, já que havíamos iniciado o transtorno que é, tanto para nós quanto para a comunidade escolar, a paralisação, não declaramos o indicativo de greve hoje mesmo, forçando outra proposta do governo que nos fosse mais objetiva na garantia das demandas?

Taí: pra mim, o sindicato arregou em peitar o TJDFT e pagar as multas por dias paralisados (é um sindicato RICO. Quem conhece como funciona a psicologia dos ricos sabe que não correm qualquer risco com dinheiro) e, com a radicalização, perder o controle da base da categoria. Alguns micropoderes exibidos na condução da assembleia sinalizam isso. E, vamos falar a verdade, a tal "base" é bastante criticável - pra dizer o mínimo - em análise política... o que leva ao próximo ponto:
Tenhamos algum respeito à realidade: o sindicalismo ~petista~, intrinsecamente ligado à ordem das instituições semi-feudais brasileiras, esbarra em limites que a cada vez mais se insinuam. As questões que se impõem sobre nós: quais são estes limites? Como superá-los? Que nova organização poderá surgir daí? Como construí-la?

Eu não sei de nada!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Novos álbuns em novo formato

A partir de agora, meus álbuns serão disponibilizados em blogs próprios. Eles, os blogs, funcionarão como "álbuns/conceito", superando a forma "pacotinho de download" e a já superada mídia física, em franco desuso até aqui em casa, quem diria.

Eis os primeiros. É uma trilogia iniciada em 2012. Logo, verterei todos os outros já produzidos para esse nova proposta de formato.

FALTA D'ÁGUA NÃO É BRINCADEIRA

Para aquela gente contaminada pela má-consciência, que em todo mal vê a gênese no PT - haja moral cristã! -, basta culpar aos gestores federais pela crise por que passa o CENTRO-SUL (por enquanto, mais evidente em São Paulo, mas em poucos anos desembarcará também por aqui) que o peso sobre sua consciência se alivia, assim, se permitindo seguir com seus hábitos negativos.
Para outros, talvez, em princípio de desilusão e reconhecimento da realidade, toda a "classe política" - essa expressão jocosa que os jornais usam para chamar aos fantoches do poder econômico - deva ser responsabilizada.
Difícil é conviver com os fatos, a verdade objetiva, as relações econômicas que produzimos sobre a nossa vida material! Concretemos, pois, tantos milhares de quilômetros quadrados e esperemos idiotamente que a água possa fluir da mesma forma em seu ciclo!
É ÓBVIO, ela não desaparecerá... Se não se precipitam por aqui, a Terra, na sua inteligência natural, fará com que as chuvas desaguem em outros lugares.
Aguardemos que o esgoto doméstico e toda espécie de resíduos industriais e de outras atividades econômicas, possam escorrer, pelos dutos ou sob o céu - onde nada há de novo (ora, vejam só, uma boa referência bíblica!) - e findem nos cursos d'água que atravessam nossas metrópoles, assim, assassinando a vida de tantas formas imagináveis.

"Babaca comunista, profeta do apocalipse! É só tomarmos banhos mais curtos e parar a roubalheira petista para investir em mais represas!"

Evidentemente, a baixa inteligência não poderia nunca acompanhar pensamentos de tal ordem de grandeza. É POSSÍVEL que a água não acabe por completo... talvez convivamos com a escassez. QUANTO LUCRO NÃO GERA A ESCASSEZ? Talvez, ela, a escassez, seja até estimulada e produzida por este ou aquele agente econômico...
Se nada na organização da vida produtiva se alterar, A ESCASSEZ SIGNIFICA DINHEIRO. UMA MONTANHA DELE. Da altura daquelas que existem em Marte.
Aqui, chegamos a outro ponto para reflexão: Como queremos viver? Em escassez ou em abundância? E abundância não significa abuso, muito pelo contrário.
A percepção de que os recursos são escassos é uma percepção da IGNORÂNCIA. A cada avanço, em toda a história social da tecnologia, nós SUPERAMOS a compreensão que tínhamos do que era escassez! E quantas vezes, avanços tecnológicos foram combatidos por AGENTES ECONÔMICOS INTERESSADOS NA ESCASSEZ? Assim, a humanidade atrasa a fruição da abundância percebida pelas inteligências rebeldes!
Por tal motivo, percebemos escassez em tudo! Da economia aos afetos. Porque não nos é dado perceber a medida plena de tudo!

É razoável imaginar que o atual estado das coisas se deteriore gradativamente ao longo das décadas seguintes e as próximas gerações sejam igualmente idiotas a ponto de levar uma vida pela metade, satisfazendo-se com as migalhas que escapam do banquete das elites econômicas. Afinal, há tantas possibilidades de magnífica distração! E tantas escolas, cartórios, tribunais, hospitais psiquiátricos e prisões para os inadequados!

Dizer um gigantesco "sim" à abundância da vida, e lutar para vivê-la plenamente, objetivamente, na vida material, aqui e agora, É UM ATO POLÍTICO que só se realiza com uma profunda tal qual as fossas oceânicas; intensa tal qual a fissão atômica e larga tal qual o universo cósmico, vontade de transformar - não de conservar! - de compreender - não de estudar! - a si mesmo e ao mundo ao seu redor, pelas suas ações e relações.

sábado, 15 de novembro de 2014

"Os Cristãos e O Coliseu"

10 anos de Concreto Armado. Potência de Vontade.

Fomos todos lançados aos leões. Ainda somos todos covardes...



"Concreto Armado", 2004. Guitarras, baixo, bateria e voz; letra e música: Juliano Berko. Gravado entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013.

Os Cristãos e O Coliseu


Eu fui lá fora ver a vida
Que minha vida urbana me priva
Mas há tanto lixo por aí
E eu não tenho aonde ir
Enquanto todos falam de Deus
Mas no fundo todo mundo é ateu

Eu fui lá fora ver a vida
E vi muitas vidas perdidas
Mas há tanta gente por aí
Com certeza vou conseguir
Encontrar quem tenha pés no chão
E não assista todo dia à “malhação”

Comprei uma briga por uma vida
E quase ela foi perdida
Para a violência gratuita da TV
Que é teatro pra você
Que é realizado em ver
Que se sente realizado com o Big Brother

“Bandido bom é bandido morto”,
Na dúvida, sempre atire, não é?!
Entre na ciranda você também
É quase engraçado, mas graça não tem
Só é engraçado pra você
Que é controlado e não vê
Estupidificado sem perceber
E tudo isso porque
Eu fui lá fora ver a vida
Mas acabei vendo a TV.

domingo, 30 de março de 2014

O Mundo do Trabalho - Da Indústria Musical à Música Industrial

- DOWNLOAD AQUI !!!

É este o fruto maduro, a resultante estética, o que Heracles colheria findos seus 12 trabalhos. Eu havia escrito o "Futuro, Adeus!" em 2012, me despedindo do intenso ócio criativo vivido nos últimos anos na UnB. Abrigado no calor do útero da minha alma mater, desconhecia um universo de códigos, objetos e [rel]ações que é o chamado, na sociologia, de "mundo do trabalho". Quando me vi - diplomado e desempregado (momentaneamente), na eminência da paternidade -, vislumbrando a incisão violenta que me arrancaria do ventre de um velho mundo, sucumbi. Desci aos infernos, a terra arrasada. Os temas falam por si: a tensão das hierarquias de poder; a apropriação desigual da vida material; as relações sociais finaceirizadas; o aprisionamento pelo consumo; o enfrentamento aos sistemas de controle; a introspecção reflexiva que, libertadora do pensamento, liberta a ação. Jurei que, ao final do ano, escreveria (e publicaria aqui) minhas impressões sobre esse primeiro ano como professor, mas fui deixando pra depois... e há tanto o que dizer que esse tema há de esperar o momento e o tratamento que mereçe. Minha filha nasceu quando estouraram aquelas manifestações maravilhosas pelo Brasil... esses dois fatos, mais a escola e meus alunos, foram o que me mantiveram vivo pra terminar este projeto e seguir em frente.

E este fruto - azedo porquanto nutritivo; essência que emana de uma potência de poder, é "O Mundo do Trabalho", buscando o despertar de uma nova moralidade, destituidora do poder da tradição assentado no poder da autoridade. A forma pela qual se apresenta - um álbum (ou, fora do círculo das minhas referências, EP) - é constituída de 15 partes - cada qual um objeto particular num sistema geral. Aí estão algumas leituras - Lafargue; Foucault; Nietzsche, as críticas ao contratualismo, à burocratização da vida (desumanização do ser humano) e releituras anarquistas são mais eminentes.

Gravado entre novembro de 2012 e dezembro de 2013. Guitarras, Baixo, Bateria, Teclados, Vozes [Efeito: Distorção], arte da capa e encarte: Juliano Berko. Todas as letras e todas as músicas: Juliano Berko, exceto "Convenções" (Juliano Berko/Danilo Marques/Leonardo Afonso).







1. "Caminhos do Povo"
O refrão é sobre as trilhas nos gramados - fora dos (poucos) espaços destinados às calçadas no centro de Brasília - feitas pelo povo. Tem um áudio de uma manifestação que fui em 2009 [na época do tal "Fora Sarney"... pois é.]

2. "Mundo do Trabalho"
Resume todo o espírito, o conceito do álbum.

3. "Cultura No Ônibus"
Em homenagem ao cobrador Antônio e o seu projeto inovador.

4. "Convenções"
Esforço para desconstruir valores da moralidade tradicional.

5. "Opiniões" 
Sobre o esforço contra-producente de tentar organizar-se em rede quando essas redes privatizam nossas relações sociais e a internet deixa de ser fonte inesgotável de conhecimento para se transformar em espécie de muro das lamentações.

6. "Deep Deep Web"
Duas personalidades: Julian Assange e Edward Snowden.

7. "Consumidores Imperfeitos"
As [ilusórias] possibilidades de consumo são o maior pilar a sustentar a exploração do trabalho contemporamente. Tem uma inserção [editada] do economista Ladislaw Dowbor.
 
8. "Combustão Espontânea de Favela [E As Remoções Forçadas Para a Copa]"
a) Pinheirinho, SP (sons gravados na desocupação)
b) Extermínio Guarani, MS
c) Criminalização da Pobreza, BR
d) Copa do Mundo e o recrudescimento do fascismo da nossa sociedade

9. "Para Humanos Direitos"
"Não acabou, tem que acabar com a Polícia Militar!"

10. "Pra Não Pagar Aluguel [A Vida Inteira]"
Um fluxo de consciência muito intenso. Tve que recuperar o folêgo depois de mergulhar tão profundo pra escrever essa música...

11. "A Vida Como Ato Político 
Escrevi saindo de (mais) uma prova de concurso... uma reflexão mais íntima.

12. "Função Social do Desperdício"
Escrevi por último. Representa um exercício retórico do cinismo.

13. "O Homem Detrás do Microfone"
Estruturalanarquismo


14. "Ministério da Desburocratização"
Eu lia mesmo um edital... fortuitamente me deparei com uma referência à um decreto do final do governo militar, fui ao google matar a curiosidade e o tal decreto foi publicado no inacreditável ministério da desburocratização. Tem uma pequena inserção do Brizola, pra lembrar de quem nossa ditadura mais temia.

15. "A Minha Banda [Concreto Armado]"
Uma metalinguagem da cosmovisão, teleologia da arte - o sentido da minha vida.

[2013, o ano que não acabou.]

sábado, 12 de outubro de 2013

Cultura no Ônibus

Em homenagem à iniciativa do Sr. Antônio da Conceição Ferreira [culturanoonibus.blogspot.com.br/].
Lembro de ver reportagens sobre ele lá por 2009... em junho de 2011 (ou 2012? Já nem lembro), um dia voltando da UnB pro Guará, já perto de terminar a monografia, pego um ônibus em que ele estava de cobrador. Eu o reconheci, puxei assunto, ele se alegrou, mas parecia que o projeto já não tinha vingado, infelizmente. Tem um custo alto o aluguel do espaço onde ele guarda os livros e, aparentemente, não recebeu nenhum apoio institucional - seja do governo, seja da Viplan (o que esperaríamos da VIPLAN???).

De todo modo, me enfurece ver essas "Tvs de Ônibus" que ficam passando notícia de "gente famosa" e horóscopo cigano (!!!) e que, SEM DÚVIDA, têm um custo de implementação, enquanto um projeto tão simples de se realizar como o do sr. Antônio, que humaniza o acintoso transporte público do DF, foi completamente esquecido pela sociedade...

Eu, que além de brincar de ser professor de geografia nas horas úteis, tenho uma brincadeira muito séria também com a arte, só poderia ter feito uma singela homenagem a esse cidadão!
Juliano B.



Memento Mori: Orgânico

Capa
Concreto Armado - Baixe aqui: Orgânico (2011)

 Há dois anos passei por um contexto de estresse que me levou ao delírio - que durou alguns meses - de ter certeza de que eu estava na iminência da morte. Bem, a morte é a única certeza da vida de qualquer um. E é sempre bom saber que ela está mesmo por perto, pra ficar esperto. Afinal, pra morrer basta estar vivo. Além disso, minha imunidade baixou consideravelmente, me levando a duas gripes em pouco mais de um mês, uma distensão da coxa e as dores inacreditáveis no joelho que viriam depois que comecei a correr, já no final de 2011. Então, naquele momento delicado, buscava refinar minha proposta estética - unindo as assinaturas de "Juliano Berquó" e "Concreto Armado" em uma só: a do Concreto Armado, como minha máscara final. Foda-se porque faço canção. Simplesmente faço-as. E, mesmo que eu morra agora, deixarei aqui minha marca, marco posição estética/política. Abaixo, seguem a lista das canções do projeto e a resenha escrita em 2011.
J. B., 12/10/13. 

Contra-capa
Baixe Aqui: Orgânico
41'43''
"Concreto Armado" é o nome-fantasia para todas as letras, todas as músicas [2011, exceto as faixas 2 (2005); 3, 4 e 5 (2006); 1 e 6 (2007)]; voz, guitarras, baixo, percussão, teclados e bateria eletrônicos (Piano Eletrônico 4.3); edição e efeitos de áudio; fotos e edição de capa e encarte, febre e dores de cabeça: Juliano Berko.

Não tem nada (muito) a ver com intelectual orgânico, talvez com biopolítica. "História Social da Ciência e Tecnologia" é uma disciplina de pós-graduação da UnB lecionada pelo senhor Cristovam Buarque, inspira a canção. A colagem da contra-capa tem, dentre outras, figuras de lixeiras e alertas de caminhões de lixo, cujas caçambas, ao abrir, podem matar esmagado quem estiver perto (o trabalhador). A caveira, de alerta de choque elétrico, é do prédio da FIOCRUZ no campus Darcy Ribeiro. Fotografei-a quando ali me abriguei de uma tempestade novembrina. "Crescer por crescer é a filosofia do câncer" eu retirei de uma palestra do prof. Ladislau Dowbor que, por sua vez, se referia a uma manifestação estudantil de uma "faculdade do interior de São Paulo" (Dowbor, "Economia Solidária", 2009). Depois, descobri ser de autoria de um intelectual estrangeiro, Edargd H.: "Growth for growth sake is the ideology of cancer cell". 

Arte do CD
Este disco é um delírio. Um pesadelo noturno, sonhava com violência urbana e lutas corporais. É um só e são várias paixões: sonhava com beijos em bocas nunca antes vistas. Mas eram noites diferentes. Este disco também é bem vivo, acordado. Material e materialista: Feito de plástico, silício, raiva, tesão, e demais sublimidades. Feito pra lembrar que a gente ainda é humano. Este disco não é meu, Juliano Berquó, é uma reação ao mundo que me cerca, um grito que pede (implora?) companhia. Este disco é nosso. É do concreto armado. "Onde Estou"?! Este disco é um absurdo!
Juliano Berquó Camelo.
Maio/2011
Email: julianoberko@gmail.com
Tel. Celular: (061) 85156753



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

(Alg)uma (nada) breve história sobre Juliano Berko

Atenção!: Post autobiográfico. Quem tiver problemas com autoreferências alheias (assim como eu!), pode passar pro próximo texto e aproveita pra baixar o "Futuro, Adeus!". 

(Alg)uma (nada) breve história sobre Juliano Berko.

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Se eu colocasse pra tocar ininterruptamente todas as minhas 180 canções gravadas (tenho ainda algumas por gravar) neste exato momento, 2:26 da manhã, apenas amanhã, por volta da 1 da tarde, a lista seria finalizada no player. São pouco mais de 1 hora de música pra cada ano nestes últimos 9 anos, desde 2004 portanto. 
 
Nesse tempo, apesar de nunca ter tido uma banda formalmente falando - com integrantes que ensaiam regularmente e constroem um projeto coletivo (o que eu sempre quis) - inventei a minha própria, na qual escrevo, componho, toco e gravo tudo sozinho: Concreto Armado; e segui o meu caminho como artista individual, me "libertando" da minha fixação estética do início, partindo pra voos mais altos, trilhas mais distantes. 

Lembrando dos meus passos, ponderando sobre o tempo, me dou conta agora da influência que teve o ambiente no qual eu me iniciei na música - a escola. Apesar de 1) ter começado a ler as teorias musicais naquelas revistinhas de cifras musicais um ano antes de ganhar meu violão, em 2003 (10 anos!!!), 2) de eu ter ganhado o violão da minha mãe como presente depois de muita insistência (um ano pedindo. rsrs) 3) e ter tido dois meses de aulas particulares em casa, uma vez por semana, foi na escola, junto dos meus amigos que também tocavam que, nos turnos inversos, principalmente nos dias de prova (à tarde, as aulas eram de manhã), o desbravar do universo musical através do violão ganhava mais sentidos.

O nosso então professor de Geografia e diretor do colégio ("Campus"), Gilberto ("Ligeirinho"), nos via sempre a tocar nos intervalos e horários livres e muito nos motivava, pelo que posso recordar. Ele chegou a organizar um show nosso no parque Vaca Brava, para o qual ensaiamos um repertório cover e estávamos todos empolgados. No dia marcado choveu e o palco não tinha proteção, ficamos sem tocar... Em um dado momento, no 2º ano, cheguei a compor especificamente para uma apresentação nossa (Eu, Fabiano e Diego, dando nome aos bois) numa semana de temática ambiental. O resultado, uma cançãozinha a qual chamei "As Florestas e o Cerrado", apesar de ter sido feita meio na brincadeira e não ter ficado completamente ao meu gosto ainda na época (depois da apresentação tentei mil versões que me satisfizessem), hoje vejo como foi importante no desenvolvimento do que se poderia chamar de uma técnica de composição. Vejo como aquela oportunidade foi importante pra que eu pudesse seguir adiante.

A experiência no Campus finda no meio de 2005 por impedimentos administrativos e, por influência do próprio Ligeirinho, uma parte dos alunos foi para o COC, um dos "grandes" colégios da época, onde eu tinha uma bolsa de 82% (nunca esqueço o valor na mensalidade...). Ali, um universo de classe média mais alta, eu me sentia O peixe fora d'água, sem Nike Shox no pé e Ipod no bolso (um minuto de silêncio pra todos pensarem no que esses bens de consumo representavam em 2005...). 
Assim, me filiei informalmente ao grupo dos "peixes fora d'água", em que conheci o meu maior parceiro até hoje, Tarcísio Miranda Pereira, porém, nossas parcerias começariam apenas no ano seguinte. Do resto desse ano lembro pouca coisa mais marcante (talvez apenas de uma colega gatinha... gatíssima, "Gabriela Alguma Coisa", passando a mão na minha bunda na fila do lanche. Mas não vem ao caso agora).

No ano seguinte, 2006, finalmente comecei a me sentir mais integrado no ambiente, e passei a tocar e trocar mais ideias com o Tarcísio e o Thiago, principalmente. O COC naquele ano iniciou um projeto "quinta cultural", se não me engano, em que toda quinta-feira ia um mesmo músico que abria o recreio tocando alguma coisa no violão, num palco com microfone, e depois passava pra quem quisesse, dentre os alunos, tocar outras canções. Lembro de tomar coragem e subir no tal palquinho e tocar, na primeira vez, "Núcleo Base", do Ira!. Como eu fiquei mal acostumado, toda quinta eu subia no tal palco pra tocar pelo menos 2 músicas. Muita coisa dos Titãs na época. Só em 2009 eu fui lembrar da sensação de subir num palco! É elevadora, excelsa. É por isso que todo mundo a toma de forma ritualística... (Até me lembro do mantra que eu repetia pra mim mesmo nos bastidores do FINCA... mas deixa pra lá).


No fim do ano, presto vestibular pra Medicina na UFG (simplesmente pra não passar... Tivesse escolhido Direito, minha nota na primeira fase me botava dentro do ponto de corte e talvez eu não estivesse aqui hoje, desesperado com um diploma que eu não sei ainda pra que serve, digitando estas linhas, mas em algum escritório de advocacia goiano ganhando muito $). Presto também pra Geografia na UnB, minha escolha autônoma, já que minha mãe chiou no vestibular da UFG pra que eu fizesse ou Direito ou medicina. Nesse vestibular eu passo, porém, perco o prazo de fazer o registro na UnB, uma vez que ninguém na minha família se dignou de me hospedar em Brasília. Fico em Goiânia e acabo fazendo um cursinho pré-vestibular qualquer, só pra passar o tempo. Esse período só prestou pra que eu me divertisse com o pessoal do cursinho (cheguei a compor "A Moda", que é uma música muito legal também, com o Ricardo) e me apaixonar um pouquinho por olhares sedutores em algum Pub...

Só vim pra cá fugido, no ano seguinte, depois de uma confusão com ameaças de morte (baixaria total...) com vizinhos do prédio... Aí a tal família se dignou. Fiz o vestibular (2º/2007) e passei de novo. E passaria quantas vezes quisesse, diga-se de passagem. Nesse período, eu desistira de montar uma banda de rock e, com um gosto muito amargo na boca, "aposento" minha guitarra, e passo a investir numa leitura mais lírica do violão e me declaro poeta. Foi quando fundei este blog, diga-se de passagem também. Deste período, apesar de triste, guardo as melhores recordações, e algumas belas canções (que me são aprazíveis, uma vez que eu componho pra agradar um impulso pessoal, primordialmente).

Em 2008, participei de um concurso de canção do SESC, influenciado pela minha companheira de (até) hoje e sempre, Maíra, mas não dá em nada (isso não é novidade e ainda se repetirá algumas vezes nesta história...). Naquele ano eu quase não compus música. Escrevi algumas coisas, mas, no geral, produzi muito pouco em comparação com 2006/7. 

Em 2009, de tanto ser chato com meus colegas de curso, consigo a assinatura do Ricardo, então representante do CA de Geografia, pra concorrer por ele no FINCA, o festival de música interno da UnB. Como eu havia imaginado no ato da inscrição de tocar sozinho, na voz e violão, eu inscrevi as canções que eu pensei mais se encaixarem neste formato, que foram "Pra Ser Verdade", uma das minhas melhores até hoje, e "O Pôr do Sol, II", uma parada meio pop meio folk que, com a banda, ficou mais pra rock-balada, o que, de certa forma, deixou ela menos "Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue" e mais "Engenheiros do Hawaii - Negro Amor". Depois de me inscrever, procurei apoio de outros músicos, também amigos do curso, no caso, Klebiston, que também passou no 1º vestibular que fiz e o Vitor, que passou no mesmo vestibular que eu. Ambos são ótimos músicos e ensaiamos apenas uma vez pra tocar no festival. De todo modo, o anf 9 lotado de gente da Geografia, gritando "gatinho" pro Klebiston, sentindo o bumbo do Vitor me jogando pra frente, minhas pernas bambas, boca seca, o coração irremediavelmente veloz, o tempo infinito no que deve ter durado uns 10 minutos, foi uma das experiências mais gratificantes dessa minha passagem na Terra, mesmo com os meus erros no baixo. Como eu imaginava, não passamos pra fase final. Pondero que tanto as canções não eram lá essas coisas (apesar de "Pra Ser Verdade" ser bem legal) quanto o juri desse festival não é muito chegado num rock, quanto nossa performance de palco, no geral, não foi a melhor, quanto por questão de sorte, não fomos escolhidos pra segunda fase. 

Do FINCA, o que mais ficou marcado e que me incomodaria por um bom tempo foi o não prosseguimento daquela banda. Eu sou um ateu meio desbocado, morava na asa sul; o Vitor morava na asa norte e nunca me deu bola (inclusive, uma vez, no nosso primeiro semestre, fiquei muito puto com ele porque ele só sabia zoar o meu sotaque! Não sabia dialogar comigo, mas sabia zoar meu sotaque goiano, nada mais brasiliense que isso); o Klebiston é um puta guitarrista, mas tem seu comprometimento com sua Igreja e mora no Gama... Tinha tudo pra dar errado. E deu. Mas poderia ter dado certo...

Outra coisa que eu vejo hoje é como o festival marcou uma nova fase. Os meus melhorres trabalhos vêm sendo feitos desde o final de 2009. Inclusive, "Hallow Evening" eu compus na noite daquela final. Eu não fui, fiquei em casa o dia todo lendo sobre coisas aleatórias na internet e, no fim do dia, fui tocar guitarra. 

Tivesse participado do festival em 2012, iria de "O Que Se Quer" pra começar o show e "Anéis" pra concorrer pelo prêmio. Duvido que me barrariam na primeira fase. Mas duvido com convicção.
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Sobre 2010/11/12, posso escrever outro dia, pois, escrevi isso tudo aqui em uma sentada de mais de uma hora e amanhã preciso estar às 13 horas em Taguatinga. Escrevi isso tudo pra tentar tirar de mim a sensação de tempo jogado fora. Não sei se consegui, ainda tenho 8 horas de músicas pra ouvir.

Recentemente, venho assinando o "Berko" no lugar do Berquó, que é um nome de origem francesa, linhagem de um nobre diplomata instalado nos Açores e migrado ao Brasil no século 18. Linhagem de nobre? Prefiria que essa nobreza toda tivesse ficado na guilhotina. E os povos indígenas e os povos da áfrica que, eu sei por genealogias familiares, também fazem parte dos meus genes? Como posso levar pra frente a ideologia do império na assinatura da minha arte? Deste modo, subverto essa lógica e (re)invento também meu próprio nome. 

Por hoje é só.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Futuro, Adeus!

Há talvez cinco anos, desde que abri o blog, portanto, venho prometendo a mim mesmo a publicação de forma independente, autônoma, de um álbum completo meu. Sinto que não poderia ser um melhor que este. A qualidade técnica das gravações esta para o nível do som dos anos 70/80, sem dúvida, o melhor que eu poderia fazer gravando no meu próprio quarto com o equipamento amador que tenho. 
Desde o final do ano passado venho trabalhando em um "pacote" de 30 músicas. Algumas dessas canções já haviam sido publicadas por mim aqui de forma isolada ("Brasil, Nunca Mais" que, inclusive, chegou a tocar no programa "Nunca en Domingo" da rádio Universal do Uruguay; e "Senhor de Engenho no Senado" em versão ligeiramente diferente). Porém, aqui encontram-se amparadas pela textura do conceito. Desse pacote, esta é a primeira parte e a que publico pela primeira vez aqui neste blog: 

"Concreto Armado - Futuro, Adeus!"
(64:45) 
"O mundo é mesmo de cimento armado"
C.D.A.
"Privilégio do Mar",
Sentimento do Mundo, 1940.
1. O Futuro Adeus
2. Tudo Em Seu Lugar
3. Nove de Hydra
4. Quando Os Impérios Têm Febre
5. A Paz É Difícil
6. Sapo Barbudo
7. BRock[er]
8. Predador
9. Razão Comunicativa
10. Amor Livre
11. Senhor de Engenho no Senado
12. Socialismo Moreno
13. Brasil, Nunca Mais
14. Proibidas Radiodifusão e Execução Pública
15. Venturis Ventis

As canções deste trabalho dialogam com o ano de 2011, o qual muitos teóricos compararam com o ano de 1848, o ano das revoluções. Foi da assembleia da ONU daquele ano de onde extrai o audio do presidente Obama presente em "A Paz é Difícil". Porque, de fato, a paz é difícil e não se faz com discurso. Muito menos com a ocupação criminosa do território palestino por parte de Israel, amparada pelos EUA. Outra referência, sem dúvida, é a nova onda de histeria relativa ao Calendário Maia, às Teorias da Conspiração, etc. Para estas correntes de pensamento, de tão ridicularizadas, guardo alguma simpatia, considerando algum tempo para leituras alternativas da realidade sempre que posso.
Muito deste trabalho rebusca também alguns valores de certo esquecidos pela marcha do progresso à todo crédito: A desconstrução do mito religioso que aliena; do mito democrático que fascina; do mito lulista que paralisa a crítica da condição nacional; do mito leninista que centraliza o poder; do mito do amor como propriedade; e tantos outros. Este trabalho pode até ser considerado um manifesto isolado, unitário, inócuo. Assim o prefiro a participar das mais diversas formas da coletiva insanidade. Porém, não acredito que o seja. Gosto de pensar que faço parte de uma corrente que talvez ainda esteja um tanto difusa, mas que encontra amparo, por exemplo, nos dois últimos álbuns do Killing Joke (2010, 2012). 
É, sem dúvida, a manifestação da vontade de dizer adeus a um futuro de controle, de ausência de qualquer rastro de dignidade ou ainda um futuro de conformismo. Como dizia o velho Darcy, nessa vida só há duas opções: se resignar ou se indignar. E eu, de minha parte, como demonstro nesse pouco mais de uma hora de música, também não vou me resignar jamais. 

Juliano,
03/12/2012.

Ficha Técnica:

Da Crise da Música à Música da Crise.

"Concreto Armado" é o nome-fantasia para todas as letras, todas as músicas, vozes,
teclados, guitarras, baixo, violão, bateria, edições e efeitos de áudio:
Juliano Berquó.
Fotos do Encarte: Sérgio Berquó, 2010/2011.
Gravado entre julho e setembro de 2012.
- Inserção de áudio em "A Paz é difícil":
"The fact is peace is hard", Barack Obama em discurso na Assembléia Geral da ONU, 2011. 
- "Cidades de Patrão": Expressão utilizada por alguns jovens das periferias de Brasília
para se referirem aos bairros (que no Distrito Federal são também chamados de cidades)
das classes médias e altas. É como a segregação socioespacial salta aos seus olhos.

Todas as baterias e teclados deste trabalho foram realizados por meio do Piano Eletrônico 2.5, software livre.
É encorajada a reprodução deste trabalho para quaisquer fins desde que de caráter não-lucrativo.

CONTATOS: 
Tel. Cel.: (61) 8515-6753
Email 1: julianoberko@gmail.com
Email 2: julianoberquo@live.com

Aceito convites para fazer festas de criança, bodas de prata da tia-avó, e outras do gênero. Garanto meu show com meus instrumentos, bases pré-gravadas e meu equipamento. Além das minhas músicas, é claro.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Brasil, Nunca Mais

Recentemente, faleceu a senhora Maria Rosa Monteiro, mãe do icônico Honestino Guimarães, este estudante de Geologia da UnB que a nossa ditadura civil-militar mandou pra algum lugar desconhecido... A luta de sua mãe pela verdade sobre o filho tornou-se simbolo de toda a luta pela publicação dos arquivos e punição aos torturadores do período militar.

(Em tempo, devo dizer que o STF que julga o mensalão pra "proteger a república" e a constituição, guardando óbvia coerência,  não o fez assim quando julgou improcedente a ação da OAB contra a a Lei da Anistia de 1979. 1979!)

Até algum tempo atrás eu pouco (quase nada) sabia sobre este cidadão, Honestino. Pesquisando, descobri que ele era de Itaberaí, Goiás (partindo de Goiânia, última cidade antes de chegar em "Goiás", a cidade origem da minha família, pela qual eu sempre passava...), que sua família era de advogados e que, talvez, até o seu pai tenha conhecido meu bisavô, Urbano, também advogado (isso minha mãe supôs, dentre as suas memórias, pelo sobrenome da família Monteiro).

Quando me dei conta do quão próximo um líder estudantil assassinado pela ditadura estava de mim, do quanto de nossas vidas pode ter sido em algo similar, seja pela Serra Dourada ou pela Universidade de Brasília, compreendi e fiz parte de toda esta luta pelo resgate de nossa memória coletiva. Da memória dos que luta(ra)m e sonha(ra)m.

Neste instante, surgiu-me como epifânia a ideia de compor uma canção de homenagem, de protesto, que seja, sobre esta história... Lembrei-me daquele livrinho clássico, "Brasil, Nunca Mais" e da sua significância neste contexto. Percebi que poderia usar o jogo de palavras com o nome do "álbum" que eu estava compondo, "Futuro, Adeus!". Ora, quem diz adeus ao futuro só pode ser, justamente, aquele que ficou no passado. Assim, esta canção, quase como uma psicografia, põe na primeira pessoa a voz daqueles tantos que tombaram pelo sonho da democracia, da justiça e da igualdade...

Deles, florescemos nós que, presentemente, lutamos cotidianamente pelo alargamento dos espaços de felicidade nesta vida...
E podemos lutar com algum conforto à custa da tortura e execução de muitos no passado.
E lutamos sob alguma hipocrisia, sobre os ombros largos de tantos escravizados, desterrados e massacrados povos do presente, no Brasil e no mundo.

De todo modo, lutamos como podemos. Mantemos acesa a chama do sonho.

"E se não achar meu caminho
basta-me crer procurá-lo de coração."
Honestino Monteiro Guimarães
(1947-1973?)

"Brasil, Nunca Mais"
(Letra e Música: Juliano Berquó)

Avise minha mãe,
Avise minha filha e toda minha família
Diga que eu não perdi a fé
E que apesar das circunstâncias
Eu morri de pé.

Avise a minha querida
Que a minha vida não foi em vão
Que valeu a pena
Avise minha pequena.

Avise aos jovens nas salas de aula
Que não tivemos escolha
Que não nos deixaram nada
Que pensar nos condenava

Por fim, eu peço
Que avisem aos nossos inimigos
Que nós continuamos vivos
Mais que nunca nas lutas

O meu pelos seus
Futuro, adeus...
Mas não se esqueçam de nós
Céu vermelho-anil
Brasil, nunca mais...
E vivam em paz.

In Memoriam: Maria Rosa Monteiro.

Mitomania

Há tanto tempo sem postar que eu já nem sei como fazer nessa nova interface do blogger...
Até eles estão contra mim!
Publico hoje esta canção cuja letra está ulteriormente exposta. Muita coisa aconteceu desde minha última postagem...
Durante a última greve dos professores da UnB eu terminei o projeto da minha banda de um homem só, Concreto Armado (lá se vão oito anos...), "Futuro, Adeus!" ("Brasil, Nunca Mais" e "Senhor de Engenho no Senado" fazem parte deste trabalho).

Em setembro, com a retomada dos trabalhos na UnB, estive recluso para a finalização da minha monografia. Formado, logo retomei os trabalhos com as minhas composições, finalizando outro projeto no qual estava trabalhando há quase um ano, "Indizível". 
Mas eu não vou ficar falando disso muito não. Com o tempo, pretendo promover e publicar para download todas estas músicas por aqui. 
Por enquanto, fica aí e curte o som dessa que faz parte do "Indizível" que é o melhor que eu posso fazer.

"Mitomania"

Desde quando nasci nunca vi a luz do sol
Flanei por instinto depois de cair no chão
Assim, quando nasci não fui parido de cordão
Me alimentara no tubo de tudo do canal
Nunca tive fome de não saber quê comer
Aprendi a ter vontade de ter quando vi TV
Nas tantas vezes em que morri desde quando nasci
Depois de crescer, eu aprendi a mentir

Aonde levam estas dores que afloram do afeto?
Onde reside minha razão, mãe do meu direito?
Que posso fazer para corrigir o meu defeito?
Agora que o gene do mal já está desperto?

O que vi ao longe e que parecia miragem
De repente, veio a mim ou fui a ele, que é verdade?
Cortara minha garganta enquanto a guerra inflamava
A música havia, mas eu não pegara em armas
Então, fugi do campo de batalha
Quando o sol estava baixo, saí sem dizer nada
Expunha minhas entranhas que, alimentadas de anseio,
Perdido o esteio, abandonava-as no convés

Quando quis o que quis, soube o que era a morte
Que cortava o couro e desfiava véu profundo
Onde estava o norte, velho e forte, nunca soube
De tudo que é escrita, só quero o que me cabe
O resto não resumo, sem posse nem repouso
Por dentro, ouso o sentido de pertencimento
Da bolsa que obriga saber como lhe partir
Depois de crescer, aprendi a resistir

Que faço com este canto que tanto pesa no peito?
Com estes versos afoitos que brotam quando escrevo?
Que faço com esta chama que tanto me queima?
Será que o fogo que consome ainda me anima?

Meu melhor ataque foi minha defesa
Quando o sol estava alto, quis sombra e água fresca
A porta que se abria de passagem foi à tinta
De todo minério, quem nunca viu metais?
Cantais todo mantra que se eleva com o fogo
De onde tudo emana, o céu mais que azul
Fui cantar meu sotaque, qualquer coisa ainda tento
Pro tempo que fulmina, tenho papel e caneta

A vertigem sonora que dobrava minha unha
Era tudo que eu queria quando o sol se punha
Essa febre constante que não me mata a sede
Que não me mata o sonho, não sei por que componho
Desta rosa que tanto pesa, feito pluma de chumbo
Não me reste platitude metamórfica de flor
Fui rasgar meus contratos, qualquer canto mais distenso
Talvez ainda pense no tempo mais que perfeito

Só quem sabe como é triste cantar sozinho
Sabe o quão profundo que lhe atinge o espinho
Só quem sabe ver o louco e ouvir seu uivo
Pode saber o que nele ainda há de vivo
Na madrugada fria, quando estiveres na cama
Lembre dele na praça com uns trapos de coberta
Se no manuseio do que corta, um descuido
Encontre teu reflexo na sua ferida aberta

Ficha: 
Bateria e teclados - Piano Eletrônico 4.3
Gravado com Audacity.
Voz: Juliano Berquó, com alguma desafinação residual. 



Que minha presença no mundo incomode tanta gente quanto for possível;
Que minhas opiniões sejam sempre incompreendidas e combatidas por todos;  
Que eu perca tudo em absoluto, menos esse meu bom humor invejável..! 
Antes que eu morra.



sexta-feira, 30 de março de 2012

Senhor de Engenho no Senado

N'outros tempos, a escravidão era uma coisa legal, dava status ao Senhor dono de quantos mais escravos fosse possível. No Brasil, ainda imperava o latifúndio monocultor de exportação de Cana-de-Açúcar, o sistema de Plantation, semelhante ao do sul dos EUA.

Os tempos mudaram e a escravidão foi posta na ilegalidade pela Princesa (vejam bem, PRINCESA... capaz que se fosse Presidenta, o escravocrata seria da base aliLinkada... ih!!!) Isabel. O Código Penal Brasileiro de 1940, na redação atualizada em 2003 do seu Artigo 149, tipifica a "Condição Análoga à de Escravo". Hoje no Brasil impera o latifúndio monocultor de exportação de Soja (e um tantinho menos de cana-de-açucar) mas ninguém chama mais de Plantation. Agora é "agronegócio" o nome do boi.

O caso é que nesta República faceira acontecem coisas...
Acontece que aquele bico de papagaio abandonado por Goyaz que obteve autonomia, um desejo antigo das elites locais, em 1989, o Tocantis, nos elege um representante acusado de se utilizar de trabalho escravo nas suas fazendas no sul do Pará.

É a 6ª economia do mundo. Que escraviza no campo pra mandar Soja pra China (e outras metrópoles) que, por sua vez, escraviza nas cidades e grandes complexos industriais para exportar pra gente de volta um monte de parafernália tecnológica cheia de obsolescências e bens manufaturados diversos. Como se vê, modelo de economia sustentável pro futuro da humanidade. É a 6ª economia do mundo que, como gosta de pontuar sempre o Senador Cristovam Buarque, não quer pagar 1.420 R$ como piso nacional para os professores de suas crianças.

Sem mais, faça-se a música.



"Senhor de Engenho no Senado"
(J. Berquó)

- Somos todos escravos -
É o que diz a impressão
Exaustiva jornada de trabalho
E restrição da locomoção
É o que diz a legislação
Então, há algo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.

Vivemos em Estado Democrático
É o que diz a Constituição
Pra ser eleito, basta ter pasto
Pro curral eleitoral
É o que diz a eleição
Não é possível, está tudo errado
Tem Senhor de Engenho no Senado.
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É uma letra simples com música simples, baseada em 2 ou 3 linhas de cordas, mas que eu não poderia deixar de compartilhar como forma de compartilhar um pouco de minha indignação.

Enquanto isso, está parada no Congresso a PEC 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo, que garante que as terras onde forem encontradas condições análogas à escravidão sejam imediatamente destinadas à Reforma Agrária. Num Congresso cheio de "Ruralistas" e partidos desinteressados por encampar a Reforma Agrária, apenas a pressão de movimentos sociais organizados, apoiada em mídias alternativas, pode garantir algum avanço no sentido de humanizar o campo brasileiro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sempre + Nunca Mais

Sempre + Nunca Mais by JulianoBerquo



Sempre + Nunca Mais

Se eu como, eu cago
Se eu bebo, eu mijo
Se eu beijo, eu cuspo
Se eu corro, eu suo

Se eu amo, eu odeio
Se eu descarto, eu desejo
Se eu quero, eu consigo
Se eu isso, eu aquilo

E é por ser tão simples,
cego e seminal,
É por ser eterno
Anacronismo atemporal
É por ser até logo,
Lógico e letal
É por ser assim
Que eu quero sempre mais
Nunca mais.

Se eu falo, eu escuto
Se eu desço, eu subo
Se eu cresço, eu esqueço
Se eu esqueço, eu esqueço

Se eu nasço, eu morro
Se eu paro, eu corro
Se eu erro, eu corrijo
Se me corto, eu cicatrizo
Se eu inspiro, eu expiro
Se eu isso, eu aquilo
Se eu desisto, inexisto
Se eu existo, eu insisto


Juliano Berquó:

Letra e música (2007);
Guitarras (3), Baixo, Vozes,
Bateria eletrônica (cheia de erros...).


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Desemprego ou Dia do Músico

Dizem que hoje é dia do músico, né...

Respeito os caras que, provavelmente, em 82 ou 83 gravaram isso aqui em Brasília de forma amadora, ainda sem gravadora por trás e tal...

Falo desta que é uma música nunca lançada oficialmente pela Legião Urbana. A conheci por meio do site de contribuição entre fãs, "osoprododragao.com.br" (se não me falha a memória...), na seção de "raridades" da banda. Pela qualidade da gravação, é de alguma demo gravada já em estúdio mas antes do contrato com a EMI.

Reza a lenda que o guitarrista desse período da banda, Kadu Lambach (Eduardo Paraná, no quadrinho do encarte do "Que País é Este?"), dividiu apartamento com a esposa de um primo meu nessa época e a Legião ensaiava lá...

Enfim... Se não fosse por essa música - e digo sem exageros - eu não seria o que eu sou hoje. Foi depois de tê-la descoberto, no começo de 2004, que eu quis (porque quis!!! Afinal, tinha meus 14 anos..) aprender a tocar violão e comecei com a fissura de compor e escrever e tal... lá se vão quase 8 (?) anos...

A letra ainda é mais pertinente pra mim hoje: Parte da "População Economicamente Ativa" não tão ativa assim... Esse fim de curso tá sombrio mas pelo menos ainda tenho música pra ouvir. Também pertinente pela data, afinal, não sou nada além de um músico frustrado com as infrutíferas tentativas de compor uma banda...

Clique no nome da música em azul para ouvi-la.

Desemprego*
(Renato Russo)

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Só esse desespero
Que esqueço quando bebo
E é mais um aumento
Não tenho mais dinheiro
Atraso o aluguel
Mau compro alimento

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo
Trabalho o tempo inteiro
Estou procurando emprego
Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo
Não sei se tenho medo

Só esse desespero
Que esqueço quando bebo

Quem vai ser despedido?
Quem vai dançar primeiro?
E o pouco que eu recebo
É uma metade pelo meio

Não sei se tenho medo...

*Ou "Fábrica 2", como registrada na versão dos Titãs no disco "Renato Russo: Uma Celebração", em 2006.

Essa é foda. Sem mais.

Juliano Berquó.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O que se quer com um mito? Ou os 83 anos de vida de Ernesto "Che" Guevara

E digo vida, pois, morto em 67 na selva boliviana, Che Guevara é uma figura que permanece latente no insconsciente coletivo de todo o povo latino-americano que ousa lutar. Figura esta que, pela lente de Alberto Korda, rodou o mundo no que restava de século XX, sendo considerada pelo Maryland Institute College of Art a fotografia mais famosa de toda a história da humanidade.

No âmbito do concreto, o revolucionário nascido argentino, cidadão do mundo, porém, jogou talvez o mais importante papel na revolução de 59: o de torná-la lenda. Ministro do Trabalho em Cuba, Guevara abandona a ilha para levar consigo a chama da revolução para outros povos. Tentou articular a luta no Congo, onde fracassou e, posteriormente, na Bolívia, onde virou história, pelas mãos dos agentes da CIA.

Da mesma forma que icônico, é protagonista de polêmicas ainda hoje. É chamado de assassino pelos herdeiros das elites sanguessugas que, secularmente privilegiadas, viu ascender nas últimas décadas do século passado inúmeros movimentos de esquerda em toda a América Latina que buscavam, de alguma forma, romper com a histórica desigualdade nos Estados burgueses instituidos de forma excepcionalmente opressora e violenta (em relação aos Estados europeus, digo), a custa de muito sangue escravo indígena e africano. Diz-se da perseguição aos homossexuais em Cuba, acusados de "contra-revolução" e mandados a campos de trabalhos forçados. Quanto a este último ponto, Fidel Castro assumiu a totalidade da culpa em entrevista recente ao La Jornada, aqui.

O que fica da experiência de Cuba e do mito revolucionário é a lição que se tenta aprender nas esquerdas contemporâneas: Revolução não se faz apenas com armas, discursos e economia, mesmo com muita boa vontade. Pelo contrário, só se poderá falar de revolução daqui em diante quando se firmar outro contrato social entre os seres humanos que leve a sociedade a outro nível civilizatório, baseado na cooperação entre os povos e não na sua superexploração para o benefício de poucos. Uma outra mentalidade que ressignifique conceitos como desenvolvimento, sociedade e nação. A nossa pátria há de ser uma só: A humanidade.

Deixo aqui - como certa forma de homenagem pelo 83º aniversário de Che e para lembrarmos que nosso papel no mundo não há de ser apenas o existir não-contestatório, consumidores do modelo de vida imposto - uma canção que eu compus ano passado, onde cito uma passagem de um artigo do próprio Che Guevara, de 1965. A canção se chama "O que se quer" e o artigo é "El socialismo y el hombre en Cuba", que conheci por meio de uma publicação que ganhei de presente da minha avó em 2007, uma revista com vários artigos sobre a revolução, a história de vida de Ernesto e alguns de seus escritos. É um artigo famoso, está em todo o lugar da internet. Coloco aqui uma fonte, digamos, confiável.


"Déjeme decirle, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor. Es imposible pensar en un revolucionario auténtico sin esta cualidad. Quizás sea uno de los grandes dramas del dirigente; éste debe unir a un espíritu apasionado una mente fría y tomar decisiones dolorosas son que se contraiga un músculo."

Ernesto "Che" Guevara
(1928-1967)


O Que Se Quer
(Juliano Berquó)

Sou eu quem acredita na força da palavra
E ao cair em contradição, a minha própria mão,
Navalha que me corta,
Será a juíza da minha conduta torta.
É preciso estar frio e escolher entre a dor
No risco de soar ridículo, eu digo
É preciso estar convicto do amor.

Sou eu quem acredita na força do poema
O dilema da escrita
Sou eu quem acredita
E a palavra se afirma
Com a força da caneta
Sou eu quem a despista
E a rima se apresenta
E se rabisca
Em qualquer letra.

Cante enquanto pode, antes que seja tarde,
Cante e te afaste da escuridão
Escreva enquanto há mão que te oriente
Escreva são e observe.
Verse enquanto houver
Poesia que sustente,
Pois, mesmo sem a flor
Há a semente.

Não vou causar o estrago
Nem serei escravo de mim mesmo
Não vou seguir tais passos
Nem deixarei meus rastros
Pelo meio do caminho
Não vou comprar o plástico
E com os pés descalços
Eu mergulho e o rio é limpo.

Sou eu quem acredita no peso do ar
E, se me der na telha, vou meditar no Tibet
(que é onde estou agora)
E vou embora assim que alçar vôo.

Sou eu? Quem é o poeta,
Senhor destas linhas?
Quem está onde estão as poesias?

No silêncio entre as linhas
E na sombra sob as línguas
E nas nuvens sob o céu... da boca
Entre os troncos retorcidos
Entre as folhas sobre o chão
No não e no gemido,
Estão todas as palavras que eu busco
O refúgio que alcanço
Por meu suor

Sou eu quem acredita na palavra por ser dita
Escondida na entranha da garganta
E não adianta reclamar se a palavra é repetida
Pois, ainda que esta seja, está despida.
Sou eu quem acredita, e ainda tenho fé
Pois, tudo é o que é e haverá de ser
O que se quer.


¡Hasta siempre!
Juliano Berquó.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pra Longe do Sertão

Olá!

Pra fechar o ano, canto uma viagem (ou uma fuga, depende do ponto de vista) e aqui a divido com os presentes. Chama-se "Pra Longe do Sertão", algo que eu escrevera despretensiosamente nos fins de 2005, tendo musicado por volta de 2007 e gravado em setembro de 2010. A ideia era que fosse uma coisa que lembrasse um baião... Queria lembrar o valor da nossa cultura nacional, além de que sempre me fascinou a estrutura melódica e rítmica da música nordestina.

Fica então aqui registrada.

Pra Longe do Sertão by JulianoBerquo

Pra Longe do Sertão

Eu sou pobre
Eu sou rico
de espírito.

Eu sou bandido
Eu fui banido
do paraíso.

Eu quero ir embora
Pra bem longe do sertão
Eu quero fazer isso
Pra curar meu coração.

Na mala eu levo uma certeza:
Por aqui não se vê mais estrela.


Juliano Berquó.

sábado, 13 de novembro de 2010

Por ventura, a técnica

Olá!

Hoje venho falar um pouco da minha área de atuação. Pra quem não sabe, quem cursa geografia, pode ser professor (que é o meu objetivo) mas também tem algumas outras possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Uma delas é a cartografia. Eu sempre gostei de mapas, desde moleque. Cheguei a desenhar alguns mapas temáticos quando garoto, nada que eu imaginasse fazer profissionalmente um dia. Hoje em dia, o faço, apesar de o fazer com certo desgosto que não me cabe aqui discorrer.

Enfim... um dos mapas que eu sempre quis ver era o da divisão político-administrativa do Distrito Federal. Outra vez, pra quem não sabe, no DF só há UM município: Brasília. Mas é subdivido em, atualmente, 30 regiões administrativas (RA's), que podem ser chamadas de cidades-satélites. Apesar deste nome ter sido abandonado pela administração quando o Cristovam era governador, justificando-se ele ser fruto e gerador de preconceitos, em termos de análise acadêmica da dinâmica espacial de Brasília, ao meu ver, faz muito sentido.

Ao longo de meu curso de geografia, encontrei em alguns documentos oficiais esboços desta carta que eu procurava mas sempre incompletos de informações e incoerentes.

Falta (ainda não encontrei) um mapa oficial do governo que defina claramente os limites de cada RA. De fato, há ainda conflitos entre as administrações regionais acerca dos seus limites, como no caso Taguatinga x Águas Claras, em que nenhuma das duas administrações quer ficar com o bairro de baixa renda, Areal.

Nas últimas férias, no mês de setembro (devido à última greve), tomei a iniciativa de produzir este tal mapa, utilizando-me dos dois mapas-esboço aos quais já tinha conhecimento e das informações dos sites das administrações regionais. Comecei por vetorizar cada RA por meio do Google Earth (ferramenta "caminho" que, para este fim, constroi polígonos). E esta é a parte longa e chata do trabalho... mas chega a hora que a gente termina de vetorizar Planaltina e tudo fica mais legal!

Findas as vetorizações de todas as RA's, os exporto como KML (ou mesmo KMZ) para o ArcGIS 9.3 que, apesar de ter infinitas outras funções (as quais eu mesmo ainda desconheço muitas), eu utilizei apenas para extrair uma carta em branco com os vetores, já em PNG.

Abro este arquivo de imagem PNG no paint, brinco de colorir, coloco as legendas, vejo se tá tudo certo e...

Voilà!
Só pra reafirmar: Este não é um mapa oficial. Como disse, foi baseado nas informações não muito confiáveis de dados do Governo Distrital (!) e, possivelmente, um futuro hipotético mapa oficial pode vir a divergir deste em algo.

O fiz por esporte, por puro prazer, pra satisfazer uma vontade minha. Outra coisa: Sou bacharelando, não bacharel, como afirmo no mapa. Mas já to me garantindo, afinal, me formo ano que vem.

Quem tiver interesse em reproduzir este mapa pela internet, o faça! Se der, lembre de dizer quem gastou tempo pra caralho pra fazê-lo, ok?!

Um abraço,
Juliano Berquó.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dia Primeiro

Olá! Faz tempo que não dou minhas caras por aqui.. venho hoje tornar pública mais uma de minhas canções.

Esta canção me veio à cabeça no dia 29 de abril (2010), véspera do dia do trabalhador, porém, terminei a letra (e gravei a música) apenas por volta do mês de agosto. Inspirado pela força do simbolismo de termos um presidente-operário discursando no dia do trabalhador, não lembro exatamente em qual evento, escrevi estes versos aproveitando para utilizar metáforas ("ontem à noite a estrela não brilhava mas amanhã virá o sol da liberdade em raios fúlgidos de amor e esperança") como forma poética de crítica ao governo do PT que, em diversos momentos nos últimos oito anos e a cada dia mais na gestão da Dilma Roussef, se mostra perverso em relação às esperanças dos trabalhadores em mudanças estruturais no Brasil e dilui cada vez mais a força daquele simbolismo. Procurei fugir do tom a que chamam de 'panfletário' e não falar dos trabalhadores de forma tão genérica, como figuras sem rosto. Logo, tentei transpor a minha realidade à canção e chamar os que me ouvirem, por ventura, à discussão e à luta.

Pode (deve) ser entendida como uma ode às 36 horas!

São duas guitarras base, uma solo no meio da música e o baixo costurando o som. Além da minha impecável voz!!!!!!!!!!!!!

Dia Primeiro by JulianoBerquo

Dia Primeiro


Hoje, a partir da meia noite,
Amanhã o dia inteiro,
É dia primeiro.
Ontem à noite a estrela não brilhava
Mas amanhã será o sol da liberdade
Em raios fúlgidos
De amor e esperança.

Hoje o dia foi de cansaço
E os galos matinais anunciavam
O apocalipse.
Mas agora a noite é de descanso
Enquanto o ranço está lá fora
À nossa espera
Com os olhos de fera.

O que se pode fazer com tão pouco?
O que se faz aqui. se faz com gosto!
O que se espera que surja de novo
Se o que está posto é o mesmo?

O que fazem todos com tantas certezas?
O que se busca com tanta pressa?
A quem interessa esta corrida incessante
Se o nosso tempo é tão curto?

Trabalhador erga sua voz
Trabalhadores somos todos nós
Trabalhador siga sua luta
Dilapidando a força bruta

“Hoje acaba uma guerra – não.
Acaba uma batalha.
A guerra vai continuar.
A guerra é destruir esse muro
que separa você das suas aspirações.
Talvez muita gente não entendeu o que eu falei aqui.
E eu to falando pro futuro.
Não to falando nem pro presente horrível que nós temos,
nem pro passado.
Eu to falando e pedindo a vocês: jovens, pensem grande.
O impossível torna-se possível se você quiser.”

(Edição sobre as Considerações Finais do candidato a presidente pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, no debate da Rede Globo, em 30/09/10)

Ontem, o mundo era um desenho
No mapa da escola
Mas agora
Eu sei que o longe
É um lugar que não existe
Ontem as letras eram tristes,
Só figuras nas folhas dos livros
Hoje fazem sentido
Porque outro mundo é possível

Serei trabalhador da educação
Assim que concluir minha graduação
Trabalhador da arte enquanto
Eu acreditar naquilo que eu canto

Juliano Berquó Camelo,
Celebrando minha filiação ao Partido Socialismo e Liberdade, PSOL-DF.

sábado, 5 de junho de 2010

Não se guarda flor no bolso


Isso não é um poema
É no mínimo um canto
no máximo um grito
no entanto, escrito.


Não se guarda flor no bolso

À Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Cristovam Buarque
e tantos outros que trabalham
e trabalharam pelo Brasil que haverá de vir.
À Universidade de Brasília, enfim.


Não se guarda flor no bolso.
É um alto risco de um alto dano
como se guardassem por baixo dos panos
a paisagem tropical, o amor..

Roubada de um canteiro desta universidade
onde a liberdade sempre mais é o anseio
Não se guarda dor no peito
Nenhuma flor no bolso.

Não se guarda o poema todo
na ponta da caneta:
ele arranha e se irrita,
faz que vai mas fica
engatilhado no átrio esquerdo

Não há tempo imperfeito
pra se lutar de coração...

Juliano Berquó.

E também, dedicado à todos nós,
os pequenos nomes, que lutam a cada dia
por uma universidade e um país melhores.


*Foto de minha autoria:
"Flor vermelha no ICC norte, UnB",
Fevereiro de 2010.